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25.10.11

Sobre as Camadas e a Dinâmica da Resistência no Acesso às Memórias de Vidas Passadas, o Ponto de Ruptura, o acesso ao Infinito e Transciência.

Holomemória e Paragenética
Por Dr. Fernando Salvino (MSc.)
Parapsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo


O que venho escrever neste artigo é curto e objetivo e se refere a dinâmica da resistência que ocorre de uma maneira que tenta impedir a pessoa, no caso clínico, o paciente, de acessar o campo de memória de vidas passadas (faixas de personalidade subconsciente, holomemória). E a resistência neste caso nada tem a ver com algum tipo de "lei do esquecimento" ou "ordem divina". Tem relação com uma dinâmica interna, que está ancorada em muito, no medo e das conseqüências evolutivas da lembrança. Está ancorada naquilo que Matus (In CASTANEDA, Carlos. O Lado Ativo do Infinito) chamou de Ponto de Ruptura, onde a pessoa conseque ultrapassar a fronteira entre todo o conjunto neuro-biológico-cerebral e a memória associada a vida atual e todas as crenças, para um universo transcendente, rumo a uma realidade mais próxima daquilo que também chamou de Infinito. As conseqüências da irrupção rumo a uma realidade próxima do Infinito me parece ser a base etiológica da dinâmica da resistência ao acesso ao campo holomnemônico ou as memórias de vidas anteriores, sejam vidas en-carnadas (intrafisicalizadas, ressexualizadas) ou des-encarnadas (extrafisicalizadas, dessexualizadas).

O caso aproxima-se da classificação clássica da Dra. Louise Rhine, quando de forma clara definou as formas de Percepção Extrassensorial, quando ocorrem nos sonhos, principalmente, na mistura de conteúdos realisticos com oníricos, num limbo de memória com fantasia. A classificação da Sra. Rhine também se aplica nos processos de vivências clínicas do fenômeno retrocognitivo, ou regressivo, quando o paciente em meio ao transe começa a misturar fatos antigos com situações presentes, por exemplo, abrir um laptop em plena idade média. A principio, parece não ter lógica alguma, a não ser que compreendamos o fato rememorado como PES não totalmente realista, mas uma retrocognição semi-consciente. Da mesma forma com que ocorre na parafenomenologia projeciológica, na ocorrência da passagem entre uma projeção semi-consciente, que mistura realismo com onirismo, o mesmo ocorre no processo retrocognitivo, ficando a experiência misturada. Mas o paciente pode, prosseguindo, expandir a lucidez e extinguir todo conteúdo onírico e penetrar no campo realístico da holomemória. Qual a etiologia da retrocognição semi-consciente? Parece-me que é o medo da vivência do Ponto de Ruptura. Este medo se manifesta como uma experiência não-realística, como uma tentativa de amortecer o impacto do Ponto de Ruptura e consequente, Toque do Infinito. O fenômeno catalogado como Toque do Infinito manifesta o lado intencional do cosmos, o Intento ou o lado ativo do Infinito. Este aspecto intencional é aquilo que coloquei noutro artigo, a respeito do aspecto consciencial do Cosmos.

Uma razão existe, conforme esclareci acima, para a ocorrência da dinâmica da resistência, mesmo em estado de transe, como ocorre nos sonhos. A resistência entra como variável de impedimento, de distorção e manutenção do ego. O ego é o eu formado, o autoconceito limitado, toda a sintaxe restrita de um mundo formado e estruturado para dar segurança, para agir como escudo do Infinito. É uma resistência, pois, natural e, até certo ponto, essencial para a manutenção da vida tal como a conhecemos. Mas, devido ao processo de evolução também natural, os escudos começam a precisar ser abandonados, e é onde entra o sentido essencial das vivências para-normais, ou aquelas que colocam a pessoa em contato com o Ponto de Ruptura até que se sinta tocada pelo Infinito. A partir disso, aquilo que a pessoa faz não mais serve de escudo eficaz contra a pressão da realidade do Infinito. Os xamãs do antigo méxico, especialmente do clã Yaqui, trabalhavam com um conceito prático chamado de "ponto de aglutinação", onde representava a aglutinação da percepção num sentido profundo, incluindo a psicodinâmica do campo de energia humana ou como chamavam, o "ovo luminoso". Movimentar este ponto era um dos objetivos centrais deste método de autodesenvolvimento. Este movimento traduz-se pela vivência do ponto de ruptura até o acesso a dimensões do Infinito. O Infinito pode ser compreendido como a região do Universo chamada pelo Dr. David Bohm de a ordem implicada do holomovimento. Mas, para Bohm, trata-se somente de um conceito quase matemático daquilo que estamos aqui trabalhando experimentalmente através de experimentos transcendentes, como as retrocognições.

A forma como a resistência se manifesta se dá pela distorção da realidade, e é similar a como ocorre nos sonhos, onde vivemos realidades realmente impossíveis de existirem, em algumas situações. Como ver elefantes cor-de-rosa do tamanho de um edifício. As distorções cognitivas decorrentes da etiologia cuja base está na evitação do contato com o Infinito, tem como objetivo levar a pessoa a confundir realidade com fantasia e assim, retirar a importância da experiência a partir de significados distorcidos. A resistência tem como função trazer a dúvida para a pessoa, mas não uma dúvida comum, sadia, de questionamento. Mas uma dúvida de negação, representando um instinto básico de auto-preservação. Assim, a dúvida é um sintoma da resistência. Existe a dúvida sadia que, questionando o conteúdo onírico durante a experiência leva-a ao conteúdo realístico, expandindo a lucidez.

Podemos expandir isso para a maneira como os cientistas mais céticos lidam com o assunto, pois estando ancorados no medo do confronto como Infinito, acabam por razões de ordem da resistência, na maioria das vezes inconsciente e bem fundamentada pelos recursos cognitivos que lhe são utilizados como intrumentos, negar a fenomenologia e mesmo as vivências que por ventura tiveram no campo parapsíquico e trancendente. O campo parapsíquico é o campo que leva-nos ao contato direto com o Infinito. Por Infinito não quero dizer Deus, mas aproximo do que os taoistas chamavam de Wu Chi e mesmo a realidade que fundamenta o universo manifesto (Tai Chi). Recentemente, em meio a uma prática de Tai Chi Chuan, passei por uma experiência que dificilmente posso traduzir em palavras, mas alguma coisa em mim se alterou. Foi como se fosse um estado de transe hiperconsciente, estado este de consciência não-ordinário. A minha dinâmica de resistência se instalou após a vivência e quando percebi, fiquei cerca de duas semanas sem realizar a prática.

É necessário para isso a criação de uma estrutura de personalidade que suporte, progressivamente, o contato mais íntimo e direto com o Infinito. E mais profundamente, o Lado Ativo do Infinito que se manifesta pelo Intento Cósmico, sendo este o fundamento, a estrutura e o núcleo inteligente, o eixo de tudo que existe no universo e do próprio universo (ou, multiversos). Pode ser chamado de Deus. Mas está além de qualquer significação relativa a cognição humana e mesmo extrafísica, dos espíritos mais lúcidos, visto que nem mesmo eles sabem ao certo e tem total clareza a respeito de tal nível de profundidade. Neste exato ponto estamos ainda além de qualquer ciência, mesmo as muito avançadas como a Conscienciologia: estamos na fronteira da Transciência.

A psicoterapia regressiva ou retrocognitiva adentra, pois, no campo da transciência, toca nela, é atravessada por ela e retorna para o campo da ciência e da clínica propriamente dita. A maioria de nós se agarra a crenças, a religiões, e mesmo quem se denomina cético, se agarra ao ceticismo ou a neurociência, ao cérebro e assim por diante. Não importa ao que nos agarramos, pois trata-se de uma mesma base etiológica da dinâmica da resistência ao ponto de ruptura que nos leva ao contato mais direto com o Infinito.

Aos terapeutas que atuam com esta técnica, de forma cosmoética, vale compreender esta dinâmica de resistência e incluir no trabalho de ajuda psicoterapêutica, e em tentar driblar esta faixa de defesa durante mesmo o curso da experiência para que o paciente possa se beneficiar de sua própria profundidade, daquilo que realmente é e relembrar por onde passou e esteve antes desta vida, seja neste, noutro país ou mesmo noutras orbes deste universo, infinito. A forma como o terapeuta fará esta condução depende de fatores altamente subjetivos, como intuição, amparo extrafísico e principalmente, criatividade ou a capacidade de criar técnicas de improviso durante a experiência. Oriento os terapeutas a investirem tempo e energia em atividades criativas, por exemplo, em artes, pintura, desenho, música ou outras que julgar adequado, como laboratório de improviso e criatividade. Outro fator determinante é que o próprio terapeuta tenha experiência relativa de acesso aos domínios chamados holotrópicos ou transpessoais, transcendentes, parapsíquicos da existência. Sem esta base, na minha opinião, uma terapia transpessoal adequada fica impossibilitada. A Parapsicologia Clínica é  e sempre será uma terapia transpessoal, porque lidamos com campos e domínios que transcendem o ego, adentram na estrutura do self e de campos multidimensionais da existência e do cosmos. E nada disso é teoria, mas se assenta na prática pessoal de cada profissional e da clínica.

