19.9.11

Sexometria e Dessexualização Permanente: Sobre o Fundamento Sexométrico da Teoria da Consciência Livre ou Espírito Puro (moksha)

O orgasmo cósmico da cosmoconsciência.
Por Dr. Fernando Salvino (MSc.)
Parapsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo



Na proposta da Sexometria ressurge o pensamento de Confúcio, quando disse: “estou para ver um homem que ame mais a virtude do que a beleza feminina”. A recíproca parece ser verdadeira, no sentido de estarmos para ver uma mulher que ame mais a virtude do que a “beleza” masculina.

Assim, enquanto uma consciência estiver colocando diante de si a valorização da beleza, relativa neste caso ao corpo e ao sexo tão somente - tanto feminina quanto masculina - sobre a virtude, então, podemos vislumbrar relacionamentos pertencentes à zona de transição para baixo.

A aresta poligâmica é proporcional a este desequilíbrio. Quanto maior for à predominância das questões relativas ao sexo/sexualidade sobre a virtude, maior será a aresta poligâmica e, portanto, distúrbios no relacionamento. É necessário colocar aqui que nem todas as pessoas se preocupam com esta incongruência entre a virtude e a pulsão. A virtude não é o superego freudiano, mas, o caminho da benevolência, que inclui uma série de atitudes, incluindo a coerência, o dar o melhor de si e o “ame seus semelhantes”. A incongruência entre a PSS e VIR evidenciam a incoerência interna da consciência que caminha para duas direções simultaneamente. A Virtude está para Tao, assim como Tao está para o Caminho. Caminho e Virtude são realidades, daí sim, interconectadas e interdependentes.

Assim, temos que, quanto maior é a PSS sobre a VIR, maior é a AP.

PSS > VIR > AP
PSS: pulsões sexuais/sexualidade/desejo sexual/sexo
VIR: virtude
AP: aresta poligâmica

Diante do fato de ser a pulsão sexual básica, de natureza poligâmica, biológica e socialmente evidenciada, assim, cabe a outra instância da consciência dar direção correta a esta pulsão. Esta instância é a virtude, o campo superior do discernimento que se manifesta como a priorização de escolhas lúcidas, cujo amor, o respeito, o dar o melhor de si, o usar-se como medida para o “julgamento” alheio, o colocar o “coração” como o centro do discernimento e orientação, o “não impor ao outro aquilo que não farias para si mesmo” e assim por diante. Estes norteamentos dão corpo à Virtude, enquanto orientação cósmica da evolução da consciência, o Tao da Evolução.

A superação do nível da Zona de Transição, onde a maioria de nós se encontra - visto que a virtude e as pulsões sexuais encontram-se em tensão crônica, onde o desejo aponta para uma direção e a virtude para outra, onde ocorre a priorização da primeira em detrimento da segunda, que acaba sendo uma castração necessária em prol do princípio “que aconteça o melhor para todos”, atitude anti-egoísta e mais universalista – ocorre a partir da atitude de sincronia com o campo da benevolência, a generosidade por excelência, o respeito por si e pelo outro, a amorosidade na prática sincera dos atos intencionais da consciência. O resultado desta tensão é, obviamente, dentre tantos sintomas: angústia, ansiedade e culpa.

Sobre a relação entre o trinômio angústia-ansiedade-culpa e a Zona de Transição.

A Zona de Transição é a zona da culpa, da angústia e da ansiedade, tal como classifica Freud na categoria das neuroses. Este trinômio se dá como disse acima, pela tensão entre PSS e SPE (superego, ou supereu). Quero trazer aqui que a tensão é mais profunda, pois aspectos do SPE pertencem a VIR (Virtude) e, sendo virtude, caracteriza-se como Caminho natural da evolução da consciência, como o é a prática do amor puro, do perdão, das reconciliações, e assim por diante. Então, a tensão entre PSS e VIR evidenciam a relutância do ser em não posicionar-se no Caminho. O Caminho é o Tao de cada um, enquanto o centro, o eixo interno que se manifesta como o Eixo cósmico comum da totalidade indivisa (holomovimento), que a cada passo da existência torna-se mais sincrônico com a ordem cósmica maior, inteligente e benevolente por excelência. Não se trata de Deus, mas do fundamento mesmo de Deus, do que o possibilita existir e ao mesmo tempo não-existir. É o Deus-Não-Deus do Cosmos: é o que possibilita o SER e o NADA, o EXISTIR e o não-EXISTIR. Pertence pois à Transciência.

