22.6.18

O Universo Psi-Matemático de Sarti [Ao meu grande irmão e amigo Geraldo Sarti (in memoriam)]

Por Salvino (como Sarti me chamava).


Em meados de 2010 durante uma investigação onde desenvolvíamos, eu e o parapsicólogo Guilherme Kilian, a hipótese do Projeciotron, ou a indução mecânica de experiência fora do corpo, conhecemos Sarti.

A pesquisa no google levou-me ao site www.parapsicologia-rj.com.br, e o contatei. A intenção era integrar um parapsicólogo com conhecimento em matemática, engenharia e principalmente física, de forma a dialogarmos sobre a hipótese dos ciclos de varredura de especto e a câmara de indução mecânica da descoincidência holosomática e assim, a projeção para fora do corpo por ação mecânica.

Sarti, nos recebeu de forma extremamente receptiva o que resultou em anos de diálogos por skype e por email, e em contato pessoal aqui em Joinville/SC.

O seu temperamento bem humorado, sarcástico e ao mesmo tempo fiel, e uma das mentes mais complexas que pude conhecer nessa vida. Os diálogos transitavam pela física moderna, psicobiofísica, cosmologia e uma matemática parapsicológica complexa, a tese dos psicons, e suas relações com a experimentação extracorpórea que desde criança tive e com a ampla fenomenologia psi.

Do interesse no Projeciotron adentramos num universo abstrato da matemática parapsicológica, de uma espécie de parafísica, de uma hiperfísica, capaz de integrar a inteligência até mesmo ao fenômeno da força gravitacional. Foi Sarti que chamou o primeiro experimento de retrocognição de laboratório que realizamos de Experimento Salvino-Kilian, cujo experimento posteriormente originou o LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yôga.

O Experimento Salvino-Kilian foi para Sarti a comprovação experimental da tese de psicons conjuntamente com a fenomenologia extracorpórea que relatava a Sarti e ele, genialmente, traduzia em formulas matemáticas. Ele me dizia: esta tudo demonstrado matematicamente.

O universo matemático de Sarti foi para mim um mergulho no buraco negro. Da mesma forma que para ele nosso experimento validou sua tese, a sua tese foi para nós a mais complexa demonstração matemática e lógica da não-localidade da inteligência. Psicons, unidade fundamental da inteligência, componente transcendental do cosmos. Tudo isto era a mais empolgante viagem. Unir todos os nossos experimentos e vivência, com o universo matemático.

Nossas reuniões eram verdadeiros mergulhos no hiperespaço, no hipertempo, na transcendência do espaço-tempo, até a abstração da natureza da inteligência em sua expressão como psicon, atravessando a ampla fenomenologia parapsicológica. Conversávamos por telefone quase que semanalmente. Reuniões em videoconferência pelo skype, email... Ele submetia seus artigos para lermos antes de publicar. Ele queria saber nossa posição, sobre sua tese. Creio que foi a primeira vez que realmente pesquisadores penetraram na contribuição que Sarti deixou a Parapsicologia.

Neste meio tempo, Sarti veio ao Instituto de Parapsicologia em Joinville ministrar Palestra sobre psicons, e de fato, nenhum parapsicólogo ali presente compreendeu sua tese. Fui chamado a dar outra palestra para esclarecer a tese do psicons, numa linguagem acessível a comunidade. A complexidade de sua forma de comunicação, a mente de Sarti era uma explosão de massa coronal. Cada explosão vinha um novo enunciado matemático, onde associava até com os saberes do tzolkin Maia, a codificação galáctica.

Foi um período de fecunda investigação. Palavras são alcançam esse período de dialogos e aprendizados que tivemos nós três, eu, Guilherme Kilian e Geraldo Sarti.

E com orgulho posso dizer que conheci um parapsicólogo de verdade e que me ensinou mesmo se desejar ensinar isto, a posicionar-me de forma ainda mais autêntica a respeito de minhas teses e experiências pessoais no campo da fenomenologia parapsicológica.

E também, com toda a gratidão sincera que sinto por meu amigo e irmão, que agradeço ter nos formado parapsicólogo ao longo dos anos que estivemos em contato semanal, que foi um verdadeiro curso particular de parapsicologia, onde ensinou-nos a sua tese do psicons, sobre a parapsicologia de forma geral, cosmologia, física, psicanálise, etc.

E certamente ao despertar em sua agora realidade extrafisica, após a desativação de seu corpo, comprovará a sua tese do link e deslink, psicons e tudo o mais, ao realizar suas viagens projetivas em corpo mental (psicon).

Onde você estiver grande amigo, paz e luz e aquele nosso abraço psicônico!

Salvino.

12.6.18

Sobre a Polêmica Questão das Escolas de Parapsicologia e o Futuro da Parapsicologia

EQM
Experiência de Quase Morte
Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo (FEBRAP/ABRAP/IPCM/ABPCM)
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta
Coord. LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yôga (Projeto Amanhecer/HU/UFSC)
Projeciólogo e Conscienciólogo independente.
Bel. Direito (Univali); Esp. Educação (Udesc); Mestre em Educação (UFSC).


"A Parapsicologia é a Metapsicologia, a Super-psicologia, a Hiper-psicologia, a mais ampla, a que investiga psi além do normal, do comum, do convencional, do estabelecido rumo a uma nova visão 
cosmológica: a Holocosmologia" 
Fernando Salvino.



A Parapsicologia como toda ciência que se fundamenta na ampla liberdade de manifestação intelectual, científica e livre de censura ou licença, acaba se dissolvendo em várias “Escolas” ou linhas, cada qual com um determinado paradigma e, como a Psicologia, seguindo determinado autor central ou autores.

E sabendo também que toda classificação é até certo ponto dogmática, então peço ao leitor que pondere o texto e relativize o máximo que puder, considerando tal classificação somente um esboço didático para entendermos a multiplicidade da Parapsicologia, tais como:

1. Escola Católica: pode ser considerada a Parapsicologia com muita influência religiosa cristã, católica e que não considera a função psi-theta e psi-ómicron, ficando somente no terreno seguro dos fenômenos mentais físicos. É o caso trabalho do Padre Oscar Quevedo. Devido a contaminação da religião nas pesquisas e dados, teorias e hipóteses que visam explicar os milagres e outros fenômenos tratados pelo catolicismo, até mesmos os “Santos”, a Parapsicologia católica é tendenciosa e não apregoa pela cientificidade predominante, mantendo-se mais fiel a negação e refutação de psi-theta do que a pesquisas propriamente ditas.

