6.1.11

Os "espíritos" entre nós: fato, mito ou realidade?

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo, Psicoterapeuta, Conscienciólogo


No dia 06/10/2010, publiquei um artigo chamado "Histeria de Conversão, Transidentificação e Incorporação Mediúnica: Bases ao Paradiagnóstico em Parapsicologia Clínica", justamente para diferenciar e dismistificar a crença de que, todo processo psicopatológico é, ou oriundo de fatores internos (somente) ou somente externos ("espirituais"). Ontem, recebi uma questão relacionada a este artigo que achei por bem trazê-la para o esclarecimento científico ao público geral e aos leitores deste espaço. Quem me pergunta é o leitor Daymon:




Pergunta: oi, me responda uma coisa, como a razão, ou a ciência vê a questão da incorporação, espiritos que se incorporam em seres humanos, isso é fato? verdade? mito? realidade?

É importante esclarecer ao leitor mais leigo do assunto o que vem a ser "incorporação mediúnica", quando uma consciência extrafísica, também chamada de "espírito", "alma de um morto", "fantasma", "desencarnado"... usa o corpo de uma consciência intrafísica (pessoa, ser encarnado) e se manifesta: verbalmente (psicofonia) e pela escrita (psicografia), pricipalmente. Apesar da Ciência estar dividida neste campo há um bom tempo, posso dizer com relativa certeza, baseando-me em minhas experiências como pesquisador, em minhas vivências parapsíquicas de mais de 25 anos, em minhas experiências clínicas de mais de 10 anos e nas investigações mais avançadas do campo da consciência humana, na atualidade, que, de fato, temos comprovado que a "personalidade", que poderia chamar aqui de "espírito" ou "consciência":

1. Existia antes de nascer;
2. Pode, em determinadas condições, deixar o seu corpo físico e mesmo assim, permanecer lúcida fora dele, ter contatos com outras personalidades (espíritos) e após, retornar com consciência destes encontros. Alguns destes "espíritos" são aqueles apelidados de "obsessores" ou mesmo "anjos da guarda" (espíritos do bem, amparadores extrafísicos);
3. Sobrevive após a morte, mantendo a mesma personalidade e individualidade.

Portanto, a resposta à sua pergunta é: Sim, no meu ponto de vista, é um fato cientificamente e clinicamente comprovado.




Continuação: Vejo que hoje a nossa sociedade está submissa a coisas desse tipo, qualquer que seja o problema que alguém estaja passando, ou sofrendo, essa pessoas ligam isso a alguma coisa ao sobrenatural que na minha concepção é um valor que deveria ser esquecido, olha, eu nunca vi coisas, nem espiritos, mas, isso as vezes vai longe demais, esse niilismo não leva ninguém a lugar nenhum, esse valor absurdo que a nosso sociedade tem é uma praga, um cancer, um fatalidade de milênios.

Estar o fenômeno da "incorporação mediúnica" comprovado não pode nos induzir a acreditar que toda psicopatologia ou a maioria delas possui sua etiologia (causas) ancorada em fatores puramente espirituais, na ordem da obsessão e influências de espíritos. Este é o maior erro de muitas religiões, com a Espírita (apesar de Allan Kardec não apregoar tal base, na prática parece que assim tem sido praticado). Por outro lado, não podemos descartar o fato de que os "espíritos" estão entre nós o tempo todo e nos influenciam tanto para o "bem" como para o "mal" (sofrimento, psicopatologia). Mas no centro de todo processo está nossa consciência, nosso Eu. E não existe incorporação neste Eu, mas no corpo do Eu. Existe a influência na consciência através de ondas mentais (pensamentos+sentimentos+energias). E esta influência pode ser amparadora, quando este "espírito" é de nível de evolução mais adiantado (ética, benevolência, lucidez, discernimento), ou assediadora, quando a influência é intrusiva, perturbadora do equilíbrio interno. Cabe a nós conhecermos a nós mesmos para podermos discernir o que provém de nosso interior daquilo que vem do exterior de nossas consciências. Somente assim poderemos saber com que fenômeno estamos lidando. Evitaremos assim a mística e os dogmas no trato dos fatos. Veja a foto deste texto, quando ocorre uma semi-incorporação benigna visando a assistência de uma terceira pessoa, no caso, uma consciência extrafísica (espírito) na condição de paciente.


O fato de você nunca ter visto nada disso não significa que não existe. Um cego nunca viu uma pessoa, no entanto, comunica-se com ela. Você sente o vento tocando sua pele, mas nunca o viu. Você sente a energia elétrica ao tocar o dedo na tomada, mas não a vê. Você sente calor, mas não o vê. Você sente o frio do inverno, mas ele é invisível. Você sente amor, mas nunca o viu. Você sente que uma pessoa querida está triste, mas não vê a tristeza. A maioria dos fatos psíquicos são invisíveis a olho nú. A não ser ao parapsíquico que pode, em determinadas condições, ver, perceber o universo extrafísico, parapspíquico, multidimensional. E esta indivíduo dotato desta capacidade está laborialmente comprovado pelo mundo afora, desde a Metapsíquica e reconhecimento da Parapsicologia como ciência, no século passado. Da mesma forma, um sensitivo, medium ou homo sapiens parapsychicus integrage com o universo invisível e o considera existente. Existem realidades que existem independente de nossas crenças. Se você ou qualquer cientista levar esta afirmativa até as últimas consequências, muita coisa pode ser encarada de forma diferente.



Por outro lado, procede tua advertência quando afirma que vai longe demais certas coisas desta natureza. Mas, a Ciência ortodoxa também vai longe demais ao afirmar suas crenças magnas, como esta, de que o cérebro produz consciência e que a consciência deixa de existir quando ocorre a morte cerebral. As experiências de quase morte e as experiências fora do corpo, analisadas em conjunto com as experiências retrocognitivas, nos traz outra realidade, a de que a consciência além de já existir antes do cérebro, pode sair de dentro dele e mantô-lo oco ( que chamo de "teoria do cérebro oco") e ainda permanecer consciente fora dele.


A maior praga da sociedade me parece ser ainda a repressão e a imaturidade sexual. Freud inovou em sua época, quando muitos psiquistas insistiam em forçar os sintomas histéricos no campo da obsessão, do exorcismo, na influência de espíritos, acabou provando que a sexualidade estava no centro de muitas daquelas manifestações. A Psicanálise é uma resposta lúcida a isto e ainda continua sendo.


É aqui que encerro esta resposta, de que o motivo que remonta a insistência em permanecermos fixados na suposta causa "espiritual" para todos os males humanos, numa sobrenaturalização da psicopatologia, é a chaga social da imaturidade sexual. Como disse Wilhelm Reich, o maior problema humano é sexual. A neurose tornou-se uma epidemia. A impotência orgástica tornou-se o centro de todo processo neurótico da modernidade. E no centro da impotência orgástica está a incapacidade da entrega ao amor.


Se existe, pois, uma etiologia justa e nuclear para toda a ampla gama de psicopatologia podemos remontar na incapacidade que o ser humano tem de amar a si e ao próximo. Eis um postulado científico e clínico justo e coerente. E esta incapacidade atravessa os séculos, as vidas anteriores e se não resolvermos este dilema o mais rápido, permanecerá como herança para nossas próximas existências.