28.2.12

Retrocognição Clínica ou Retrocognoterapia: Além da Terapia de Vidas Passadas e Considerações Epistemológicas, Cognitivas, Éticas e Metodológicas (parte I)



Trajeto evolutivo da consciência e
a formação da personalidade
palingenética

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo, Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta
Núcleo de Investigações Avançadas da Consciência (NIAC) - FEBRAP/ABRAP


O título deste ensaio revela uma mudança de concepção, de episteme clínica, científica e cognitiva e de metodologia clínica no uso e desuso da retrocognição para finalidades terapêuticas.

A terapia de vidas passadas vem se mostrando mistificada e embriagada por paradigmas e axiomas que podem ser prejudiciais ao paciente bem intencionado e carente de assistência ética.

Um exemplo, já citado, é a TVP a distância, cursos de TVP online, e a TVP pura e simples baseada em concepções epistemológicas não tão coerentes com o fenômeno psigama, a retrocognição.

Então, o ponto de partida é a retrocognição como fenômeno psi, estudado cientificamente pela ciência reconhecida oficialmente, a Parapsicologia. Muitos pesquisadores de renome mundial debruçaram-se na investigação do fenômeno, tal como o médico Ian Stevenson. Outros associaram a retrocognição a terapêutica e misturaram concepções místicas, esotéricas e outros referenciais para usar de arcabouço teórico para uma metodologia similar de base: a hipnoterapia.

Apesar de que a hipnoterapia possa se manifestar a partir de várias abordagens, aqui consideramos como o método de indução de um estado alterado de consciência, o estado de transe hipnótico, que pode variar de intensidade (similar a hipnopompia e hipnagogia) e que facilita o aparecimento do fenômeno psi, chamado de retrocognição: um tipo de fenômeno extrassensorial (ESP ou PES) onde a consciência do sujeito se percebe situada num passado, que pode ser nesta vida, dentro do útero, entre as vidas encarnadas e em vidas passadas longínquas. Em síntese resumida, são experiências com carregadas de sentido e geralmente, de emoção e sentimentos, ligada a momentos passados de trauma ou de felicidade aguda, nos extremos da emoção associada a memórias organizadas do modo como Grof nomeou: sistema COEX - condensed experience.

O problema não é tanto de método, visto que considerarei aqui que a grande maioria se utiliza da hipnoterapia para a indução do fenômeno em pacientes, no contexto clínico. O problema é quanto ao todo, à terapêutica.

Os profissionais em geral são terapeutas holísticos com formações em hipnose, ou psicólogos e médicos com formações universitárias completamente dissociadas à realidade palingenética, que traduz uma outra episteme clínica e cognitiva. Ademais, no Brasil, médicos e psicólogos são legalmente proibidos de atuarem com tal terapêutica de vidas passadas, por ser considerada pelos conselhos, como pseudo-ciência.

O profissional legalmente habilitado para pesquisar e atuar neste âmbito, associando-se ao campo psicoterapêutico, é o parapsicólogo legalmente habilitado pela associação competente, a ABRAP - Associação Brasileira de Parapsicologia ou outra do gênero, como a ABPCM - Associação Brasileira de Parapsicologia e Ciências Mentais. O parapsicólogo é o profisisonal realmente qualificado legalmente e teórico-experimentalmente para atuar com o método de hipnoterapia com mais precisão, visto que estará penetrando num campo transpessoal, parapsiquico, que opera com uma realidade que transcende a visão geral da ciência e adentra no campo psi, fenômenos de ordem psigâmica, que podem estar entrelaçados, um no outro. O profundo conhecimento da fenomenologia psi, por parte do parapsicologo lhe facilita a entender o que se passa com o paciente quando em transe retrocognitivo e, posteriormente, poderá como psicoterapeuta de abordagem parapsicológica e evolutiva, dar o devido suporte e a consequente terapêutica no pós-retrocognição.