2. Escola Espírita: pode ser considerada a Parapsicologia com muita influência da doutrina de Allan Kardec, cujas pesquisas servem em muito para dar espécie de cientificidade à doutrina. Como as pesquisas de Kardec foram em número pequeno, pela seu pouco tempo de envolvimento com a pesquisa, pesquisadores espíritas querem mais embasamento científico, mais provas, como ocorreu com Hernani Guimarães Andrade, que usou o método do médico e parapsicólogo Ian Stevenson no estudo científico da reencarnação em crianças, aqui no Brasil. A tradução de obras parapsicológicas para a língua portuguesa também sofreu a manipulação de alguns espíritas que por exemplo, traduziram a palavra inglesa mind por espírito. O livro de Louise Rhine, por exemplo, deveria se chamar “Canais Ocultos da Mente”, mas acabou por ser traduzido por “Canais Ocultos do Espírito”, puxando para o lado do Espiritismo. A ênfase na mediunidade e no evangelho, sem qualquer questionamento quanto ao tal ensino universal dos espíritos (hipótese de Kardec quanto ao conteúdo comunicado pelos espíritos comunicantes da obra “O Livro dos Espíritos”) colocam a pesquisa espírita limitada aos dogmas kardecistas.

3. Escola Psicológica: é a Parapsicologia que estuda os fenômenos parapsicológicos numa ótica cerebral, da mente fisiológica, sem levar em conta as vidas anteriores (função psi-gama: retrocognição) e as possibilidades psi-theta (relativas à sobrevivência) e mesmo as projeções conscientes para fora do corpo. É representado pelo seu propositor Pedro Grisa, no IPAPPI – Instituto de Parapsicologia e Potencial Psíquico e mesmo Psicólogos Ortodoxos. Aqui ocorre um problema, visto que esta Parapsicologia parece na verdade uma “Psicologia Paranormal”, e não uma Parapsicologia, podendo ser classificada como um tipo de escola anomalística. Pois não é porque se debruça sobre os potenciais da mente e de supostos fenômenos assim ditos paranormais que se trata de uma Parapsicologia. A própria psiquiatria considera tais fenômenos manifestações de transtornos mentais.

4. Escola Anomalística: é a chamada Pesquisa Psi, e visa estudar os fenômenos não parapsicológicos, mas os considerados anômalos. Psicólogos envolvidos no Brasil, Wellington Zangari (USP – Laboratório de Psicologia Anomalística) e, Argentina, Alejandro Parra (Instituto de Psicologia Paranormal). De fato não é Parapsicologia e, sim, um campo da Psicologia dedicado ao estudo convencional dos fenômenos que consideramos parapsicológicos, e que consideram, anômalos.

5. Escola Cética: é a que nega as funções psi, reduzindo-os aos seus fenômenos puramente cerebrais e disfuncionais. Esta escola é talvez a mais radical e religiosa existente. Representam esta escola parapsicólogos tal como: Suzan Blackmore.

6. Escola Transpessoal: é a chamada Psicologia Transpessoal, que é em grande parte uma Parapsicologia que surge da Psicologia, a partir dos trabalhos de Maslow e Stanislav Grof, com as pesquisas com o LSD e Respiração Holotrópica.

7. Escola Conscienciológica: é a chamada Conscienciologia, apresentada por Waldo Vieira, dentro do paradigma por ele definido e baseado em suas obras básicas. Ex-espírita, Waldo Vieira compõe um movimento similar ao movimento espírita, com suas obras básicas e milhares de seguidores pelo planeta. Apesar de fazerem pesquisas, suas pesquisas também tem uma intenção parecida com a pesquisa espírita, a de fundamentar as teses de Vieira, visto que a maioria dos pesquisadores não têm experiências suficientes para argumentar contra ou a favor das obras básicas de Vieira. Esta escola é centrada em Waldo Vieira e como o espiritismo apresenta traços religiosos e científicos nas pesquisas. É um conscienciologismo ou vieirismo.

8. Escola Clínico-Científica: é a escola fundada por Eliezer Mendes, médico, fundador da Parapsicologia Clínica. Embora não sendo espírita, acabou por fundamentar sua Parapsicologia numa abordagem experimental, com equipes de sensitivos treinados e evidenciou vários fenômenos parapsicológicos, e usava as funções psi com finalidade terapêutica. Sua escola é essencialmente científica e clínica, muito embora venha a estudar paralelamente religiões associadas ao curandeirismo e assim por diante. Tem suas bases em Mesmer (no uso da mesmerização e magnetização animal), em Breuer, Freud e cia (no uso da hipnose), e no uso das funções psi (nas transidentificações, etc).

9. Escola Científica Ortodoxa: é a escola assim denominada científica e reconhecida mundialmente e mesmo a partir de algumas instituições, como a PA – Parapsychological Association e Rhine Research Center (Rhine), SPR – Society for Psychical Research (Myers, Lodge, Carrington e cia), Instituto de Metapsíquica (Charles Richet), etc. Aqui temos os pesados Journals da SPR, da PA, do Rhine Research Center e assim por diante. Junto com isto temos a biblioteca de artigos científicos indexados compondo as principais instituições científicas parapsicológicas do mundo. O trabalho destas instituições está na escala dos mais ortodoxos, com raízes acadêmicas, incluindo o Laboratório de Parapsicologia da Duke University e tantos outros laboratórios por várias universidades do mundo.

10. Escola Projeciológica: pode ser chamada de escola, e foi fundada pelo metapsiquista e projetor consciente Sylvan Muldoon, em 1929, o qual inaugurou a ciência que seria chamada futuramente (em 1979) de Projeciologia, por médico, parapsicólogo e então espírita e membro da ABRAP – Associação Brasileira de Parapsicologia, Waldo Vieira. O IIPC – Instituto Internacional de Projeciologia e COnscienciologia é, em tese, a instituição científica da área, porém não é. O IIPC não faz mais pesquisas, ficando tão somente ao cargo do CEAEC – Centro de Altos Estudos da Conscienciologia, e sua Revista Conscientia, onde se publicam artigos. Aqui os fenômenos parapsicológicos estão atrelados aos fenômenos relativos à projetabilidade e descoincidência dos corpos. Nesta escola temos os vários e vários cientistas da Projeciologia, cada qual em seu canto investigativo, publicando achados, compartilhando vivências extracorpóreas e realizando as pesquisas de campo e mesmo as exploratórias pela internet. Para Vieira, a escola projeciológica está associada à conscienciologia. Para Muldoon, à metapsíquica, ou atualmente, a Parapsicologia.