A transcendência da Zona de Transição se dá progressivamente conforme a pessoa coloca como valor maior a VIR sobre tudo o mais. Assim, a própria prática, conhecimento, trabalho sobre e reflexão acerca da VIR torna-se o Caminho pessoal e intransferível de cada um de nós pelo Universo, sem começo, sem fim.

E esta prática vai tornando a vida desta pessoa mais liberta do trinômio angústia-ansiedade-culpa libertando-a para uma vida gradualmente mais madura afetiva e sexualmente. No entanto o processo parece oscilante. Não consigo ver evolução da consciência sem uma correspondente evolutiva no âmbito sexual e da sexualidade. É aqui que ocorre uma junção, aparentemente estranha, dos pressupostos da Psicanálise e outras áreas que se debruçaram sobre a sexualidade, sobre com as pesquisas avançadas da consciência multidimensional.

Se numa relação, a pulsão sexual-sexualidade (PSS) está acima da Virtude (VIR), então, diante da primeira crise ou diante de novas PSS mais atrativas um dos parceiros se vê diante da abertura da aresta poligâmica, que, conforme já classifiquei, embora introdutoriamente, pode se manifestar ou pelas vias de fato, aqui ou na dimensão extrafísica, ou através de sonhos ou devaneios de natureza sexual-sexualidade, esboçando a vida, neste último caso, de poligamia oculta e, no primeiro, de poligamia expressa. A monogamia sexual enquanto referência de maturidade afexual humana, quando natural e escolhida pelo discernimento, sem esforço ou pressão de moralismos repressores, coloca a poligamia assistencial como a referência mais ampla e cosmoética da assistência, transcendendo a promiscuidade. As leis biológicas parecem blindar a promiscuidade e o sexo como fundamento dos relacionamentos. Senão vejamos o alto grau de doenças venéreas que impedem das pessoas se associarem livremente uns com os outros sem proteção e cuidados. HIV, HPV e as demais doenças parecem apontar como sistemas biológicos de amparo à promiscuidade humana e apoio às relações ancoradas pelo fraternismo. O próprio incesto é blindado pela Biologia como atitude que poderá acarretar problemas genéticos caso houver filhos da relação. Os efeitos colaterais da pílula anticoncepcional e, ao contrário, a facilidade em controlar a gravidez, faz com que mais e mais mulheres e homens se aventurem livremente e acabem contraindo doenças venéreas por aí afora, colocando em risco a vida de seus cônjuges, futuros parceiros e mesmo filhos. Chamadas de DST – doenças sexualmente transmissíveis, torna as relações mais delicadas, mais necessitadas de escolhas conscientes do parceiro, indo além da beleza e aparência. Por outro lado, depoimentos por aí afora colocam que é comum ainda hoje em dia, apesar do esclarecimento em massa, pessoas terem relações sexuais com prostitutas sem qualquer proteção, configurando prática de tentativa de suicídio, em médio e longo prazo.

A blindagem biológica quanto ao comportamento promíscuo humano - porque o comportamento promiscuo dos cães, por exemplo, não apresenta inconvenientes – caracteriza-se como algo anti-biológico, e leva a espécie a sua dizimação e contaminação. Se a PSS é poligâmica e se não gerenciada pelo discernimento maior, leva a pessoa a uma vida promíscua, colocando assim, em risco a sociedade com as DSTs, assim nos resta aprender o sentido da sexualidade e suas relações com a evolução da consciência. Prefiro dizer que a PSS básica é poligâmica, mas não sexual restritamente falando. Ela é poligâmica sexualmente falando numa direção de fraternismo, de assistência coletiva, de uma rede de pessoas ligadas umas as outras por laços fraternos. E sendo o renascimento ou reencarnação um fenômeno também de ordem da ressexualização da consciência, qualquer relacionamento é, em grande medida, relacionamento sexual. E isto não apresenta problema quando a forma como os relacionamentos são estruturados a partir de laços de fraternidade, transcendendo o desvio da PSS para a promiscuidade. Por outro lado, parece natural que pelo ponto de vista darwinista básico, haja uma seleção da espécie mantendo os mais aptos vivos e os menos aptos fora do planeta. Isso explica a PSS desviada para a promiscuidade, a imensa contaminação social e os desencarnes relacionados a isso, como forma de manutenção da homeostase ecológica do planeta.