Desta forma quando falarmos em TVP estamos falando de uma terapêutica praticada por uma gama de profissionais não-parapsicólogos, podendo ser terapeutas holísticos, apometristas, médicos e psicólogos (mesmo na ilegalidade) e outros, como hipnoterapeutas. E estes profissionais cada um utiliza-se de abordagem que lhe é mais adequada, como a espírita (Allan Kardec), como a transpessoal (Grof e cia) e assim por diante, até as interpretações mais místicas. Assim, TVP é aquela terapêutica mística que visa pelo uso da hipnoterapia a indução de retrocognição para finalidades terapêuticas ou suposta finalidade terapêutica, podendo dar ou não suporte posterior ao paciente bem intencionado.

Diante do todo exposto e de tudo que já expus e que já foi debatido nesta revista, proponho o nome "retrocognição clínica ou retrocognoterapia" para designar uma das técnicas usadas por parapsicólogo/psicoterapeuta para finalidades terapêuticas, dentro de abordagem parapsicológica, ampla e científica, sem qualquer conotação mística ou esotérica, aplicada pela escola fundada pelo médico brasileiro e parapsicólogo Dr. Eliezer Mendes e obedecendo aos referenciais mais profundos da ciência da consciência, em abordagem transcisciplinar, porém, científica e clínica. Esta técnica visa a indução por métodos que podem ser caracterizados por hipnoterapia ou não, como a técnica da dissolução da couraça psicoafetiva, que, dependendo do caso, desencadeia a memória associada ao bloqueio do chacra cardíaco (emocional/sentimentos), localizado psicobiofisicamente na região fisiológica cardiorespiratória.

O nome "regressão", portanto, é inadequado e não-científico, para nomear este fenômeno psigâmico já amplamente estudado pela parapsicologia e projeciologia e já nomeado cientificamente de "retrocognição", que é um conceito muito mais preciso para designar tal fenômeno que inclui os múltiplos níveis da cognição humana, direcionadas para a alteração de consciência potente para o deslocamento do espaço-tempo ao passado, seja já de que época ou momentum da consciência.

A cognição envolve um "conjunto de unidades de saber da consciência que se baseiam em experiências sensoriais, representações, pensamentos e lembranças" (Houaiss). Quando este conjuntos de unidades de saber da consciência adentram noutro estado de consciência, ocorrente no passado, a consciência acha-se situada noutro momentum, com a sensação de que o passado ocorre no presente. Por outro lado, nem sempre a consciência percebe tal profundidade experimental, mas pode perceber seu passado como numa tela projetiva, um filme ou algo do gênero, ou até flashes fugazes e sensações difusas. Estas últimas são o começo do transe retrocognitivo.

Assim, ao falarmos em retrocognição, estamos falando de um dos fenômenos psigâmicos mais profundos e impactantes na parapsicologia e, na parapsicologia clínica, tal fenômeno mostra muitas vezes o panorama etiológico da patologia de muitos pacientes, podendo ao trazer à consciência lúcida do presente, o alinhamento espaço-temporal com o atual momento desta atual existência e favorecer a evolução pela autosuperação. Quando estudamos o fenômeno retrocognitivo cientificamente, estamos na parapsicologia. Quando usamos dos conteúdos retrocognitivos para finalidades terapêuticas, então, estamos na parapsicologia clínica e sua técnica, a retrocognição clínica ou retrocognoterapia.

Esta técnica nada tem a ver com a técnica adotada pela psicoterapia reencarnacionista, ou outras técnicas utilizadas similares a esta. A psicoterapia reencarnacionista é focada em "sessões de regressão", não existe a psicoterapeutica propriamente dita. Apesar de Kwitko (ABPR) afirmar não se tratar de uso de hipnose e que o processo é totalmente comandado pelo mentor espiritual do paciente, então estamos num campo mais da religião e seus axiomas inverificáveis, do tipo, ou aceitamos esta premissa inquestionável, ou estamos fora. Porque não existem evidências científicas e clínicas suficientes até agora para nos ancorarmos nestas premissas.