11. Escolas Alternativas: são os parapsicólogos que misturam as práticas do Sufismo, Taoismo, Xintoismo, Jainismo, Budismo, Yôga, Ocultismo, Teosofia, Antroposofia, Xamanismo, Numerologia, Cabalismo, Esoterismo (incensos, talismãs, pedras, patuás, colares, anéis, rituais, magias, tarot, i ching, etc) com pouco ou sem critério de cientificidade e uma integração científica coerente e descontaminada do misticismo e religiosidade. Lembramos aqui que a Parapsicologia é uma ciência e não religião, seita, esoterismo, etc. A parapsicologia dá ênfase à consciência e seus poderes mais transcendentes e não transfere tais poderes a objetos inanimados. Aqui estão os Parapsicólogos que importam modelos das linhas do saber acima sem averiguação científica, sem testes de modelos, sem experimentações, sem cientificidade. De fato, esta escola não pode ser considerada Parapsicologia e sim uma reunião de saberes coletados sem pesquisa científica e sistematizados com pouca coerência e apresentados ao público como sendo Parapsicologia. É esta Parapsicologia que consta no CBO – Código Brasileiro de Ocupações, no Brasil, infelizmente.

12. Escolas Orientais: são pesquisadores que não se denominaram e nem se denominam parapsicólogos, porém, pesquisam cientificamente campos associados à Parapsicologia, como os praticantes e estudiosos do Qi Gong, Tai Chi Chuan, Nei-Dan, Yôga, e os conhecimentos antigos passados de geração a geração do Exorcismo Taoista e de toda uma ciência (embora com aspectos "mágicos") para lidar com espíritos, entidades e a própria evolução pessoal através do autodesenvolvimento da função psi. Variados fenômenos são encontrados na casuística oriental, como casos de reencarnação, levitação, fenômenos da ordem da energia (Qi), dentre outros.

13. Escola Ufológica: é a que se dedica a relação entre fenômenos ufológicos com parapsicológicos, como no uso de hipnose para a regressão de casos de abdução alienígena e de avistamentos de UFOs, ou nas tentativas, por exemplo, do General Uchoa em estabelecer contato telepático com aliens, até os supostos contatos de canalização com o suposto Comando Ashtar Sheran, Fraternidade Branca e supostos mediuns que dizem canalizar aliens ao vivo e inclusive dão palestras aos terráqueos (Mônica Medeiros e Gilberto Pinheiro, por exemplo).

14. Escola Holística ou Integral: é a escola que necessita surgir, de natureza científica e clínica, porém, de paradigma mais extenso, aberto, transdisciplinar, visa a inclusão e interligação das várias Escolas de Parapsicologia e demais ramos da ciência num sistema coerente, integrativo, unificado.


Em resumo, estamos longe ainda de uma Parapsicologia sistematizada e coerente. Estamos diante do mesmo problema da Psicologia, pulverizada por várias e várias escolas, de Freud a Pavlov. Porém uma luz no túnel parece surgir com iniciativas como a Psi Encyclopedia (clique aqui), cujo trato amplo da Parapsicologia ou Pesquisa Psíquica está retornando ao campo científico. Acredito que o próximo passo será a inclusão coerente da pesquisa psíquica já feita na Índia e China, com as práticas de deflagração de funções psi através do Yôga, Qi Gong, Tai Chi Chuan e mesmo outras práticas. Esta é a proposta do LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yôga, na fusão coerente dos saberes orientais, indígenas com as modernas investigações da consciência associadas a autoexperimentação parapsíquica e meditativa e autoconhecimento. É inevitável que os Parapsicólogos comecem eles mesmos a experimentarem, a fazerem de si mesmos cobaias de autoexperimentos no campo parapsicológico, para conhecerem os fenômenos vivencialmente. As caracteristicas da imprevisibilidade do fenômeno psi é relativa e a prática de Yôga e Qi Gong por exemplo, demonstram isso. É possível induzir e vivenciar. A meditação profunda, seja indiana ou chinesa, também induzem psi. E psi é algo natural para as linhas orientais citadas, inerente.

O preconceito e a ignorância pela falta de informação e vivência produz as diversas linhas da Parapsicologia.

Algumas iniciativas interessantes:

Internacional Journal of Yoga - Philosophy, Psychology and Parapsychology (clique aqui)
Psi Research in China (clique aqui).

A Parapsicologia é a Metapsicologia, a Super-psicologia, a mais ampla, a que investiga psi além do normal, do comum, do convencional, do estabelecido.


Esclarecimentos Gerais Sobre o Objeto de Pesquisa em Parapsicologia

Projeção Lúcida da Consciência
para fora da Terra
Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo (FEBRAP/ABRAP/IPCM/ABPCM)
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta
Coord. LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yôga (Projeto Amanhecer/HU/UFSC)
Bel. Direito (Univali); Esp. Educação (Udesc); Mestre em Educação (UFSC).



I - Das Considerações Iniciais

O objeto em ciência é tudo que está diante do sujeito de conhecimento. Este é o significado mesmo da palavra objeto (o que se posta diante do sujeito, o que não é o sujeito).

Em Parapsicologia temos que o objeto mesmo desta ciência é a consciência, quando no estado parapsíquico de consciência. Mas o que é este estado? Existe consciência fora de algum estado parapsíquico? A própria condição de estarmos movendo nosso corpo não seria um fenômeno psi kapa? Falando? Mas como estudar a própria consciência? Eis o desafio máximo da Parapsicologia em toda sua condição de ciência atualmente livre da tendência dogmática em institucionalizarmos verdades.

O estado parapsíquico de consciência pode ser definido, em sentido estrito, como a condição de estado objetivo e subjetivo não-ordinário de consciência (além do “normal”, daí para-normal) que compõe a ampla gama de fenômenos considerados paranormais, incomuns, anômalos, parapsíquicos, mediúnicos, extrassensoriais, espirituais, etc. Em sentido amplo, é a própria ligação da inteligência com o veículo, na ação psicocinética e sempre parapsíquica de tudo o que diz respeito a si mesmo. Neste ultimo sentido, o si mesmo transcendental, o sujeito por trás da ciência, se manifesta parapsicologicamente e não psicologicamente. Partiremos do axioma.