Assim, as pessoas que não regridem, ou não conseguem atravessar a fronteira para a holomemória, estão manifestando na realidade não uma dificuldade de regredir, mas um intenso medo de entrarem em contato com o Infinito, mesmo que seja uma pequeníssima porção dele, a partir de si mesmo, e de nossa natureza palingenética. Esta blindagem é interna e não está vinculada a qualquer impedimento de ordem divina. É a própria pessoa que se blinda e estrutura sua resistência ao ponto de ruptura. Com esta virada de compreensão, podemos ajudar de forma mais efetiva nossos pacientes, compreendendo-os e mesmo conversando sobre estes assuntos todos antes de adentrarem na profundidade de si mesmos, com segurança e lucidez.

Concluo este pequeno artigo manifestando a minha sinceridade em dizer que facilitar experimentos de retrocognição, seja clínica seja na forma de vivências relacionadas experiências científicas, é das coisas mais difíceis que existe, porque exige do terapeuta uma vida ética o mais reta possível e uma estrutura de personalidade que possa sustentar o encontro com o Infinito vivenciado pelo paciente, mas co-vivenciado pelo psicoterapeuta, em cada sessão. Cada sessão é um acesso multidimensional, pois o psicoterapeuta necessita alterar por vontade própria sua consciência atuando como agente retrocognitor do paciente. Paro por aqui e deixo estas primeiras reflexões.

27.7.10

Consciência, Sonho e Lucidez: a vida humana como o pequeno moksha

Por Dr. Fernando Salvino, Parapsicólogo

Todos nós já ouvimos falar de pessoas que se levantam a noite e saem por aí sem qualquer consciência e muitas vezes acabam tomando consciência de onde estão já afastadas de seu quarto, caminhando por algum lugar em estado de sonambulismo. O sonâmbulo é aquele que caminha e faz coisas tão somente guiado pela sua mente sub-consciente.

A mesma coisa ocorre todas as noites: saímos de nossos corpos e perambulamos pela dimensão espiritual sonâmbulos sem qualquer consciência de onde estamos e do que estamos fazendo. Da mesma forma, alguns sonâmbulos acordam e se percebem fora de seus corpos. Alguns conseguem avistar seu corpo deitado na cama e observam um fio de energia fino que liga ao seu corpo lá deitado.

Ainda, podemos viver a vida acreditando que estamos despertos, acordados. Mas perceba, o quanto fica disperso em seus devaneios e imaginações dentro de seu mundo mental, pensando nos problemas, em fantasias, em pensamentos fugazes, sensações diversas.... Lapsos de consciência... fragmentos de lucidez....

Acorde: você pode estar sonhando! Mas, acredita que está acordado.

Seu mundo, suas idéias.... fantasias.... aquilo que pensa de si mesmo ou que pensa de seu marido ou esposa.... namorada ou namorado..... familiares, irmãos, pais e mães...... filhos, filhas...... amigos e amigas....... cultura.... sociedade........... isto tudo pode ser um SONHO. É o seu sonho e você vive dentro dele. Quando você vai dormir, você continua seu sonho...... E quando acorda, pela manhã, acredita que acordou, mas continua sonhando. Da mesma forma quando algumas pessoas se despertam no sonho e sabem que estão sonhando, ainda assim, estão sonhando. A vida é a mesma coisa: acordamos pela manhã e acreditamos que estamos acordados, quando na verdade, podemos estar somente continuando o SONHO.

A noite quando sonhamos, no momento mesmo que estarmos sonhando, acreditamos que o sonho é realidade. E é! Mas é um sonho! Por outro lado, só sabemos que se trata de um sonho quando acordamos e tomamos consciência: era um sonho! Nossa mas como era real! Não importa o quão real parecia o sonho, era um sonho. Você já deve ter passado por estas experiências ou por experiências parecidas com esta.

A armadilha da consciência pode estar aqui

Quando você acorda do sonho e pensa que era um sonho, acredita que neste momento está na realidade e que não está mais sonhando. Errou! Você pode estar simplesmente consciente do SONHO, mas ainda assim permanece sonhando um SONHO LÚCIDO. O sonho lúcido é quando você sonha, mas sabe estar sonhando. Isto ocorre muito quando você está dormindo e começa a sonhar e num dado momento algo ocorre! Você pensa, raciocina e sabe de alguma maneira que está sonhando. Você tem controle sobre o sonho, você pode mudar o enredo do sonho, mudar imagens oníricas..... você está lúcido no sonho. Mas não veja agora o sonho como uma experiência que você experimenta somente ao dormir. Precisamos ver o sonho como um estado de consciência que pode ocorrer a qualquer momento de nossa experiência tanto “acordado” quanto “dormindo”.

Tempo e consciência: o sonho é atemporal

Dividimos o tempo em: dia e noite. Dia é quando estamos acordados, noite é quando estamos dormindo. Criamos uma crença de que é somente a noite que experimentamos os sonhos. E que de dia ficamos acordados, despertos. Alguns cientistas afirmam isto a partir das ondas cerebrais, pelo eletroencefalograma. Eles têm razão em parte. Mas aqui vou além dos eletrodos grudados na cabeça. Vamos examinar juntos como funciona nossa consciência.

Nosso dia a dia é marcado por lapsos de lucidez, fragmentos de memória... Perceba o quanto sua atenção flutua, o quanto sua mente divaga..... o quando fica absorvido pelos problemas e fantasias, o quanto suas emoções flutuam, idéias... dúvidas..... Fique lúcido neste momento, respire e fique lúcido: veja como estava antes, ontem....ante ontem..... é parecido com um sonho. Parece que você estava sonhando. Não que seus problemas ou tudo o mais não seja REAL, pois até mesmo o sonho é real. Mas temos de discernir o que é sonho e o que não é sonho. Geralmente a mente ou está no passado ligado a traumas, cenas, fantasias, experiências... ou está no futuro, pelas preocupações, ansiedade, angústia..... Não importa, você não está aqui e agora, lúcido no presente. Este estado de lucidez no presente marca a divisão entre sonho e não sonho. Mas repito: tanto o sonho e o não-sonho são REAIS.

O desafio aqui é, até certo ponto, motivá-lo(a) a acordar do sonho que você vive dentro. O sonho que digo é o que chama de “vida”. A sua vida inclui tudo: tanto o que ocorre dentro de você como o que ocorre fora de você. Uma dor, um incômodo emocional e existencial, uma doença pode ser a chamada de sua consciência para mostrar-lhe que está sonhando. Mas meu desafio com você não para aqui. Quero mostrar a você que seu sonho tem 24h de existência. Veja agora sua vida como tendo 24h e não somente as poucas horas que acredita estar acordado. Perceba-se uma consciência em vários estados de consciência durante estas 24h. Mas estas 24h continuam.... agora procure ver sua vida como uma experiência única sem interrupções, que vem de um passado muito antigo..... antes de desta vida e chega até seu momento agora, presente. Você está aqui, agora, lúcido. Não importa o que houve, você existe agora, sua consciência neste momento está aqui. Fique consciente deste estado de lucidez no presente. Você pode ficar mais lúcido ainda: olhe agora para sua mão direita com bastante atenção. Repare em todos os detalhes de sua mão, simplesmente observe. E perceba sua lucidez aumentar. Respire mais calmo e sinta uma paz dentro de você: você está acordado(a).
Provavelmente, este estado desperto não dura muito mais que alguns instantes e você, ou vai pro passado ou vai pro futuro. Ou vai para algum lugar de sua mente, divagar em pensamentos, fantasias, imaginações. Você agora está novamente sonhando. Você pode agora que está neste onirismo, tornar-se consciência de que está criando estas imagens oníricas.

Fique consciente. Você acordou novamente.

A consciência não é uma espécie de hormônio produzido pelo cérebro. A consciência é este estado que se altera continuamente; que oscila; que desperta e que dorme; que sonha e que acorda. E que, pode tomar consciência de si mesma: autoconsciência.