Por outro lado, como disse acima, existe uma lógica de ser PSS poligâmica, devido a natureza mesma da VIR. Se a pessoa consegue deslocar sua PSS para o campo universalista da assistência mais fraterna, então, ocorre uma maturação da PSS, em direção do que posso aqui chamar de Fenômeno da Assistencialização da Pulsão Sexual-Sexualidade. Assim, podemos vislumbrar uma unificação entre a sexualidade e a evolução da consciência.

Sobre o Fenômeno da Assistencialização da Pulsão Sexual-Sexualidade (FAPSS).

O FAPSS significa que a pessoa está trilhando um caminho de reversão da função da PSS, básica, poligamicamente estruturada para o sexo, a procriação, proliferação da espécie, promiscuidade, assim por diante, como forma de manter a homeostase e a sobrevivência dos mais aptos no planeta. Esta reversão se dá pela abertura da aresta poligâmico-fraterna, ao invés da aresta poligâmico-sexual. Esta abertura fraterniza o centro de consciência, equilibrando as energias, inclusive gerando saciedade afetivo-sexual reversa. Tal fato evidencia algumas pessoas da humanidade que adotam o celibato (no sentido de não ter relações sexuais) não por opção castradora e anti-evolutiva, repressiva, religiosamente imposta e anti-natural, mas por opção lúcida e natural da reversão poligâmico-fraterna progressiva, direcionando toda a energia, incluindo a sexual já amadurecida, para a assistência em larga escala, através do cultivo do amor puro amplo e universal. É o cultivo da pura espiritualidade sem hipocrisia. Tal processo progressivo de amadurecimento gera a transcendência da existência de casais monogâmicos sexualmente estruturados para a reversão completa da PSS (FAPSS) em direção ao maxifraternismo vivido.

Assim, como hipótese, nos níveis mais elevados da Escala Sexométrica temos a ausência de dupla evolutiva e de sexo, cujo sintoma básico da maturação da PSS se manifesta pela assistencialização integral de toda energia consciencial em prol do bem estar de todos. Quando uma consciência encontra-se neste grau evolutivo, podemos dizer que está terminando os ciclos de ressexualizações (renascimento) e dessexualizações (morte), e migrando para a condição de espírito puro ou consciex livre (moksha): consciência pura, sem sexo. Este fato pode ser comprovado pelo contato com os amparadores mais evoluídos, que manifestam uma aparência assexuada, sem pender para a energia masculina ou feminina; é algo neutro, equilibrado, as energias yin e yang mais ajustadas e harmônicas, serenas e fraternas num nível agudo.

Desta forma, podemos vislumbrar a unificação, embora preliminar, da evolução da consciência com o sexo/sexualidade. O sexo/sexualidade impõe que precisamos de um “outro” para nos satisfazer, nesta condição natural anti-egoísta, tirando-nos do isolamento. Mas, em dado momento, tal pulsão torna-se puro egoísmo quando podemos fazer contínuas reversões da PSS em prol do bem estar dos demais, ao invés de priorizar a satisfação da pulsão somente pela via sexual, o que gera a promiscuidade e os desastres dos relacionamentos.

Esta serenização consciencial íntima pacifica a energia geral, a consciência, a mente, os pensamentos e sentimentos e atitudes, os chacras e os colocam em harmonia, diminuindo a ansiedade sexual e aumentando a saciedade evolutiva geral. Um dos métodos mais eficientes para iniciarmos esta reversão é o voluntariado em alguma área libertária das consciências e a prática integral de assistências às pessoas, onde podemos aprender a olhar e nos relacionar com os outros a partir do nível do fraternismo (corono-fronto-cardio-chacra) e não do sexo (sexochacra).