Cientificamente, parapsicologicamente, não há como saber exatamente quando eu ou quando uma inteligência theta especializada na terapêutica (amparador, mentor, etc.) é quem de fato está no comando de uma sessão retrocognitiva. Outra questão é que, nós terapeutas podemos ser amparadores encarnados, o que derruba o mito de que somente os espíritos são evoluídos. Existem médiuns mais evoluidos que as supostas entidades evoluídas que através dele se manifesta. Outro falo clínico é que, qualquer procedimento em que um profissional induz relaxamento e expansão de consciência em outrem, por fala dirigida e técnica, estamos no campo da hipnoterapia. Outro fato parapsicológico é que não temos evidências suficientes para afirmar com certeza científica e clínica de que as memórias do paciente são escolhidas pelo amparador extrafísico do mesmo. Isto é um axioma inverificável. Entendo que pode ocorrer ambas as coisas: o paciente por seu sistema de radar COEX (Grof) rastreia a informação que está dentro de si mesmo (inconsciente) para a superfície da consciência e, o amparador mais lúcido pode ou não estar ali, junto, neste processo, podendo estar mais de retaguarda, preservando o campo de intrusões theta (SPI - síndrome de personalidade intrusa). E tudo isto associado principalmente ao psicoterapeuta e seu caráter, sua benevolência, sua amparabilidade e sua generosidade, discernimento, acuidade, parapsiquismo e experiência no campo das retrocognições em si mesmo. Todo este campo multidimensional, interconectado, é que se caracteriza pelo que chamo de retrocognição clínica.

Mas, é claro, o assunto precisa ser muito mais aprofundado. E isto não quer dizer que é uma técnica que cura tudo ou a tudo ajuda. Não. A pessoa interessada pode começar apendendo a acessar sua memória antiga e, após, dar continuidade em esforços pessoais, autoditadas, pelo resto de sua vida, após sua melhora, para compreender-se mais profundamente, sua origem, por onde passou, o que fez, como fez, quem era, como era e assim por diante, seus padrões de repetição, desafios até aos poucos compreender seu padrão de personalidade palingenética, formada ao longo dos milênios.

Então, estamos noutra epistemologia, outra episteme e outra cognição científica e clínica. Está além de remissão de patologias e adentra no caminho de um autoconhecimento profundo, sério, sem mística e da forma mais lúcida. Adentra no caminho natural da evolução em sabermos quem de fato somos e quem de fato fomos, por onde caminhamos em nosso passado, nossa origem, nosso big bang.

As sessões clínicas obedecem à característica de todo fenômeno psi, ou parapsiquico/paranormal e sua dificuldade de controle e instabilidade de ocorrência, dependendo de uma soma vetorial de fatores atuando sistemicamente. Depende do grau de sensibilidade do paciente e quanto mais o paciente for um AGP - agente psi confiável, mais sucesso terá nos experimentos. Caso contrário, terá de aprender antes para depois dar continuidade. Em alguns casos, as sessões são experimentais e pedagógicas, para o paciente aprender a relaxar, a suportar estado de consciência mais alterado e retornar saudavelmente destes estados. Isso sem entrar em retrocognição. Porque o fenômeno exige saber experimental prévio por parte dos pacientes. Caso contrário o paciente é levado a sessões e os resultados são psicoterapeuticamente insatistafatórios. E nós, parapsicólogos clínicos, vamos aprendendo com nossos erros, principalmente com nossos erros. Os acertos, são acertos. Ótimo, prosseguimos nos acertos. Mas nossos erros são eles que nos mostrarão o caminho de correção de rota. E uma das coisas que aprendi neste caminho é que é urgentemente necessário caracterizar o perfil sensitivo dos pacientes antes de usar desta técnica. Um parapsicólogo experiente sabe se o paciente é clarividente ou que tem facilidade no processo de acesso holomnemônico. Ele olha e sabe, capta, percebe, extrassensorialmente. O parapsicólogo precisa ser sensitivo e mais experiente que o paciente, ou se não for, usar de sensitivo auxiliar ou equipe de sensitivos junto com ele, para fazer a captação e o paradiagnóstico, conforme as orientações de Eliezer Mendes, fundador da parapsicologia clínica. O campo empírico é complexo e carente de investigações sérias.