E a consciência continua depois que o corpo morre. A morte é um outro estado de consciência: você sai do “estado encarnado” e passa ao “estado desencarnado”. Mas pode passar por estes estados sem qualquer consciência. Você pode simplesmente passar por estes estados em sonambulismo. Um corpo movente sem consciência. São aqueles que morrem e não sabem disso. Ficam perambulando. E tem os que morrem e tem uma leve consciência: estes estão num sonho lúcido. A consciência (eu, você, nós todos) somos esta realidade projetiva: nos projetamos para o passado, presente, futuro, para fora do corpo, para dentro de nossos devaneios, imaginações........ Estes vários locais para onde a consciência pode ir também marca os estados de consciência: ou estamos sonhando, ou estamos parcialmente conscientes (sonho lúcido) ou ainda estamos conscientes. Existe ainda outro estado: hiperconsciência.

O que é acordar? Diziam os orientais que Buda atingiu a iluminação. Na índia, no hinduísmo e nos antigos escritos védicos, encontramos o moksha ou a liberação de sansara ou o ciclo das reencarnações. Não importa o nome. Este ser despertou das ilusões, de “Maya”. Maya significa em sânscrito, ilusões, o mundo das ilusões, o SONHO. Isto significa que ele não mais sonhava, ele estava vivendo lúcido o tempo todo. Esta compreensão exigia uma prática de exame de si mesmo continuamente, um estar presente, uma união (ou pelo sânscrito “yoga”) consigo mesmo e com o Cosmos. Esta união se dava pela prática da meditação. Muitos métodos foram criados, mas o objetivo sempre o mesmo: levar o praticante aos estados de iluminação, transcendência do mundo das ilusões. Estas práticas incluíam um domínio sobre o sonho (sonho noturno), até que o praticante conseguisse dominar os sonhos e atingir os estados de consciência lúcida fora do corpo (projeção consciente para fora do corpo). Cerca de 1500 anos a.C na Índia e mais tardiamente no Tibet e nos países orientais que praticavam os ensinamentos hinduístas, budistas e mesmo os jainistas, já se dava importância crucial para o despertar para a hiperconsciência, o samadhi: a porta para moksha, a liberação dos ciclos de renascimento, reencarnação ou samsara.

A ilusão ou o sonho se dava pelos objetivos distorcidos da vida humana. Viver de acordo com a moral social, viver na busca de riqueza, poder e condecorações e pelo prazer sensual. Isto era Maya. Nada disto teria sentido se todos estes objetivos não estivesse orientados para moksha. Moksha então é o grande ensinamento antigo que parece ser o centramento de nossa lucidez e na metamorfose de todos os nossos objetivos de vida. Não sabemos quando, mas um dia estaremos libertos de samsara. E é nisto que remonta a visão védica do “paraíso”, o reino dos céus ou o mundo-céu. Somente pela libertação de samsara alcançaremos um dia, o mundo-céu.

E como nos libertar de samsara? Pela vivência temporária de moksha e pela prática do amor puro.

Muitos afirmavam que pela meditação poderíamos vivenciar níveis de realidade mais elevadas, transcendentes e superiores em evolução espiritual. E tais afirmações foram sendo repetidas século após século. Outras religiões usaram de métodos de oração. Práticas de teosofia acabaram usando da meditação. Outros ramos como a pesquisa psíquica e a pesquisa da projeção astral (experiência fora do corpo) usavam da projeção para fora do corpo o recurso de atingirem tais estados. Na essência todos buscam a mesma coisa: despertar do sonho e viver na realidade. E viver na realidade significa a extinção do sofrimento e a experiência da felicidade verdadeira.

E não é este o maior desafio da medicina? A extinção do sofrimento, de pathos (patologia)?

Mas o que a medicina consegue é somente a extinção de alguns sintomas, e não do sofrimento. O sofrimento é resultado do fato de estarmos vivendo dentro de um sonho. O mundo, a cultura, as leis, grande parte de tudo isto é uma materialização de conteúdos oníricos, tornando-se um SONHO. A vida humana é o SONHO HUMANO. Quando as religiões afirmaram que teríamos de nos unir a Deus, o que estaria dizendo? Estariam dizendo que deveríamos nos unir à Verdade e não à Ilusão. A “Verdade” foi chamada pelos védicos de Brahmam, e pelos taoistas de Tao. Muitos espíritos superiores a chamam simplesmente de “Verdade” e colocam como o Caminho e mesmo a Verdade, o amor. Muitos espíritos colocam o “Cristo” como um marco da orientação espiritual da humanidade por ter falado sobre o amor. Mas antes dele, ainda Confúcio, na China, já falava do homem benevolente e do sábio. E antes dele, no Tibet, na Índia, muitos já falavam no Bakti Yoga, ou o caminho do amor puro, o yoga do amor puro. Não importa quem começou, quem é mais evoluído ou quem é o grande líder espiritual da humanidade. Muitos alcançaram a Verdade nos diversos locais do planeta e trouxeram para nós suas experiências vívidas. Muitos já estão se despedindo das reencarnações, de samsara e deixam suas pegadas pacíficas por onde caminham. São os testemunhos da “Verdade”, aqueles espíritos puros que alcançaram os degraus sublimes da evolução e se libertaram de todo SONHO, de todo sofrimento e exalam o amor puro que reverberam a hiperconsciência do espírito. São os arcanjos do Universo, os querubins da existência cósmica infinita.

A felicidade então se encontra no amor, no caminho do amor, nos pensamentos de amor, numa vida de amor, em relações sexuais de amor, em idéias, reflexões e tudo o mais na direção do amor. As repetições de padrões, de crenças..... o fato de vivermos num sonho releva nosso nível evolutivo: somos crianças espirituais. Os espíritos puros ou como antigamente chamados pelos védicos por “rishis”, são os adultos espirituais, dentro da maturidade de consciência alcançada ao longo de infinitos ciclos de samsara ou reencarnações vividos pelo cosmo afora.

A vida humana então é a experiência da pequena liberação, o pequeno moksha.

Ao nos libertarmos a cada dia dos venenos de nossa mente, pela compreensão de si mesmo, nos esforçando para melhorar, nos desapegar (perdão, reconciliação...), nos atermos a uma vida ética, honesta, renunciando ações negativas e acolhendo a liberdade (prajna), mudando nossa maneira de comunicar tornando-nos pessoas mais pacíficas, sinceras e não-ofensivas, ainda de maneira não prejudicial aos outros, ao planeta e ao universo; um meio de vida onde seguimos uma vida correta, retilínea, mantendo uma disciplina mental para desenvolvermos um domínio sobre a mente, seja pela meditação seja por outro método; a consciência de ver as coisas como elas são, com a consciência clara, consciente da realidade presente dentro de si mesmo, sem qualquer desejo ou aversão; e buscando experiências transcendentes, sair de si mesmo, transcender o ego, elevando-se no cosmo. Estas orientações foram dadas por Sidartha Gautama, o Buda, há mais de 2.000 anos (O Caminho Óctuplo).

Não importa por onde, nem como: chegaremos no mesmo lugar. E como nos diz a Teosofia, somos parte de um mesmo todo, de um mesmo Divino. E se somos fagulhas, centelhas do Divino, somos irmãos provenientes de um mesmo centro de vida: Deus, Brahmam, Tao..... A fraternidade, a união dos povos, a proteção ecológica do planeta, a paz, o amor tornam-se o caminho e a caminhada, agora e sempre.

Era da Transciência: união fraterna da Religião, Filosofia e Ciência

Estamos com isto adentrando a era da Transciência, onde Religião, Filosofia e Ciência encotram seu elo perdido e começam a caminhar de mãos dadas dentro da grande fraternidade universal.

ॐ भूर्भुवस्वः ।
तत् सवितुर्वरेण्यं ।
भर्गो देवस्य धीमहि ।
धियो यो नः प्रचोदयात् ॥

"Ó, Criador do universo! Meditamos sobre Teu supremo esplendor. Possa Teu radiante poder iluminar o nosso intelecto, destruir os nossas ilusões, e nos guiar no caminho certo."
Verso 3.62.10 do Rig Veda (1.500 a.C)

22.7.10

A Existência dos Espíritos Superiores

Por Dr. Fernando Salvino - Parapsicólogo

A Parapsicologia é uma ciência não muito nova. Muitos dizem que teve suas origens na Alemanha, por ter sido Max Dessoir em 1889, o formulador de seu conceito. Obviamente, suas origens estão nas épocas antigas da humanidade, como observamos na China e os postulados Taoistas; Índia e os Vedas e tantos outros campos do conhecimento que procuraram sistematizar uma ciência do espiritual e da evolução do Ser. Assim, temos a Parapsicologia como a área que se confunde com a Medicina primitiva, aborígene, xamanista, onde o médico era o paranormal e o sensitivo curador e vidente da tribo. Os tempos foram passando e encontramos a visão parapsicológica de Sócrates e Platão, quando expressamente falavam na palingenesia, nas múltiplas vidas e em reinos cósmicos superiores no além-túmulo. Heráclito de Éfeso e Pitágoras e suas escolas parapsicológicas peculiares também marcam esta ciência tão antiga como o ser humano. Já foi chamada de ocultismo, xamanismo e foi estruturada sob várias formas, como procurou fazer Helena Blavatski, pelo sistema da Teosofia. E não paramos aqui, Sylvan Muldoon iniciou outra sistematização a partir das pesquisas científicas da projeção do "corpo astral" ou perispírito, psicossoma, corpo psicônico ou psiergético.