A consciência é realidade móvel, essencialmente projetiva e neste ponto, dependente de corpos para se manifestar e cujo movimento destes corpos está intimamente relacionado a ampla gama de fenômenos assim considerados parapsicológicos. O entendimento da Projeciologia é para mim, a chave para o entendimento da Parapsicologia. Em seu sentido amplo, a Projeciologia dedica-se ao estudo das projeções gerais da consciência, seja da energia seja da consciência propriamente dita para fora do corpo. Destarte, os fenômenos psi-gâmicos e psi-kapa não ocorrem somente aqui, nesta dimensão física, mas também nas demais dimensões, extrafísicas, cuja Parapsicologia extrapola como ciência não somente terrena, mas que prossegue suas investigações quando a consciência acha-se em estados mais potentes de consciência, com as experiências fora do corpo e as interações desta com o mundo humano.

A proposta inicial da Parapsicologia, com suas raízes na Metapsíquica, Espiritismo, Teosofia e assim por diante, era de investigar os fenômenos assim considerados sugestivos da sobrevivência após a morte, principalmente. No entanto tal ciência foi progredindo e, após o advento da Projeciologia a partir de 1929, com Sylvan Muldoon e em 1986 com a publicação do primeiro estudo mais amplo da projetabilidade da consciência para fora do corpo humano, pelo médico Waldo Vieira, então temos que a Parapsicologia deu um salto. Seu objeto modificou-se, movimentou-se, atualizou-se. Allan Kardec já via a importância do estudo do espírito em si mesmo, do caráter e da reforma do caráter como pressuposto da condição humana neste planeta. Por outro lado, ainda estava associado ao processo religioso relativo aos próprios espíritos comunicantes. Com a projetabilidade consciente para fora do corpo o parapsicólogo poderia ele mesmo, sair de seus limites restringidores de percepção e averiguar a realidade extracorpórea e conhecer mais a si mesmo além desta fisiologia. A investigação de Muldoon montou os alicerces de uma ciência parapsicológica experimental onde o próprio parapsicólogo seria ele mesmo o sujeito e objeto de investigação. Mas esta ciência é nova? Não. Como pode perceber no estudo dos ensaios neste espaço, a ciência do Yôga embora indiretamente, dedicou-se ao mesmo campo de estudo da Parapsicologia, o si mesmo transcendental.

Assim, a Projeciologia coloca a Parapsicologia como ciência que se efetiva além mesmo desta dimensão e inevitavelmente reformulando a sua própria taxonomia ou a classificação dos fenômenos assim considerados parapsicológicos.

Embora estejamos passando por uma atualização geral e reformulação coerente desta ciência, considero que, na esteira do pensamento de tantos parapsicólogos ao longo da história, de que está cientificamente comprovado que aquilo que chamamos de alma, espírito, consciência, self, pré-existia e sobrevive à morte biológica e em determinadas condições pode permanecer completamente fora do corpo biológico e usar de um outro veículo, o corpo astral ou psicossoma, estando comprovada pois a hipótese do corpo objetivo em Parapsicologia.

A Parapsicologia então estudando o estado parapsíquico da consciência passa a inevitavelmente estudar a consciência em si que altera de estado, consciência esta que já existia antes do nascimento, passa a assumir novo corpo e permanece existindo após a morte biológica. O estudo da consciência em si, pode ser chamado então de o novo objeto mais amplo da Parapsicologia, ou na nomenclatura de Miguel Reale, "conscienciológico".

Assim, em resumo, até o presente a Parapsicologia estuda a consciência quando no estado parapsíquico de consciência, que conforme as variadas classificações já adotadas por variados parapsicólogos se resumem em 3:

1. Função Psi-gama
2. Função Psi-kapa
3. Função Psi-theta

Para Charles Richet, temos assim:

1. Fenômenos metapsíquicos subjetivos (equivalente a Psi-gama e PES)
2. Fenômenos metapsíquicos objetivos (equivalente a Psi-kapa e PK)

Os fenômenos Psi-theta e sobrevivência estão contidos na metapsíquica subjetiva.

Para a classificação de J. Rhine temos a seguinte:

1. PES – percepção extrassensorial
2. PK - psicocinesia
3. Hipótese de sobrevivência

A classificação ainda é usada por Waldo Vieira da seguinte forma:

1. Estado de Consciência “Objetiva”: relativo ao veículo e dimensão de manifestação da consciência.
1.1 Estado Intrafísico
1.2 Estado Extrafísico
1.3 Estado Projetivo
2. Estado de Consciência Subjetiva: relativo ao que ocorre no micro-universo da consciência.
2.1 Consciente (relativo à lucidez, percepção clara de realidade, psi-gama, psi-theta, PES realista, etc.)
2.2 Semi-Consciente (relativo a sonhos, devaneios, psi-gama modalidade PES alucinatória, simbólica, etc)
2.3 Inconsciente (relativo a sonambulismo, catalepsia projetiva)


II - Da Nova Taxonomia em Parapsicologia

A Parapsicologia tendo estudado a manifestação da consciência fora do corpo, na proposta de Muldoon, ou a autoexperimentação, acabou também por investigar experimentalmente a existência de outras dimensões do cosmo, os pluriversos, as membranas invisíveis desta dimensão, pelo acesso direto, a habitabilidade, a astrobiologia extrafísica, e nos mais transcendentes experimentos, a cosmologia de amplo espectro, ou as projeções da consciência para fora da Terra, os contatos com inteligências alienígenas, ou a Holocosmologia. É neste sentido que propus uma função psi diferente de todas as já classificadas, ou a função psi-ómicron, relativo aos fenômenos parapsíquicos de largo espectro ou holocósmicos.

A nova taxonomia em Parapsicologia, ou o seu objeto de pesquisa, então pode ser definido como o estudo da consciência a partir das seguintes referências.

a) De acordo com Estado de Consciência Objetiva (corpo e dimensão) donde se manifesta:

1. No estado intrafísico (vida humana ou de posse de algum corpo mais denso)
2. No estado extrafísico (quando fora do corpo, “morto”, “desencarnado”, de posse do corpo astral ou psicossoma ou livre, sem corpo, na dimensão consciencial pura).
3. No estado projetivo (quando move a energia ou se projeta para fora do corpo, seja o corpo físico ou o corpo astral ou psicossoma).

b) De acordo com o Estado de Consciência Subjetiva (lucidez e função psi associada):

1. Hiperconsciente: psi-ómicron.
2. Consciente: psi-gama, psi-kapa, psi-theta.
3. Semi-consciente: psi-gama, psi-kapa, psi-theta.
4. Inconsciente: psi-kapa, psi-theta.

c) De acordo com a Função Psi, independente do estado de consciência objetiva ou subjetiva:

1. Psi-ómicron
2. Psi-gama
3. Psi-kapa
4. Psi-theta

d) De acordo com o nível de Evolução da inteligência:

1. Perturbada (inteligência sofredora e aprisionada)
2. No caminho de dissolução da perturbação (Caminho ao Samadhi)
3. Perturbação dissolvida (Samadhi ou inteligência desperta)
4. Perturbação definitivamente dissolvida (Kaivalya ou inteligência livre).