Diante disso, adentramos no campo complexo da ética em psicoterapia parapsicológica que utiliza da retrocognição clínica. Em síntese, não é técnica indicada para todo e qualquer caso clínico e, mesmo que o paciente assim deseje realizar quando não for o caso, o psicoterapeuta deve negar fazer e esclarecer que outras coisas são mais relevantes, como o fortalecimento da personalidade deprimida, a elevação da energia e a amparabilidade, antes de qualquer procedimento clínico como este ou mesmo análise aprofundada dos processos cognitivos e suas distorções. Esta me parece ser a regra, mas existem exceções. Em alguns casos, o paciente deprimido sai da depressão após uma sessão como esta. Os critérios que estabelecem o uso ou desuso de RC, estão ainda em desenvolvimento pelos parapsicólogos clínicos e será assunto do próximo ensaio, a parte II deste. E este presente ensaio, é um ensaio, portanto, nada definitivo, nada conclusivo e assim que o campo experimental exigir modificações, assim ocorrerá. E, se algum dia o campo experimental me exigir abandonar esta ou aquela técnica, por variadas razões, assim ocorrerá, tudo em prol do melhor para o paciente.

22.2.12

Evidências Experimentais da Exteriorização e Interiorização Lúcida nos Experimentos Extracorpóreos


Representação de uma Exteriorização Lúcida.
 Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta
Parapsicólogo e Projeciólogo - ABRAP/FEBRAP/NIAC


1. Das Considerações

A exteriorização lúcida para fora do corpo me transparece como uma das experiências mais marcantes dentro do todo experiencial pelo qual o fenômeno projetivo se insere e se manifesta. E, no outro extremo do ciclo projetivo, está o fenômeno do retorno ou interiorização lúcida para dentro do corpo. O que narrarei abaixo demonstra em experiências diferentes as duas realidades: a primeira, a decolagem lúcida e, a segunda, o retorno lúcido.

Trata-se de experiências no âmbito da pesquisa do fenômeno “experiência fora do corpo” ou mais precisamente, do fenômeno projetivo que engloba um ciclo mais completo, admitindo a possibilidade de lucidez não somente na “experiência fora do corpo” propriamente dita, mas também do exato momento que a consciência ou psi, começa a se deslocar da conexão com o corpo humano e decola para fora do mesmo, assim como do momento em que a consciência ou psi, retorna ao corpo e se interioriza dentro do cérebro, tal parece ser a sensação vivencial fenomenológica.

Assim, não tratarei aqui da experiência fora do corpo propriamente dita, mas no que antecede a mesma e no que a procede, sendo campo obscuro das investigações parapsicológicas, especialmente, as projeciológicas.

A zona experiencial aqui tratada é justamente a que a maioria de nós permanecemos no sonambulismo astral (Muldoon) ou projetivo (Vieira), onde pulamos do estado de coincidência dentro do corpo, para, estar lúcido já fora do corpo e mesmo no retorno, quando nos damos conta, já estamos no corpo ou ainda no estado cataléptico, sem a consciência do fenômeno que ocorre nos intervalos de tempo. Digo com precisão que a decolagem lúcida dende a coincidência até o descolamento e ao total desdobramento lúcido não deixa qualquer dúvida ao experimentador da veracidade do fenômeno e da natureza extracorpórea de si mesmo. Já a experiência fora do corpo, isolada, pode fazer-se passar por sonho, alucinação, ou loucura, caso o experimentador não for mais preciso e honesto em suas pesquisas pessoais.