De qualquer forma a Parapsicologia não é a ciência de Rhine, é também a ciência de Rhine. Parapsicologia é a extrapolação da Psicologia, é o Transpsicológico que engloba os aspectos transcientíficos (divino, totalidade), religiosos (no sentido de religação e dos métodos de religação estudados por muitos sistemas no mundo) e científicos propriamente ditos, com as pesquisas na área.

Parapsicologia é uma transciência e por ser transciência é também uma metodologia de acesso ao campo espiritual, desconhecido, transcientífico. Assim, é correto dizermos que Yoga é método de acesso, assim como o Zen também é. E tantos outros métodos de acesso podemos dizer que faz parte de uma ciência psíquica mais ampla do que aquilo que estamos vindo a falar por aí. A Parapsicologia hoje se reduziu a um conjunto de pesquisas especulativas, teóricas e fora de seu propósito original: a existência (para)trancendente do humano.

A existência empírica dos rishis, sábios ou mestres espirituais da humanidade

A essência da pesquisa psíquica ou parapsicológica é a experimentação pessoal, tal como já vem afirmando desde Sylvan Muldoon, passando por Blavatski e muitos outros até modernamente Pierre Weil e cia. Pessoas em todos os campos foram chamados de "rishis", "sábios" e espíritos evoluidos num grau muito avançado comparado a nós. Seres de serenidade inabalável, tal como um que eu mesmo conheci e que mudou minha forma de ver a vida. Seres que falam pouco e dizem muito a partir de seu próprio modo de ser, seu exemplo vívido e sua energia abundantemente amorosa, pacífica e lúcida, bem intencionada e não julgadora, traduz o que são estes espíritos iluminados que passam e passaram pelo planeta e povoam o cosmo em abundância.

Nos estados transpessoais de expansão cósmica da consciência podemos alcançar a sintonia com estes espíritos, livres de sexo e forma, irradiando-se como energia pura incorpórea, como se fossem massas de energia consciente, e aprendermos com estes mestres a respeito daquilo que fizeram para chegar até onde estão. O ensinamento, na palavra de um deles, é simples porém difícil de compreendermos: o caminho e a verdade é o Amor.

O Amor ou este estado de consciência amorosa contínua e inabalável é aquilo que faz tais espíritos não se abalarem com nada; é o que faz tais seres não sentirem nenhuma ansiedade, medo ou angústia. Estes seres estão livres de qualquer neurore, psicose ou distúrbio qualquer. Eles detém saúde integral de seu ser e mantem-se assim a partir de um estado de viver amoroso e pleno. Eles vivem num tempo sem tempo, num espaço sem espaço e transcendem o humano tal como conhecemos.

A Parapsicologia encontra nestes seres o paradoxo total do sentido do desenvolvimento da paranormalidade. A paranormalidade então, em seu pico de desenvolvimento integral, leva o ser a  dominar completamente os processos extrassensorias sejam eles quais forem e os processos da projeção consciente para fora do corpo, mantendo vida consciente integral, sem descontinuidades, hiperlúcidos, porém, numa direção amorosa plena regada de uma ética universal vivida espiritualmente.

As palavras pouco ajudam para explicar como são estes espíritos. Aqui vale a experiência pessoal. Encontrar um desses espíritos não é motivo de orgulho ou motivo de superioridade evolutiva, mas de oportunidade de mudança de rota, de caminho para um "norte" mais certeiro.

Alguns resultados

Aqui adentramos nas investigações diretas realizadas pelos próprios parapsicólogos quanto ao fenômeno psi-theta, especificamente, o estudo e o encontro com os espíritos orientadores da evolução planetária. Tal estudo só pode ser realizado a partir da premissa básica de que:

1. O fenômeno psi-theta é um fato constatável pela experiência direta do pesquisador, no caso, o parapsicólogo.
2. O universo é povoado multidimensionalmente, aqui como nos astrais do cosmo infinito.
3. O universo evolui e junto com ele, seus habitantes. A evolução não tem limite, é infinita. Hoje estamos mais evoluidos que ontem.
4. Se hoje estamos mais evoluídos que ontem e, se a vida prossegue após a morte, existem espíritos que estão num degrau acima em evolução, aqui compreendida como a moralidade, a ética intrinseca do espírito.
5. Assim, os espíritos orientadores da evolução, os "sábios" de todos os tempos, existem e aparecem no momento correto, ético. E, se aparecem, podem ser investigados, estudados com finalidade de aprendermos com eles os meios para se alçarmos vôos cósmicos mais profundos e coerentes, na corrente da evolução.

Experimentos pessoais na área

Pelas investigações que tenho feito:

1. Estes espíritos não são homens nem mulher. Isto quer dizer que não aparentam serem do sexo masculino ou feminino. Sua aparência é como de uma massa ou núvem de energia pacífica de uma cor quase rósea, clara. Profundamente lúcidos e serenos espiritualmente, possuem uma aura imensa que nos acolhe e nos faz sentir aquela paz profunda e aquele amor puro, livre de paixão e ansiedade; aquele amor que nada pede e nada dá e mesmo assim, tudo dá.
2. Seus ensinamentos são curtos, simples e diretos e a  base é o Amor.
3. Para acessar tais esferas do cosmo, o pesquisador necessita expandir sua consciência através do chacra coronário, situado no topo da cabeça e dali, fazer erguer sua consciência numa semi-projeção para fora do corpo, em estado de semi-transe ou transe total, lúcido. Acredito que um encontro destes torna-se mais potente a partir da experiência fora do corpo completa.
4. O ensinamento é de difícil compreensão, pois vem acompanhado de informações não-verbais pela presença mesma do espírito que ensina sem nada falar, o que dificulta as pesquisas por um lado, e por outro, motiva o pesquisador a buscar a experiência direta e sair dos relatos de terceiros.

Deixo este material para reflexões e toda experiência, convido a ser relatada aqui, neste espaço.

12.5.10

Falando Abertamente sobre Experiência Fora do Corpo (parte 2)

Por Dr. Fernando Salvino - Parapsicólogo Clínico


Parte 2: Saia do Corpo. Experimente. Tire suas Conclusões.
Na Parte 1, vimos que chamamos de "experiência fora do corpo" a experiência onde eu e você nos situamos fora do corpo físico. A partir disto surge a questão:
 
Mas o que exatamente sai para fora do corpo?
 
O que sai para fora do corpo é outro corpo. E este outro corpo é o corpo do espírito. Por isto chamado de perispírito por Allan Kardec. Mas na realidade, este segundo corpo é um corpo físico também, feito de átomos psíquicos ou os psi-átomos. O corpo físico é formado de átomos físicos. O corpo psíquico ou espiritual (astral, psicossoma, perispírito...) é formado de psi-átomos. Estes psi-átomos são como se os tijolos que constituem a estrutura total deste segundo corpo. Este segundo corpo, ou corpo psíquico ou simplesmente "psicossoma", apresenta algumas propriedades físicas diferentes do corpo físico normal, o que eu e você estamos usando agora.
 
Algumas diferenças entre a experiência no corpo físico e no corpo psicofísico.
 
Peso: O corpo físico pesa em média de 50kg a 100kg, num sujeito adulto médio. O corpo psicofísico já pesa na média de 1.100 vezes menos que o corpo físico, ou seja, poucas gramas.
 
Sensibilidade à Força de Gravidade: o corpo físico sofre poderosa influência do campo gravitacional, o que torna raro alguns fenômenos como a "levitação" ou o ato de flutuar corporalmente pelo espaço. O corpo psicofísico sofre muito pouca ou quase nenhuma ação da gravidade, o que torna simples e a regra geral a capacidade de flutuação livre pelo espaço cósmico, inclusive flutuar para fora outros países, para fora do planeta e pelo cosmo afora.
 
Sensibilidade ao Pensamento: o corpo físico é altamente sensível ao pensamento, incluindo aqui as emoções e sentimentos. Hoje é consenso que as doenças na sua grande maioria possuem causa de fundo emocional, ou seja, os pensamentos materializam a doença no corpo. Apesar disso, o corpo psicofísico é muito mais sensível aos pensamentos, podendo ser facilmente plasmado, transmutado em sua aparência pela livre atividade do pensamento e do desejo. Assim, um sujeito qualquer, quando fora do corpo, pode se transmutar e aparentar Elvis Presley, pela simples ação potente da mente. Na dimensão espiritual ou extrafísica, as aparências enganam muito mais, porque os pensamentos exercem muito mais poder sobre a matéria física espiritual.
 