Sobre as Zonas de Holomaturidade Afetivo-Sexual

Adiante da Zona de Transição, temos a Zona de Holomaturidade Afexual, donde se divide em duas micro-zonas. A primeira é a zona da saúde afetivo-sexual contínua, destituída de quaisquer carências desta natureza. Aqui necessariamente os parceiros deste relacionamento realizam a reversão consciente continuamente, a não colocam a PSS como ponto central, mas a VIR, na prática de alguma tarefa assistencial libertária. Ocorre sexo, vida sexual e sexualidade em altíssimo nível, provavelmente, incompreensível para nós, mas a relação está ancorada noutro eixo: o amor puro e a assistência às pessoas e ao cosmos, numa ligação consciente com a vida e a existência maior em alto nível. Não existem notícias destes casais nos jornais e revistas. São os casais que inspiram os filmes e ficções em relacionamentos.

Mais para frente, temos a zona da holossaúde afexual (afetivo-sexual), donde inexistem relações conjugais tal como a conhecemos. Aqui ocorre a reversão profunda que pode ser classificada em 3 graus de profundidade:

1. reversão moderada, onde a consciência ainda está se acostumando com a vida livre da PSS e totalmente revertida e assistencializada para um raio universalista de alta amplitude.

2. reversão alta, onde a consciência está acostumada com a vida livre da PSS e diante da reversão completa prepara-se para a total transcendência da dimensão humana ou sexualizada. A consciência neste degrau evolutivo prepara-se para tua total dessexualização ou estado de dessexualização completa. Nesta condição as expansões universalistas das tarefas assistenciais libertárias se intensificam e o grau evolutivo associa-se aos serenões.

3. reversão final, quando a consciência está no exato momento da evolução da consciência em que se dessexualiza integralmente, vivendo tão somente como uma consciência livre de qualquer referência de forma e tempo, próprio da condição sexualizada do espírito.

Assim podemos situar, mesmo que ainda introdutoriamente, a relação direta entre amadurecimento sexual e evolução da consciência. Assim temos o princípio de que:

Quanto mais evoluída é a consciência mais transexuada (no sentido de ter ido além do sexo) ela é e; por conseguinte, e naturalmente, mais amorosa, cosmoética, fraterna, benevolente, serena e harmônica cosmicamente ela se manifesta em altíssimo nível de discernimento e amorosidade hiperlúcida. Não por repressão, mas por transcendência natural da evolução, por não precisar mais da sexualidade para evoluir, de corpo, forma e espaço, e por tê-la dispensado e transcendido-a lucidamente em prol da evolução de si e de todos. Os orgamos aqui são cósmicos, produtos das projeções avançadas de mentalsoma, com a consciência livre, expandida omnidirecionalmente, irradiada cosmicamente pelo universo, espalhada e diluida, transcendendo a experiência restrita do orgasmo sexual, pertencente aos níveis abaixo da escala sexométrica. O sexo, se podemos assim chamar, aqui é com o cosmos, numa experiência de unicidade com a existência e com a Vida em sentido profundo e incompreensível para nós. Sua vida sexual e amorosa é com o Universo, num "casamento" permanente com o cosmos. Assim, as experiências parapsíquicas colocam o prazer transcendente como o orgasmo maior ao nosso alcance, além daquele obtivo pela via da relação sexual. O prazer aqui é amplo, profundo e adentra nas profundezas da estrutura psíquica da consciência inteira. Atravessa não somente as células, mas todos os psicons, as partículas mais elementares do self. Quando a consciência ultrapassa ainda esta fronteira, ela não mais se sexualiza, torna-se um centro de amor puro hiperlúcido. Ela está livre, vivendo tão somente no ser.



Um comentário:

  1. Muito interessante a relaçao que estabelece entre a necessidade de sexo e evoluçao.
    Abraço
    Guilherme Eduardo Kilian

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