Muito temos a respeito das experiências fora do corpo, mas pouco a respeito das outras fases do ciclo projetivo, do ponto de vista fenomenológico, vivenciado. Muita teoria e pouco experimento. Eu mesmo os vivencio com raridade, mas as raras vezes que tive a oportunidade de vivenciá-las, tentarei aqui trazer como evidência experimental do fenômeno.

Neste sentido, minha intenção aqui é trazer tais experiências para ampliar a investigação do fenômeno projeciológico completo e situar tais experiências no âmbito da para-aprendizagem ou para-educação, tamanha a relevância para o autoconhecimento de algumas realidades, tais como:

1. natureza do espírito/consciência: experiência direta da dissociação;
2. natureza do holossoma: principalmente, o soma, energossoma (duplo etérico), cordão de prata e psicossoma (perispírito).
3. lucidez exata do momento de separação da consciência do cérebro, pela vivência direta do descolamento psicobiofísico.

Dentro das revisões de literatura comumente realizadas, embora não vá me ocupar neste ensaio, temos que muito pouco se publicou a respeito dos processos da saída consciente propriamente dita para fora do corpo, muito menos da interiorização consciente. O motivo é simples: é mais fácil que ocorra a lucidez já fora do corpo do que nos dois momentos aqui pesquisados. A pobreza de registros do momento exato da saída e do momento do retorno evidenciam a fugacidade da experiência. Por outro lado, encontramos na casuística de projetores mais experientes tais registros. Ater-me-ei aqui somente em minhas experiências pessoais, pois é o chão firme o qual posso pisar.

As fases anteriores à experiência fora do corpo e posteriores se passam inconscientes e despercebidas: sonambúlicas. As razões de tal fato são muito complexas e adentram inclusive na imaturidade multidimensional e projetiva da pessoa, assim com no caso da resistência a fenômenos indutores de mudanças profundas, diretas, como são a exteriorização e a interiorização. É assim que situo as experiências iniciais do ciclo projetivo, a decolagem consciente e o retorno ou interiorização consciente. Ambos são fenômenos ricos e complexos para o entendimento fenomenológico e sistêmico e geradores de crises, devido a vivacidade da experiência.

2. Das Evidências Experimentais

Caso 1: Exteriorização pelo Descolamento Cérebro-Pulmonar 

Este caso é de uma decolagem consciente parcial induzida pelo relaxamento psico-bio-energético sexual.

O experimento se deu após relaxamento intenso provocado por atividade sexual seguida de orgasmo. O orgasmo provocou em mim uma sensação de completo bem-estar e soltura energética, áurica.

Ao deitar preparando-me para dormir, quando me dei por conta já estava lúcido iniciando o processo da decolagem pelo Psicossoma. A sensação era estranha. Neste dia devido a mudança de temperatura senti com mais intensidade meus pulmões através de uma leve crise asmática. A sensação de estar descolando do corpo, lucidamente, me trouxe uma certa angústia fóbica em virtude da separação da área pulmonar.

Projetar a área pulmonar foi difícil, devido ao condicionamento provocado pela dependência subconsciente do processo respiratório. De acordo com relato de minha mulher, meu corpo estava em processo de espasmos leves, porém visíveis, quando retorno ao corpo. O retorno se deu (hipótese) pelo fato de ter ouvido o som de uma espécie de ronco aflitivo provocado pelo descolamento da paracabeça e dos parapulmões do Psicossoma diante do Soma.
Ao despertar, estava lúcido e sem nenhuma interrupção da continuidade da lucidez.

É complicado colocar em palavras a sensação de estar lúcido no ato da decolagem da consciência para fora do corpo. Admito que existe certo receio de minha parte neste processo razão pela qual a grande maioria das projeções conscientes que experiencio são aquelas em que fico lúcido quando já fora do corpo, passando esta fase inicial inconsciente.

Caso 2: Exteriorização pelo Estado Vibracional

Este caso é de decolagem consciente completa, auto-induzida pela técnica do estado vibracional. Estava estudando para uma prova na universidade e eu estava aproximadamente no ano de 1997. Estava estafado mentalmente de tanto estudar e resolvi realizar um relaxamento e mobilizar minhas energias, visando instalar o estado vibracional. Seria a primeira vez que iria aplicar a técnica.