Liberdade: outro item é a liberdade. Enquanto que o corpo físico precisa abrir portas e necessitar de chaves; necessita de telefone, celular, aviões e outros meios tecnológicos; o corpo psicofísico não necessita de nada disso. As propriedades da matéria espiritual são diferentes da matéria física, possibilitando que tal corpo atravesse paredes e portas sem precisar de chaves. Possibilita a volitação livre pelo espaço e a comunicação mais direta pela Telepatia, sem o uso destes intermediários todos.
 
Autenticidade: fora do corpo, somos muito mais quem realmente somos, enquanto que dentro do corpo, estamos muito mais limitados pela aparência e pelas sensações físicas e orgânicas e principalmente pela ação potente da energia sexual na vida sexualizada.
 
O que a ciência diz disso tudo?
 
A ciência é o que são seus cientistas. E os cientistas estão em sua grande maioria envolvidos em instituições cuja liberdade de expressão da atividade científica livre de censura ou licença encontra-se prejudicada. Assim, temos várias "ciências", grande parte delas contaminada pela mercantilização e pela manipulação dos dados e investigações. Estas "ciências", que chamei de "cerebrocêntricas" não são ciências, mas facetas de uma mesma religião: cerebrocentrismo. Assim os adeptos desta seita afirmam que as "experiências fora do corpo" são produtos cerebrais, alucinações, delírios e estão relacionadas com algum tipo de psicopatologia ou noutros casos, consideram a existência de um tipo específico de pessoas, os paranormais. Em resumo, negam que são experiências, de fato, fora do corpo. Afirmam que estas experiências ocorrem dentro do cérebro. Acreditam, pois que nada sobrevive ou que não existem evidências para afirmarem que o espírito sobrevive.
 
Por outro lado, existe a verdadeira Ciência. O que chamo de verdadeira Ciência? É aquela que é comprometida com a "verdade" e não com o mercado, ou com políticas ou com status acadêmico. A Ciência é a atividade humana que tem por objetivo a investigação com a intenção honesta de conhecer. Pois que, a Ciência, e não o cerebrocentrismo ou o consciencicentrismo ou todos os ismos que temos por aí afora, considera verdadeira a tese de que o espírito, consciência, alma ou psi, sobrevive após a morte; considera que as chamadas "vidas passadas" realmente existiram. E, mais considera que o espírito em dadas condições, pode sair do corpo, ter experiências e, após, retornar lembrando de tudo. Em síntese é mais ou menos assim que se encontra a situação das pesquisas avançadas.
 
Experimente, não acredite no que está escrito aqui.
 
No início de 1900 um projetor e paranormal chamado Sylvan Muldoon escrevia em suas obras exatamente o que escrevi no título deste tópico. Ele então fundava um modelo de investigação que exigia do cientista experimentar o fenômeno a partir de aplicação rigorosa de metodologia. Foi assim que escreveu seu tratado científico "Projeção do Corpo Astral", o primeiro livro científico sobre o fenômeno da experiência fora do corpo. Desejo, com isto, que você aplique integralmente este método:
 
Não creia no que escrevo, EXPERIMENTE! E depois tire suas conclusões.

9.5.10

Falando Abertamente sobre Experiência fora do Corpo (parte 1)

Por Dr. Fernando Salvino - Parapsicólogo Clínico


Parte 1: Noções Gerais
Inicio este texto com a intenção sincera de abordar tal assunto de forma simples, clara e objetiva, como é a proposta deste webespaço.

Você sabe o que é "experiência fora do corpo"?

Talvez saiba. O nome assusta muitas pessoas, mas o que ocorre é simples: você literalmente sai de dentro de seu corpo e permanece lúcido, consciente, fora dele. Veja a imagem que coloquei neste texto. É exatamente aquilo ali. Você sente que está meio balançando, flutuando e muitos conseguem se observar de fora,olhando seu corpo e um fino fio de luz se ligando a ele, na cabeça. Mas ocorre somente com você? Não. Milhares de pessoas passam por isto, desde a pré-história. Alguns de meus pacientes em sessões de regressão (vidas passadas), no exato momento de lembrarem de seus períodos entre-vidas (intervalo entre uma vida e outra), acabam por sairem levemente de seus corpos. A razão é simples: a memória é extracerebral, está além da carne, dos neurônios e das proteínas. E todo o dia a noite, ao dormir, seu corpo fica em repouso e você sai de dentro dele. A questão é que na grande maioria das vezes, você fica inconsciente, ou fica sonhando, devaneando, delirando sonhos ao invés de ficar lúcido.

Sair do corpo é como uma mudança de estado físico da água: de sólido passa para líquido.

O corpo físico é como a água sólida. Ao dormir ou mesmo quando aplicamos técnicas específicas, aceleramos suas moléculas, agitamos o sistema, e de sólido passa para líquido. O líquido neste caso é a expulsão do "corpo espiritual" para fora do corpo.

O corpo físico é a luva do espírito.

Tenho encontrado muitas teorias para explicar estes fenômenos. A maioria delas complica mais que ajuda. Então, depois de todas as experiências que passei desta natureza, posso explicar que o corpo físico é a luva do espírito. É uma explicação aparentemente ridícula. Mas, para quem sai do corpo com lucidez e entra nele com consciência, sente exatamente isso: a sensação é de que entramos dentro do corpo, como se este fosse uma "luva", uma "capa", uma "roupa". Vestimos esta roupa física e usamos todos os dias. Diante disso, aparece outra questão: acabamos por acreditar que somos a "roupa".

Somos a roupa ou quem veste a roupa?

Existem duas ordens de experiências fora do corpo pouco relatadas na literatura. A primeira é o momento em que saimos do corpo; o que se passa na experiência do exato momento de sair do corpo. A segunda é o que se passa na experiência do exato momento de entrar no corpo.

Tenho tido a ajuda de meus amigos espirituais, os amparadores, de forma que possa compreender melhor o fenômeno e estuda-lo a luz da experiência direta e não da teoria. Algumas vezes no momento exato da saída, ali estava o amparador me motivando a sair do corpo, diante de mim, fazendo gestos com suas mãos me chamando para fazer a impulsão da vontade e me erguer para fora do corpo. Outras vezes não. Eu saia por vontade própria. A sensação é sempre parecida, que é a de "sair de dentro do corpo". Como que o corpo fosse, numa linguagem simples, a "roupa da alma". A experiência consciente de sair do corpo comprova para quem passa por ela, a verdade de tudo isso. Um paciente me afirmou, após sair parcialmente de seu corpo dentro de minha clínica:

"foi a experiência mais intensa que passei na minha vida. Eu estava deixando de respirar, eu estava saindo do corpo. O que é isso? O que é isso? É real isso tudo! É diferente de ler a respeito, só a experiência pode dizer. Eu achei que era simples, era leve. Mas não, é intenso, as sensações são intensas, nunca passei por nada parecido assim antes na minha vida!"

Uma vez passei por uma experiência intensa, onde minha entrada no corpo - após uma experiência fora do corpo completamente lúcida o tempo todo - se deu de forma lenta e profundamente sentida. Pude sentir o "encaixe", a acomodação do espírito no corpo. Pude sentir o exato momento em que meu espírito entrou na roupa física. A sensação é intensa. As palavras mal podem expressar o que as pessoas que saem de seus corpos vivem e sentem. Sons intensos são escutados; sensações energéticas potentes são sentidas, que vibram todo o corpo.

Sair do corpo e Voltar para ele com consciência é aprender a morrer

Quando ocorre isto, várias vezes conosco, acabamos por aprender como é morrer. O medo da morte acaba. Todas as idéias erradas sobre a morte acabam de vez. Inferno, Céu, Unir-se a Deus, o fim da consciência, a morte da alma...... e tantas outras acabam. Você sente e se vê ali, vivo, comandando outro corpo, o "corpo da alma", feito de energia luminosa branca, transparente. Parecido com o corpo usado pelo personagem de desenho aniumado, o "gasparzinho". Um corpo fluido, que atravessa paredes, fluta no espaço. Este corpo é o que mais podemos chamar de "espírito". Apesar de que o espírito é ainda o que comanda este segundo corpo.

Não interessa o que os neurologistas dizem. Não interessa o que os parapsicólogos radicais dizem, os padres ou o que os psiquiatras falam. Não importa se já te chamaram de psicótico, esquizofrênico, louco, maluco ou alucinador. O que importa é que você agora SABE pela experiência prática que você pode morrer temporariamente; saber como isto ocorre e, após, voltar para sua roupa física. Em resumo: você sabe que sobrevive.