Assim temos que a Parapsicologia é o estudo da consciência em seus múltiplos estados parapsíquicos de manifestação, objetiva e subjetiva, nesta ou noutras dimensões, estando ela consciência, semi-consciente ou inconsciente, em suas 4 funções psi elementares (no mínimo), incluindo os fenômenos ocorridos nesta e noutras dimensões, as consciências extrafísicas (espíritos ou consciências extrafísicas), a manifestação da consciência (inteligência) no holocosmo, as múltiplas dimensões do holocosmo, as múltiplas vidas (existências), a vida da consciência entre as vidas humanas, e assim por diante. Pode ser compreendida como o estudo do comportamento integral da consciência, em suas várias dimensões e internamente, no domínio dos corpos e da energia. Assim como pode ser compreendida como a Psicologia Profunda, além da Transpessoal, a Parapsicologia é a “Psicologia” do espírito, da alma, do substrato inteligente. Daí porque dizer que em Parapsicologia Clínica usamos de técnicas e métodos que consideram as vidas anteriores, a energia, os campos de energia, chacras e assim por diante, em uma abordagem científica e experimental.

5.6.18

Minha Andança com Ayahuasca, Peyote, MDMA e LSD

F.S.


Nos anos 90 e inicio dos anos 2000 dou início a uma jornada que só poderia me levar aos territórios mais incomuns da vida que poderia ser experimentada por um ser humano. Em meio a uma busca ininterrupta que iniciou criticamente quando eu tinha 9 anos de idade, nos anos 80, porém, foi somente nos anos 90 em meio a uma cultura neo-hippie, quando era músico, artista plástico e iniciava a terapia, que fui experimentar a pajelança e me envolver profundamente no estudo sistemático das obras completas de Carlos Castañeda e um tipo de xamanismo que me levaria ao território do conhecimento Yaqui (Maia) e suas correlações com o Taoismo e especialmente, a correlação dos Pases Magicos e do Tai Chi Chuan e Qi Gong.

Li os Ensinamentos de Dom Juan, e fui experimentar peyote numa cerimônia realizada por Aurélio Diaz Tekpankalli. Tomei quatro vezes o Ayahuasca. As duas primeiras em sessões isoladas com um amigo na praia, a segunda e um ritual indígena facilitado por um xamã equatoriano que nunca esquecerei e a quarta na casa de um amigo, em meio a uma tocata pela madrugada. E como se não bastasse e após estudar as obras de Stanislav Grof e os efeitos psicodélicos do LSD (encontrado na planta do centeio) na consciência, ingeri o LSD num experimento controlado no deserto das dunas, na praia da Joaquina, Florianopolis/SC, aos cuidados de meu amigo na época estudante de medicina. E meu último experimento foram duas sessões com o psicoativo derivado de um óleo da planta sassafrás, chamado MDMA, com enorme potencial psicoterapêutico.

O conjunto de todas estas experiências me levaram a vislumbrar o retorno a medicina indígena em sua forma natural e sintética como alternativa a evolução da humanidade, dentro de critérios corretos e lúcidos, tamanho os enormes benefícios que me geraram. Ao mesmo tempo que os ensinamentos práticos nos experimentos com a pajelança me liberaram o acesso ao antigo Qi Gong, Tai Chi Chuan e o retorno aos ensinamentos do método Yaqui contido nos Pases Magicos.

29.5.18

O Fim do Estado.

Fernando Salvino, MSc.
Parapsicólogo, Psicoterapeuta, Prof. Tao Yôga e Tai Chi Chuan
Coord. LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yôga (HU-UFSC)
Bel. Direito e ex-Advogado membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB/SC e Câmara Jurídica do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA/SC)



Os fatos recentes sobre a paralisação dos caminhoneiros no Brasil nos colocou em uma posição de refém de um abuso cometido por uma classe que é abusada por natureza e se coloca em risco psicológico e existencial para movimentar um sistema abusador por natureza: o Estado.

O Estado é a causa, é o verdadeiro criminoso que nos coloca como refém. Dissolver o Estado, o único caminho para a resolução da sócio-perturbação.

E quando falo em dissolver o Estado estou falando em resgate da ordem, da anarquia verdadeira. Pois Estado é sinônimo de coerção e violação de direitos, usurpação de garantias e promessas vazias que privilegiam o poder, muito embora nas condições em que se encontra o atual Estado, o poder se mostra não facilmente localizado. Está se movendo rapidamente de um ponto a outro.

O que é o Estado?

O Estado é a institucionalização da violência legítima para privilegiar a luxúria, a ganância e as relações de dominação e subjugação de alguns contra muitos. Estes alguns e estes muitos mudam incessantemente, onde ora o dominador domina e ora se torna dominado, migrando para o grupo dos muitos e vice-versa.

O Estado é a doença social em sua manifestação mais visível. Usando do Direito para se manter enquanto promessa de um dever-ser que raramente é, é uma ficção que perturba a mente dos leigos e ignorantes quanto a sua real natureza.

Assim, o Estado precisa ser visto tal como é, e não como deve-ser. Enquanto situado no plano do dever-ser, o Estado é a utopia de democracia e da dignidade aos direitos humanos fundamentais. Por outro lado enquanto o que é, o Estado se mostra como a maior aberração já existente na Terra, colocando não só os próprios humanos como reféns, mas como a Terra e toda a biodiversidade assim como até mesmo o Sistema Solar, com a ameaça atômica iminente.

A parada dos caminhoneiros é a voz do Estado. A retomada das atividades de produção é a continuidade da voz do Estado. Em sua natureza de predador da vitalidade, o Estado continuará até o ápice necessário a sua extinção inevitável na Terra.

É o Estado que cria fonteiras, pois é ele mesmo o gerador de fronteiras. É o Estado que separa os povos, os países, as línguas, as culturas, e demarca territórios, cria títulos de propriedade, cria o posseiro, cria o sem terra, sem teto, sem trabalho, e cria o trabalhador e o empregador. O Estado é a doença que mata a família verdadeira, é o que cria prédios quadrados, é o que polui a atmosfera com dejetos de foguetes e satélites. É o Estado que gera desemprego para controlar a economia e produz empregos para aumentar o consumo de produtos que estão em estoque. É o Estado esta máquina insensível que produz anestésicos que visam dopar a humanidade da percepção da verdade.