Morrer é sair do corpo de vez e não voltar para ele.

Assim temos que morrer é sair do corpo de vez. É sair do corpo e não voltar para ele. A luva, a roupa fisica está velha ou rasgou (acidente, doenças). E o espírito não pode mais usa-la. Mas o espírito não é o corpo, ele continua vivo fora dele. Mas, se você vem saindo de seu corpo enquanto esta viva na Terra, então, quando morrer as coisas ficam mais simples. Afinal, você já apendeu ou tem experiências práticas com morrer.

Temos duas maneiras de investigar o que ocorre no pós-morte, diretamente:

1. Tirar a roupa física, sair do corpo e ver com nossos próprios olhos o que ocorre no "outro lado".
2. Lembrar nas experiências de vidas passadas quem morremos e o que ocorreu após a morte.

As duas experiências se completam. Tenho tido provas pessoas sólidas a respeito de minha existência antes de nascer. Numa delas, consegui provas documentais acerda de uma vida passada onde vivi nos EUA e era médico. Noutras se resumiram em memórias reais e vívidas de minhas vidas anteriores. A experiência fora do corpo consciente completa estas provas. Por que? Porque é uma experiência no AGORA. Não é passado, é presente. Você sai do corpo, e sente isso, e depois volta. E ainda lúcido, consegue manter-se vivo dentro de sua roupa física.

Mas agora tudo mudou: você SABE que não é sua roupa física.

Após sair de seu corpo, agora você não mais está "esquizofrênico", confundindo a realidade com a ilusão. Você sabe que não é seu corpo, você sabe que ele é a roupa de sua alma, a roupa de si mesmo. É você quem habita esta roupa, quem a utiliza todos os dias. É você quem acreditou e criou teorias para explicar seu erro de acreditar que o corpo é você mesmo. Agora, você sabe. O corpo é sua roupa. Você é o espírito que o habita. Agora você sabe que sobrevive, mesmo fora do corpo. Agora você sabe, que não é o cérebro, os neurônios e que seus problemas continuam mesmo quando morre. Sabe que as causas não são químicas e que os remédios psiquiátricos não curam sua depressão. Porque agora você sabe, que você mesmo não é seu corpo. Então, é você quem se sente deprimido e não uma química. Agora você sabe.

Este saber não é religioso ou científico. É um saber da vida. É um saber da prática. Você, por ter saido de seu corpo uma, algumas ou muitas vezes, sabe, que não é seu corpo. Se antes você se identificava 100% com ele; se antes você se achava feio, medonho ou mesmo o "rei da cocada preta" por ter este corpo, agora você sabe: você não é ele. Assim, acaba parando de perder tempo investindo tanto neste corpo, embelezando tanto ele, plastificando-o ou enchendo-o de botox, anti-rugas, etc. Você não é seu corpo. Agora você acordou da ilusão. Agora você deixou de ser "esquizofrênico".

Não acredite em nada que escrevo aqui. Experimente por si mesmo.

Este recado foi dado por Sylvan Muldoon, uma pessoa comum que passou por centenas de experiências conscientes para fora do corpo. Muldoon acreditava que somente pela experiência uma pessoa poderia ter a prova direta do que ele falava. Este príncipio hoje é a base da "ciência da experiência fora do corpo". Muitas técnicas foram expostas, mas quero passar uma em especial que tem me dado muitas experiências desta natureza. Ela é simples: começe a ficar lúcido o maior tempo possivel a partir de agora. Faça de tudo para ficar lúcido. Trabalhando, namorando, comendo......... tudo. Fique lúcido. Perceba como sua mente tende para a divagação, para as fugas do momento presente da lucidez. E se esforçe para retornar a lucidez. Afirme também: eu estou aqui, agora. E sinta isto, sinta o estado de espírito de estar lúcido. Olhe para suas mãos, observe-as como elas são. As mãos do corpo espiritual são quase brancas, então grave como é sua mão física. Porque, quando estiver fora do corpo e olhar suas mãos, vera  outras mãos e, assim, saberá estar fora do corpo.

Aplique técnicas, como a da TSGP - Técnica da Simulação Gravitacional Projetiva, que desenvolvi ao longo de anos de experiências.

O caminho é: experimente! Arrisque-se! Se eu saí e continuei vivo, você também continuará. Não tema. Tente sair do corpo quantas vezes forem necessárias.

Para que, afinal de contas, é importante sair do corpo?

1. Para você lembrar quem você é.
2. Para você se desidentificar de seu corpo (roupa) e lembrar que é o que está dentro dela.
3. Para você aprender a morrer.
4. Para você perder o medo de morrer.
5. Para você expandir sua consciência e sua vida além deste mundinho e desta vila terrestre.
6. Para você resgatar o sentido de estar viva.
7. Para você comprovar suas dúvidas sobre a espiritualidade.
8. Para você se comunicar diretamente com espíritos conhecidos ou não, dispensando o medium.
9. Para você experimentar a experiência das experiências: voar livremente no espaço.
10. Para você experimentar a segunda experiência das experiências: voar livremente no espaço e sair do planeta e avista-lo de fora.
11. Para você experimentar a terceira experiência das experiências: expandir-se flutuante no espaço cósmico e sentir-se novamente uma parte da vida, da existência.

Minha primeira experiência de tentar sair do planeta, fora do corpo.

Relato descrito no artigo científico publicado (clique aqui)

"A primeira projeção consciente resultante da aplicação dessa técnica configurou-se de forma um pouco
diferente. Autoconscientizei-me já fora do corpo, numa rua deserta, de asfalto, simplesmente estava ali e num dado momento me vi lúcido naquele ambiente. E pensei: será que estou projetado? Fiz força para volitar. Volitei. A euforia foi imediata. A sensação de êxito foi realmente impressionante. Foi então que, a saturação mental aplicada na TSGP simplesmente apareceu, ou seja, o movimento de olhar para cima e
desejar volitar rumo à exoprojeção. Eu olhei para cima, feliz, realizado e pensei é agora. Comecei a volitar para cima e voei para o alto de um prédio, passando pelos fios do poste de luz que tinha na rua deserta. Quando pousei na cobertura do prédio a sensação de liberdade foi imediata somando-se a absorção de energia que realizei durante o vôo inicial. Quando cheguei no alto do prédio, me preparei e fui, voando a
alta velocidade, atravessando as nuvens. Era noite. Fui atravessando e fui sentindo que estava saindo da Terra, me libertando do planeta e de mim mesmo, quando algo ocorreu. Senti-me espalhado pelo cosmo. No auge do vôo eu me permiti expandir-me, me abrir ao cosmo. A sensação foi de irradiação de consciência. Durou muito pouco. Perdi a consciência, retornei ao físico. Ao retornar, a sensação era critica. Estava simplesmente realizado com o experimento e com o mundo que se abriu em minha existência. Consegui. A experiência de exoprojeção seguida de alta expansão da consciência me fez pensar ter me projetado rapidamente pelo corpo mental."

Avistando o planeta Terra, fora do corpo.

Relato descrito no artigo científico publicado (clique aqui) 

"O êxito desse experimento projetivo foi também diferente do citado acima. A autoconsciência surgiu quando estava fora do planeta. Era noite, quando se vi fora do corpo, estava a Terra em meu campo de visualização, magnífica, linda. A África estando banhada pelo Sol da manhã, enquanto o Brasil dormia na escuridão da noite. Uma visão magnífica, irracional, e intraduzível em palavras. Não sei por quanto tempo permaneci observando a cena maravilhosa. O tempo não existia. Estava ali, flutuando, livre, fora do planeta e observando o belíssimo fenômeno do nascer do Sol na África. Meu amor pelo planeta e pela humanidade surgiu instantaneamente com a vivência transcendente. A sensação de ter me liberado da egrégora da Terra também foi marcante. A sensação era de ter me liberado da “panel de pressão”, do campo gravitacional e do egrégora terrestre. A liberdade, a sensação de poder ver as coisas de fora, num todo global, inundou minhas percepções instantaneamente. E a sensação interna de êxito me possibilitou autoconfiança aguda
quanto aos experimentos extracorpóreos e a possibilidade real dos contatos extraterrenos, da vida extraterrena e da natureza cósmica do ser humano. Essa vivência abriu-me ao cosmopolitismo, a percepção direta da Terra como uma pequena vila no incomensurável cosmo. Um único país. Uma única comunidade unida pelo sentido único de estarmos vivos no cosmo. Uma família global, onde todos são irmãos de evolução. Onde as religiões, as seitas, as ciências, as filosofias são aspectos superficiais do ser humano, não importando para a condição de parentesco cósmico e de família planetária que todos estão sucumbidos. Um sentido maior para a vida atravessou meu ser inteiro."

Eu me esforçei muito para passar por estas experiências. Eu me esforço desde os 9 anos de idade, data de minha primeira experiência. Hoje trabalho como Parapsicólogo e pesquisador, esforço-me diariamente para expandir minhas experiências pessoais neste sentido. Agora resta a você, esforçar-se, estudar o assunto e arriscar-se a mudar radicalmente suas percepções sobre a si mesmo, a vida e o universo. Nunca é tarde para começar. Não importa a idade que tem agora. Começe. Persista. E, colha seus resultados pessoais, frutos de seu esforço.

Ótimos experimentos!!

25.1.10

6 Desafios para a Comprovação Científica da Experiência fora do Corpo

Por Fernando Salvino, Parapsicólogo

1. É realmente difícil comprovar um fenômeno extrafísico desta natureza através de instrumentos puramente físicos baseados num modelo de ciência que opera unidimensionalmente e baseado no cerebrocentrismo . Comprovar a realidade objetiva por laboratório do Psicossoma tem sido esforço de mais de século, desde principalmente as pesquisas de Zelst e Malta até modernamente os esforços de Charles Tart . Tal esforço parece perda de tempo. As evidências mostram que é mais fácil comprovar o fenômeno pela experiência pessoal e, a partir daí, tentar induzi-lo tecnologicamente, tal como defendo a partir desta tese.


2. Os experimentos de laboratório tem sido insuficientes no sentido de comprovar a realidade do corpo objetivo, portanto, da experiência extracorpórea lúcida, de forma que preencha requisitos mais confiáveis nos experimentos projetivos. A essência da experiência extracorpórea da consciência lúcida é a subjetividade do estado de autoconsciência extrafísica. Até o momento, a hipótese de percepção extra-sensorial (ESP) tem sido evocada de forma elaborada para refutar evidências projetivas de laboratório, tal como procurou fazer Susan Blackmore.

3. A estatística e mesmo os modernos recursos da informática aplicados nas metanálises, nenhum destes métodos poderão comprovar por si só a veracidade da sobrevivência da consciência na condição de cérebro oco. O mérito de tais métodos é aumentar o percentual da evidência do fenômeno de sobrevivência pela experiência fora do corpo. Acredito que a reunião coerente e sistêmica de evidências numa abordagem fenomenológica podem dar o rumo para uma investigação realmente científica da consciência, sem preconceitos e influências de crenças religiosas e céticas.

4. A entrevista nunca poderá comprovar a veracidade da informação passada pela suposta pessoa experimentadora dos fenômenos extracorpóreos, mesmo sendo submetido, todos os relatos a rigoroso procedimento de investigação qualitativa, seja ou não através de método fenomenológico no estudo de vivências subjetivas. Por outro lado, o estudo científico de relatos, como fez de forma magistral Sylvan Muldoon, pode contribuir muito para a rede sistêmica de investigação da consciência, juntamente com outras evidências de outras áreas.

5. A autocomprovação subjetiva é nosso maior recurso nesta fase inicial de ciência.

6. Atualmente é mais fácil comprovar o Psicossoma por experimento pessoal do que pelos meios acima descritos. O problema maior parece ser a rara condição da Projeção Consciente. Existem muitos fatores que incidem na dificuldade de se alcançar tal experiência por si. Mas o fato é que é uma experiência pouco alcançada e por isso mesmo difícil de ser democratizada, como o são os sonhos, onde todos sonham.

15.1.10

O Cordão de Prata: Ensaio Geral sobre a Teoria Dinâmica

Fernando Salvino (MSc.) – Parapsicólogo


Introdução

Este ensaio inicial refere-se a estudos a respeito do cordão de prata e sua importância no entendimento da projetabilidade da consciência e, por conseguinte, na sua produção por auto-indução dentro da Projeciologia. O cordão de prata é um fenômeno parapsicológico por excelência, dentro do âmbito da extracorporeidade da consciência projetada. Acredito que o entendimento da dinâmica do cordão possa ser fator importante na produção de projeções conscientes. E neste sentido partimos de uma concepção sistêmica do cordão ultrapassando a concepção mecanicista atualmente vigente. A tese é defendida baseada na experimentação pessoal com a projeção consciente e em investigações teóricas dentro da Projeciologia e ciências afins, como a Psicobiofísica ou Psi-quântica.

1. O Cordão de Prata: uma síntese da visão de Waldo Vieira

O Cordão de Prata, pela definição de Vieira é o “laço semimaterial que mantém o psicossoma ligado ao corpo humano com uma conexão inicial no psicossoma e outra, logo depois, no soma” (p. 267). No entanto tal definição é parece-me simplista para descrever tal fenômeno que chamamos de “cordão de prata”. O autor continua dizendo que “o cordão de prata é um elemento parabiofísico, ou seja, embora de algum modo enraizado na intimidade das células físicas, transcende em suas manifestações energéticas os limites da matéria densa, ou as áreas próprias da Biologia Física, atingindo a Parabiologia” (p. 268).

O cabo magnético prateado também foi nomeado como algo parecido como o “pivô da projeção da consciência intrafísica”, tanto por Vieira como por Muldoon. No entanto é na obra de Vieira que encontramos maiores informações didáticas a respeito do elemento energético aqui abordado. Sendo o cordão de prata algo, por ser algo possui peso, volume, densidade, formato e existência própria, sendo realidade perceptível ao sensitivo ou projetor consciente quando na bilocação, como mostra a figura a seguir.

O cordão varia de pessoa a pessoa, ou seja, em espessura, diâmetros e ductos magnéticos, assim como em relação ao brilho, luminosidade, coloração prateada ou branco brilhante claro, pulsação, textura do cabo e raio de alcance de extensão quando a consciência se acha projetada pelo Psicossoma.

Por outro modo de ver, Vieira define o cordão de prata como “a reunião de cordões de prata regionais, ou minicordões de áreas específicas, seja da cabeça (paracabeça); um braço (parabraço); uma perna (paraperna); um pé (parapé); um dedo (paradedo) e outros.” (p. 269). Neste sentido, com o afastamento do Psicossoma do corpo humano “oco” o cordão torna-se cada vez mais fino e quando ultrapassa a distância de cerca de 10 metros do corpo humano, pode tornar-se invisível. Vieira continua afirmando que “partindo da suposição, evidenciada pelos fatos, de que o psicossoma é um corpo semi-material e de que o cordão de prata, substância (realidade) desconhecida para nós, é ainda mais material que o psicossoma e que, às vezes, exteriorizado junto ao corpo humano, pesa mais do que aquele, conclui-se logicamente que a sede do cordão de prata no corpo humano é intracelular” (p. 270).

2. Introdução à Teoria Dinâmica do Cordão de Prata

A Teoria Dinâmica de certa forma se opõe a Teoria Física defendida por Vieira. Na Teoria Dinâmica temos o esforço sistêmico de integrar campos interconectados como forma de chegarmos numa resultante não pertencente à soma das partes ou na análise isolada das partes constituintes do sistema. Neste sentido elaboramos um esboço sintético da Teoria Dinâmica do Cordão de Prata.

O posicionamento desta Teoria parte do modelo elaborado de forma magistral por Andrade, ou a psi-quântica. De acordo com o posicionamento de Andrade o Psicossoma é de natureza material, porém constituído por outra natureza e obedecendo outras leis físicas, ainda desconhecidas. A física do Psicossoma é diferenciada na medida em que é formado por psi-átomos ou os átomos psi, ou átomos psíquicos, sendo elementos ainda mais essenciais presentes na natureza da matéria. Dentro deste ponto de vista, o Universo é material, sendo os estados da matéria muito mais amplos e variáveis como suporiam até o momento os físicos, cosmólogos, etc. Assim, a matéria apresenta-se sob estados líquido, gasoso, sólido, rarefeito, energético (fraca, forte, eletromagnetismo e gravidade) e outros, como ectoplasma, cordão de prata, energossoma, psicossoma, etc. Os estados da matéria ou os níveis vibracionais, como poderíamos melhor chamar, clarificam nossa abordagem dinâmica de ação do cordão.

Nesta abordagem para cada psi-átomo encontra-se a contrapartida física de moléculas orgânicas, devido ao tamanho de um psi-átomo ser superior ao tamanho de um átomo físico, aquele se liga a um conjunto de átomos ou molécula(s). Assim, chegamos noutra conclusão de que o cordão de prata se liga psi-quanticamente às moléculas orgânicas e não às células sendo fenômeno essencialmente biomagnético, na resultante das conexões entre a consciência (eu) sediado no Psicossoma e o novo Soma. Expandimos a conclusão de Vieira para que nossa hipótese seja a da conexão intramolecular, devido às características próprias do modelo de psi-átomo de Andrade.