Mas afinal, o que é o Estado? Bom, o Estado não é o que você pensa que ele é, um órgão que visa garantir os direitos de dignidade humana e garantias fundamentais. O Estado não é o que está nas Constituições liberais e democráticas. O Estado é o que não é nada disso. O Estado é justamente o centro gerador de toda a perturbação social. E este centro é o que são aqueles que formam o Estado. O Estado não se localiza num prédio, num cadastro de pessoa jurídica, num número, numa Lei, numa Constituição.

O Estado está dentro de cada um.

O Estado é a forma perturbada que seres perturbados vivem socialmente.

O Estado é você, sou eu, em sua expressão perturbada. É toda a violência, injustiça e traumas que existem dentro de mim e de você.

O fim do Estado é o fim da perturbação. Somente seres não perturbados são capazes de viver livres do Estado. Sem receita federal, sem pagar impostos, sem propriedade sobre bens e livres de registros e controles de todas as ordens, com lucidez e clareza sobre a convivialidade lúcida, sadia e justa. É de direito dos seres lúcidos e isentos de perturbação, viver numa sociedade isenta da mesma forma, uma sociedade sem Estado.

Porém, para dissolvermos o Estado é necessário que eu e você dissolvamos toda a perturbação que existe dentro de nós e pararmos de gerar perturbação e passarmos a gerar saúde e mais paz para os que nos rodeiam.

Livre de falsidade, livre de mentira, livre de promessas vazias, próprias dos gurus do Estado, é pela dissolução de todas as fronteiras internas e pela dissolução de todo o mal que existe dentro de nossas almas que estaremos criando um bom futuro para a humanidade e para a Terra.

A situação da Terra é digna de sério exame lúcido. Uma crise generalizada e um adoecimento progressivo da humanidade se mostra ocorrendo progressivamente. Espécie de pandemia de uma doença psíquica e existencial disfarçada de normalidade. É o aviso do Fim do Estado.

Pois que se não for por este caminho, permaneceremos no caminho que estamos, que é o caminho de agravar esta doença generalizada na Terra que levará a situações cada vez mais delicadas, opressoras e desastrosas para a vida social comum e para os demais seres vivos desta Terra. Tempos obscuros nos aguardam caso ações não sejam tomadas em micro e macro escala.

Por outro lado se tivermos, como as evidências parecem apontar, a visita extensiva e pública de alienígenas neste planeta e que possa provocar as maiores crises existenciais já vistas na história, talvez tenhamos alguma esperança lúcida de mudança a curto e médio prazo.

E que aconteça o melhor para todos sempre.

13.3.18

Dos Princípios e Unidades Irredutíveis: Esboço dos Aforismos da Ciência do OM (Yôga-Holocosmologia)


Fernando Salvino
Parapsicólogo e Psicoterapeuta (ABPCM 060)
Prof. Tao Yôga, Qi Gong e Tai Chi Chuan.



Os princípios são as estruturas mais estáveis da mutação. Apesar de mudarem, conservam-se mais ou menos estáveis ao longo das existências. Assim chamei de Princípios Fundamentais justamente porque são os pontos de partida e as demarcações fundamentais do percorrer cósmico da inteligência que se dá conta de sua própria condição perturbada até a liberação total de toda perturbação (kaivalya). E para isto tem-se 4 estágios fundamentais e não menos que isto e não mais que isto. O ser perturbado toma consciência de sua condição e em determinado momento trilha o caminho para a dissolução da perturbação (caminho ao samadhi). Em determinado momento começa a vislumbrar a vida não-perturbada (samadhi) e passa a viver mais nesta condição que noutra até que se liberta totalmente. Por isso o primeiro sutra se organiza nesta sequencia lógica e progressiva:

Sutra 1: Dos Princípios Fundamentais
1. Da Perturbação
2. Do Caminho ao Samadhi
3. Do Samadhi
4. Do Kaivalya


A organização deste sutra difere-se do proposto por Gautama, no qual inicia pela natureza do sofrimento, passando a examinar a origem do sofrimento, seguindo-se a causa do sofrimento e por fim ao método para sua dissolução.

Neste sutra examinarei as três nobres verdades condensadas no primeiro capítulo e no segundo examino os princípios do caminho para a dissolução (e não o caminho, que será examinado no terceiro sutra, não exposto aqui ainda).

O sutra é organizado diferentemente do proposto por Patañjali, porém mantém a mesma essência, onde diferencio princípios e unidades irredutíveis e por fim de método. Acredito que poderá tornar-se mais fácil ao yogue o estudo.

O sutra 2 trata das Unidades Irredutíveis, sendo o que torna possíveis a existência dos Princípios Fundamentais. Cada unidade apresenta-se tal como um sistema planetário, cujo Sol central é o Holocosmo a que tudo se curva (a Grande Unidade). Elas são por si grandezas que transcendem conceitos e foram nomeadas para que possam ser discernidas umas das outras, mas que gravitam em torno da unidade, sendo a unidade.

A primeira unidade é a própria Unidade Absoluta. Nada escapa a isto. Todo o universo, universos, seres e coisas, processos psiquicos e fisicos e além, são Um. Indivisível e inteiriça é a unidade. Unidade esta que se move inteiriçamente para o Abstrato, no tornar-se, conservando o que não muda no Holomover-se, a Inteligência. O mover-se se dá na Holofusão e nas alternações de Yin e Yang, obedecendo um Sentido. O que se move é veículo, o que não move é inteligência. O que faz mover é inteligência. Intenção e Potência faz unir a força (energia) com a sabedoria e o amor, mantendo a harmonia holocósmica pela Calibração. Da conversão do princípios de intenção e potência, temos Yi-Jin, a intenção benevolente unidas ao poder. E por fim, as ligações entre as unidades, os relacionamentos. Sem o conhecimento e estudo das unidades torna-se difícil a prática dos princípios.

Sutra 2: Das Unidades Irredutíveis
1. Do Holocosmo
2. Do Holomovimento
3. Da Holofusão
4. Do Sentido
5. Do Yin Yang
6. Da Inteligência
7. Do Veículo
8. Do Intento
9. Da Potência
10. Do Abstrato
11. Do Yi-Jin
12. Da Calibração
13. Da Ligação

9.1.18

A Síntese: o Sutra

Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo, Psicoterapeuta, Prof. Tao Yôga/Tai Chi Chuan


Estou convencido de que com o tempo usaremos cada vez menos palavras para se comunicar e sintetizaremos o máximo complexos de ideias em unidades de significados mais condensadas de forma a facilitar a comunicação de experiências complexas e profundas, que escapam da linguagem comum.