Vieira defende a hipótese de que o cordão de prata, sendo de origem intracelular, possui suas ramificações como sendo de “origem puramente físicas” (p. 270), o que discordamos. No nosso entendimento, o cordão prata é a resultante de campo das interações de ordem psi-atômico-moleculares entre o Psicossoma e o Soma e tais conexões se dão no exato momento da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, porém, o início das conexões começam antes da ressomatização ou sexualização da consciência, propriamente dita. Partimos da hipótese de que a ressonância biomagnética como resultante da aproximação (densificação) do Psicossoma da consciência ressomante (sexualizante) tem como ponto final de estruturação de campo o cordão de prata e parte do novo Energossoma.

Assim, o cordão de prata não existe por si, como elemento tal como um braço, uma perna, etc. O cordão existe enquanto fenômeno de resultante de campo, a partir das complexas interações de ordem subatômica e atômicas entre os átomos psi do Psicossoma e os átomos físicos e moléculas do Soma. Desta forma após estruturada a interconexão biomagnética (captura dos psi-átomos pelos átomos e moléculas físicas) entre o Soma e Psicossoma o cordão segue a matriz mnemônica e a cada saída para fora do corpo um novo cordão é formado. O cordão de prata nunca é o mesmo, ele sempre é a resultante ressonante do biocampo do afastamento ou aproximação do Psicossoma ao Soma. Neste sentido temos a explicação do porquê o cordão de prata é inicialmente percebido enquanto vários cordões localizados em regiões específicas do Soma que se afunilam e a certa distância aparenta localizar-se em algum tipo de interconexão com a região encefálica do Soma (sistema nervoso central).

De acordo ainda com Vieira “supõe-se, como hipótese, que a conexão do cordão de prata no corpo humano se dê pela medula oblongada e o encéfalo, talvez mantendo relação com a glândula pineal e uma série de ramificações intracelulares pelo organismo todo, não parecendo terminar na pele do indivíduo, mas dando a impressão de adentrar o corpo humano, estabelecendo ligações profundas com os centros vitais de todos os órgãos”. (p. 270). Diante desta afirmativa temos a dizer a sede do cordão de prata é “não-local”, difusa e diluída por todo o Soma, sendo uma resultante de campo que mantém sua “sede” ou local somático de aparente localização num dos chacras de maior atividade da consciência (centro propulsor de campos), podendo (hipótese) ser na região cranial (pessoas mais mentais, lúcidas, etc.), cardíaca (pessoas mais afetivas, amorosas, pouco mentais), umbilical (pessoas mais instintivas), etc. A Teoria dos Múltiplos Cérebros esclarece as hipótese em que o cordão é visto sair de chacras diferentes do frontochacra e da região encefálica.

A Teoria Dinâmica enfatiza que o cordão de prata não possui sede local de conexão, mas antes de tudo, só apresenta algum tipo de “sede” quando surge, aparece enquanto resultante de forças de campo psi-quânticas. O afastamento da consciência psicossomatizada (Psicossoma) de todo complexo sistêmico do Soma (interconexão subatômica, atômica e molecular) é o fator gerador do aparacimento do biocampo que tem como função unir os dois veículos. Imagine você que o Soma é um ímã de pólo positivo e o Psicossoma um ímã de pólo negativo. Quando em estado de co-existência ou acoplados biomagneticamente (ou no dizer de Vieira, o estado de coincidência holossomática), os ímãs estão grudados. Seus campos magnéticos estão unidos, colados. Ao afastar os ímãs, gera-se uma resultante de campo, que exerce força contrária ao afastamento, tentando mantê-los unidos. Quanto mais afastados, menor é a força do campo e chega a ser praticamente nula. O Psicossoma ao se afastar do Soma; quanto mais próximo maior é a força que incide sobre a consciência (que puxa o Psicossoma para fora do corpo); e quanto mais vai se distanciando, menor vai sendo o poder de coesão deste campo. A forma de “fio” do chamado cordão de prata é simplesmente a aparência de campo da resultante residual proveniente do afastamento biomagnético dos corpos físico e extrafísico. Imaginemos novamente um ímã. Ao afastar um pólo doutro, é sensivelmente evidenciado existir uma força ou campo que tenta manter unidos os dois pólos. Imaginemos que, ao afastar as linhas de força do campo vão ficando cada vez mais fracas e até mesmo tão fracas que não podem mais ser avistadas ou sentidas. No entanto, o campo deixou de existir? Sim e não. Sim, porque sua força não mais exerce influência, e não porque não temos como saber se pelo fato da distância anular sua influência, tal campo deixa de existir. Por outro lado, côo o sumiço do cordão de prata, ou o residual de campo resultante do afastamento do Psicossoma ao Soma, devido à distância do Psicossoma ao Soma, podemos pensar noutro tipo de conexão existente entre a consciência e o soma, que não o cordão de prata. Se o cordão de prata passa a estar invisível aos olhos do projetor, então, este pode então estar inexistente, sem compreendermos o cordão de forma sistêmica, como proponho aqui. Assim, fica a hipótese de que o que mantém o Psicossoma unido ao Soma em determinada distância não é o cordão de prata, mas um elo mais puramente psíquico e menos físico. Então falar em arrebentar o cordão, ou definir que a morte é a ruptura do cordão de prata me parece ainda uma definição um tanto mecanicista. Existe algo mais complexo que envolve o processo da desencarnação ou a projeção final da consciência. E a solução deste problema da dinâmica da morte pode estar justamente na compreensão da dinâmica da sexualização da consciência, ou renascimento.

Assim ultrapassamos a visão cartesiada e fisicalista na análise do cordão e adentramos numa visão sistêmica e integrada. Para isto temos que integrar o fenômeno da ressomatização da consciência (renascimento, reencarnação) dentro da dinâmica do cordão de prata, visto que a cada nova ressoma uma nova e poderosa interconexão biomagnética é formada entre o Psicossoma e o Soma. Expandindo a idéia, chegamos noutra definição, sendo o cordão um continuum campo organizado psicobiomagnético resultante das complexas interações dinâmicas de ordem atômico-moleculares e psi-atômicas decorrentes da aproximação/afastamento da unidade Soma-Psicossoma ou o fenômeno da experiência fora do corpo. Deste ponto de vista o cordão só existe enquanto uma resultante no relacionamento Soma-Psicossoma. Quando não aparece não podemos falar em cordão de prata. Antes de aparecer ou melhor, antes de ocorrer o afastamento dos veículos, não existe cordão algum. O que existe é sim, uma profunda conexão integral, ou diluição holográfica de todo sistema psicossomático no soma, por uma mediação do Energossoma exposto. Assim, quando no estado intrafísico a consciência não apresenta cordão de prata. O cordão de prata é um fenômeno ocorrente somente quando a consciência se acha no estado projetado.

Conclusões Finais

Este ensaio nos coloca diante de uma neo-Projeciologia ou uma Projeciologia cuja essência se dá na compreensão sistêmica do relacionamento interveicular próprio da unidade holossomática intrafísica, temporariamente inseparável, porém, projetável. O mecanicismo Projeciológico está embasado num modo de pesquisa próprio do paradigma dominante na ciência e que atravessou as mentes dos brilhantes pesquisadores, como Muldoon, Vieira e outros. Apesar de defenderem um certo sistemismo científico, usando conceitos como “holossoma”, a análise ainda permanece no território mecanicista. Obviamente as dificuldades de uma visão sistêmica da Projeciologia se dá por uma complexidade do próprio objeto de pesquisa, ou seja, neste caso presente, o cordão de prata e suas inter-relações com a unidade Soma-Psicossoma. Neste sentido a limitação paradigmática no entendimento do fenêmeno projeciológico se dá naturalmente na medida em que o mecanicismo é o modo mais simples que temos para se explicar o complexíssimo.

A Teoria Dinâmica do Holossoma e, portanto, da Projetabilidade está em passos iniciais de formação. A Física Quântica está ao nosso lado para que possamos importar conceitos, da mesma forma que um profundo estudo do modelo sistêmico mostra-se necessário tendo em vista que na realidade holossomática, o todo se expressa como uma unidade não presente na análise das partes isoladas.

Referências Bibliográficas

Muldoon, Sylvan. Projeção do Corpo Astral. Pensamento, RJ: 1966.

_____. Los Fenomenos de La Proyeccion Astral. KIER, Ar: 1969.

Salvino, Fernando. Caderno de Investigações de Experiências fora do Corpo. Acervo Pessoal.

Vieira, Waldo. Projeciologia – Panorama das Experiências da Consciência fora do Corpo Humano. IIPC, RJ: 2004.

Outros.