Em meu movimento pessoal de autoinvestigação venho observando a redução das palavras ao longo de toda a escrita, por exemplo, neste espaço. O volume foi diminuindo, ao passo que a quantidade de informação foi aumentando, apesar da diminuição do volume.

Assim temos que com o tempo o volume diminuiu (quantidade de palavras) ao passo que o volume de informação aumentou. O que se observa na síntese progressiva e no movimento próprio de toda autoinvestigação pois segue o movimento da pesquisa qualitativa participante, fenomenológica.

Partimos assim de experiências e vamos sintetizando em unidades complexas de conhecimento, princípios, matrizes cognitivas que não estão presentes diretamente nos fenômenos vividos mas são extraidos a partir das reduções assim chamadas eidéticas.

Estas reduções foram objeto de várias filosofias na humanidade e cito aqui 3 em especial:

1. Samkhya
2. Taoismo
3. Yôga

Assim, ao longo destes anos deparei-me com a mesma tendência, a de reunir a sintese geral, máxima, a mais irredutível possível de tudo quanto consta na experimentação geral aqui exposta e também não exposta aqui neste espaço.

E decidi reunir a síntese na forma de sutras, que são unidades condensadas de conhecimento organizadas em enumerações lógicas de aprofundamento progressivo.

A intenção remonta a orientação direta dada pela inteligência amparadora que me sugeriu dar a público o "A,E,I,O,U da Holocosmologia". Síntese máxima que me é possivel de realizar o qual está preenchendo todo meu tempo de trabalho como escritor, paralelo as minhas atividades profissionais e familiares.

A sintese parte também da forma como estas inteligências de linhagem holocosmica mais adiantada se comunicam. Eles se comunicam através de palavras condensadores de grande quantidade de informações. Por exemplo, durante centenas de anos em várias e várias vidas adentrei-me numa investigação muito profunda acerca da existência. E esta inteligência solucionou o problema de minha pesquisa com uma só palavra: calibração.

E é sobre isto que versará esta síntese, sobre os princípios do universo, e condensará também todo meu interesse por cosmodireito e por todos os assuntos transcendentes.



25.9.17

A partida de meu pai: evidência da sobrevivência

Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo e Psicoterapeuta



No exato dia 03 de agosto de 2017, meu pai foi tido como "falecido", cuja certidão de óbito constou como causa a insuficiência respiratória aguda.

O presente relato apesar de estar impossibilitado de expor com toda a clareza a profundidade da experiência que vivenciei, poderá no entanto, apontar para uma direção, qual seja, a da continuidade da vida após a morte do corpo biológico.

Um fato acompanha a vivência: meu pai estava lúcido no momento em que seus pulmões pararam de funcionar. Ele passava por uma internação por câncer no pulmão com metástase na coluna e permanecia sob efeito da morfina e outros medicamentos para a anulação total da dor. Porém sua lucidez mantinha-se presente. Esta lucidez é evidenciada pelo modo como olhou-me profundamente nos olhos, assim como nos olhos de meu irmão, instantes antes de ter seu corpo desativado.

E foi justamente neste contato transcendente com total ausência de palavras que olhamos nos olhos um do outro e nos comunicamos como nunca conseguimos nos comunicar. Se eu pudesse dizer que foi uma comunicação de espírito a espírito poderia ser mais preciso. Mas não tenho palavras para descrever. Ali pude "ver" meu pai e ele a mim. O mesmo aconteceu entre ele e meu irmão. Ali eu entendi uma vida inteira. Ali eu entendi a vida, o amor, a amizade verdadeira, a liberdade. E foi ali que eu disse a ele que estava tudo bem e que ele poderia se entregar e ir. Nada mais poderia ser feito. A radioterapia tinha sido cancelada. A quimioterapia não pudera ser nem iniciada. So restava aguardar este tempo misterioso do momento exato da morte. E ele nos olhou e ali disse tudo, sem falar nada. Lúcido, calmo e convencido de que chegou sua hora de partir. E nada vi ali de morte. E nada encontrei ali de morto. O que vi na morte foi a mais pura evidência da vida. A beleza do amor e da amizade, da gratidão e do carinho e da certeza de que aquela lucidez permaneceria existente mesmo após a morte daquele corpo já velho. Não havia morte ali. Havia um corpo velho e em fase final de vida, enquanto que meu pai (e não o corpo), mostrava uma lucidez incomum e a beleza do momento, a profundidade do amor apontou-me para a continuidade. Somente um cego ou um tolo não "veria" esta verdade. A verdade que na morte o que se mostra é a vida novamente.

E meu pai foi, partiu para mais uma viagem existencial. Lembro de meu pai após se despedir de mim e de meu irmão, olhar para cima e ver alguém flutuando no quarto. Os arrepios e o choro me vieram junto com a certeza de ser minha tia, irmã de meu pai, falecida muitos anos antes. Ele viu a luz, viu a verdade, viu sua irmã e partiu em paz.

E diante de todas as evidências que já presenciei esta é uma das mais convincentes.

E novamente afirmo: a sobrevivência da consciência (alma, espírito e tudo o que somos) mais uma vez foi comprovada nesta vivência.



16.6.17

Perturbação e Samadhi: Sobre a Zona de Intersecção, Saía e Entrada.

Fernando Salvino (MSc)
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta
Projeciólogo e Conscienciólogo (Livre Pesquisador)
Praticante de Yôga e Tai Chi Chuan mais de 20 anos (nesta vida).

Fundou e Coordenou o LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yôga durante 8 anos (HU-UFSC)




O que faz a perturbação dirigir-se ao samadhi e do samadhi a perturbação?

Desejar que mude.

Desejar que mude o que por natureza tem seu próprio tempo de mudança.

Intervir, desejar que mude, forçar a mudança.

Desrespeito ao tempo real, natural.

O desejar que mude significa dar importância ao que não é importante.

E assim, não aceitando a realidade tal como se mostra, surge a inaceitação e o desejo de mudar o que se mostra tal como é.

O que é importante?

Samadhi: Simplicidade, bondade (amor) e discernimento. O cultivo do Tao.

Só o necessário para estar vivo, para não impactar os irmãos. A família é a única realidade essencialmente importante.

A família significa que todos estamos unidos numa fusão holocósmica, na inseparabilidade não-local de inteligência e vida, unindo a todos numa só realidade.

A família verdadeira.

Assim, ao desvalorizar o importante, dando importância ao que não é importante, ou àquilo que muda, saimos do samadhi e retornamos à perturbação.

Dar importância ao que é importante, samadhi.

Dar importância ao que não é importante, perturbação.

Esta é a zona de intersecção.

Ficar lúcido dentro da zona, é o mesmo que ficar lúcido dentro do sonho. Um sonho lúcido. Sair do sonho e ficar lúcido, é o mesmo que desperto. Mesmo que seja uma condição temporária.

12.6.17

Meditação para Todos: passo a passo

Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo Clínico e prof. Tao Yôga, Meditação e Tai Chi Chuan.


O samadhi é a condição onde nos percebemos tal como somos, sem qualquer perturbação (ansiedade, depressão, estress, melancolia, raiva, tristeza, ódio, rancor, e mesmo desapegado de toda dor física ou desconforto).

Esta condição não-perturbada é a razão da existência de dhyana, ou como chamamos, de meditação, o 7º passo da ciência do Yôga (conforme a sistematização de Patañjali).

A meta primária do Yôga é samadhi e a meta final é kaivalya (a dissolução definitiva de toda perturbação).

A meditação, para qualquer ser humano, independente da tradição, linhagem, religião, escola, se reduz a 5 fases, quantitativas e qualitativas respectivamente:

1a regulação e refinação
2a regulação e refinação
3a regulação e refinação
4a regulação e refinação
5a regulação e refinação

A 1a refinação é a refinação da intenção e vontade. Aqui o meditação irá refinar sua intenção para a mais amorosa, benevolente e isenta de violência que puder. A partir desta refinação passará a primeira regulação e as demais refinações.

A 1a regulação é a regulação do corpo. O meditador melhora sua capacidade física (quanto assim o pode), melhorando sua nutrição (sem radicalismos, ou a não-violência consigo mesmo), fortalecimento dos músculos, ossos, tendões e coluna principalmente. Com o corpo regulado, o meditador se desliga do corpo e passa a 2a regulação.

A 2a regulação é a regulação da respiração. O meditador treina a respiração natural, diafragmática, a respiração da criança, solta, livre e tranquila. Esta respiração inicia na inspiração e na extensão do abdomem e na expiração junto com a contração do abdomem (sem esforço). É a respiração natural, solta, livre, calma e profunda. Porém, não raro, o meditador não consegue com facilidade realizar tal respiração natural, onde poderá praticar as variações de respiração lenta e rápida, de modo a desbloquear os seus centros. Com a respiração regulada passa-se a 3a regulação.

A 2a refinação é a refinação de nossa densidade e de nossos aspectos psicológicos e fisiológicos mais densos e negativos para o amor, a bondade, honestidade e o sentimento de gratidão.

A 3a regulação é a regulação do sentimento a partir da 2a refinação. Aqui a 1a e 2a regulações funcionam juntas porém a respiração e o repouso físico são mais amorosos, benevolentes e gratos.

A 4a regulação é a regulação da energia. A partir da 3a regulação a energia se solta e fica mais disponível para sua circulação. A circulação da energia se dá de duas formas gerais:

- pequena circulação: a energia é circulada no caso dos meditadores iniciantes partindo da base da coluna, no centro do abdomem, dando prosseguimento descendo pelos genitais e subindo pela base da coluna através da medula até o pescoço e entrando pelo cérebro toca o céu da boca o qual retorna para o centro do abdomem. No início o treinamento é com a respiração junto com a circulação da energia. Assim o praticante circula a energia lentamente no ritmo lento da respiração. Na inspiração o praticante centraliza a energia no centro e leva-a até o céu da boca e na inspiração retorna ao centro. E faz vários destes ciclos até que sinta que suas energias estão reguladas.

- grande circulação: esta modalidade é similar a primeira porém a energia inicia do centro até o céu da boca e desce até os pés em sentido vertical (do centro para cima e de cima até os pés, e vai subindo e descendo a cada ciclo). Realiza-se também junto com a respiração na primeira fase do treinamento.

As variações das circulações são secundárias. Se o praticante conseguir realizar estas manobras passará a conseguir regular suas energias. O primeiro sinal é a serenização mais profunda e um enraizamento no agora e a primeira percepção de ausência de perturbações.

A 3a refinação é a refinação da energia, modificando a qualidade densa para um nível de sutileza mais profunda, o estado de transparência necessário para o samadhi.

Esta regulação faz com que o meditador passe a fase seguinte, a 5a regulação.

A 5a regulação é a regulação da mente e do espírito. O meditador aqui inicia a sustentação da serenidade e junto com a 4a refinação vai refinando sua transparência até sentir que suas perturbações cessaram, inexistindo qualquer incômodo e o si mesmo se revela para o próprio meditador como serenidade e lucidez sem perturbações, amor calmo e paz de espírito.

A 4a refinação é o cultivo da paz de espírito, serenidade e da lucidez sem pensamentos, fora do tempo e livre do passado e futuro e de toda perturbação.

A 5a refinação é o samadhi propriamente dito e sua sustentação, condição mais rara de ocorrer, porém, acessível a qualquer pessoa disposta a dissolver suas perturbações.

Este método é científico. O que isto significa?

Isto significa que se qualquer pessoa predisposta a se conhecer e se experimentar realizar tais passos, independente de crença, cor, raça, credo, religião, nacionalidade ou posição política, chegará nestes resultados.

E isto significa que a meditação dispensa quaisquer destes recursos:

1. incensos
2. roupas especiais
3. altares
4. rituais
5. locais especializados
6. dependência de um guru
7. ir até a Índia
8. ter alongamentos fantásticos
9. ser magro e com barriga de tanquinho
10. postura de lótus impecável
11. certificado de Yôga
12. certificado de psicólogo
13. certificado de instrutor de mindfulness
14. zazen
15. girar em círculos
16. música
17. orientação (terceiros orientando)
18. sons da natureza
19. natureza

A meditação pode ser realizada nas seguintes condições tais como:

1. em pé
2. sentado em qualquer local (cadeira, poltrona, banco de zazen, etc.)
3. caminhando
4. correndo
5. no trabalho
6. conversando com alguém
7. de olhos abertos
8. de olhos fechados
9. numa igreja
10. fora da igreja
11. num templo
12. fora do templo
13. em casa
14. fora de casa
15. durante o sexo
16. tomando banho

As situações acima citadas significam que meditação é um movimento interno independente de onde e como o corpo está, se está parado ou em movimento, e independente do local, pode ser feito em qualquer lugar e situação.