Deitei em meu colchão e fiz o relaxamento. Mal deitei senti minha psicosfera expandir sem esforço, acompanhado de sensação de leveza e tranquilidade. Começei a mobilizar as energias da cabeça aos pés em movimentos de pulso intenso e potente e, em poucos segundos, a intensificação foi tão alta que entrei num estado de ressonância pulsante quase violenta, onde todo meu corpo e meu campo começou a vibrar potentemente e eu ali em transe consciente de tudo que se passava por mim. A intensificação tomou proporções violentas e literalmente dei um salto para fora do corpo uns centimetros acima e começei a rodopiar velozmente em movimentos espiralados em direção ao teto do quarto e uma voz bem ao lado de meu lado direito me sugeria não pensar e ficar tranquilo que era assim mesmo. Estava rodopiando no alto do teto do quarto acompanhado desta consciência que me orientava a vivência. Em dado momento começei sentir medo e retornei ao corpo. Todo meu corpo estava potentemente eletrizado, em mini-convulsões, meu coração disparado e minha respiração ofegante. Nunca mais consegui instalar este potente estado vibracional e a exteriorização lúcida desta maneira.

Caso 3: Decolagem Assistida por Ser Extrafísico Benevolente

Este caso é de decolagem consciente completa, assistida por amparador, após investimento intenso na técnica da saturação mental projetiva do subconsciente. Colei em meu quarto uma série de imagens projetivas, com representações imagéticas de projeções. Queria eu saturar meu subconsciente para a idéia-alvo de sair do corpo lucidamente, na interiorização. As imagens eram de exteriorização lúcida. Em dado dia, quando me dei por conta, estava semi-exteriorizado, com parte da para-cabeça para fora da cabeça física, creio que metade para fora. Ao olhar para minha frente avistei uma pessoa, esbranquiçada, de corpo etérico leve e fluido, com vestimenta branca reluzindo a cor esbranquiçada de seu corpo. Sua benevolência era nítida e estava ali para me ajudar. Ela/ele fazia gestos com as duas mãos do tipo: "vem.. vem" e sua voz acoava diretamente na minha consciência em nítida telepatia extrafísica. Seus gestos atuaram em mim como verdadeiros comandos hipnóticos e com força colossal começei a arrancar-me para fora do corpo, senti-me como se realmente estivesse saindo de dentro do corpo, descolando-me dele, soltando esta roupa fisiológica em direção à extrafisicalidade. Quando estava saindo do corpo, ouvia os sons de estrondos dentro de minha cabeça e sons vibracionais intensos generalizados no ambiente. A sensação é intraduzível em palavras. É como se fosse a liberdade vivida e a hiper-fecilidade em um micro-segundo de libertação mental e psíquica. O ser ali adiante de mim foi se afastando e começei a flutuar para fora do corpo e atravessei o teto do meu quarto por dentro da matéria física da parede. Quando me vi, estava flutuando fora de minha casa, acima do espaço do telhado e, em dado momento que não me recordo bem, voltei ao corpo sem qualquer lucidez do trajeto de retorno.

Caso 4: "Que Deus me dê sobriedade para aceitar a realidade!"

Este caso é de interiorização ou retorno consciente completo, dentro de um contexto experiencial mais amplo, após investimento intenso na técnica da saturação mental projetiva do subconsciente.

Há cerca muitos anos atrás, eu estava no meio de um sonho. Eu falava com uma mulher que era uma cliente ainda da época que era advogado ambientalista, sobre algum assunto que não me recordo, porém, no meio da conversa começei a ficar consciente e pensei: "é a Dona Zuleica!" e em seguida, começei a ficar lúcido e lúcido até que o cenário modificou-se. Eu estava em Laguna/SC e tinha um barco antigo parado no mar. Alguma força que não compreendo, me fez olhar o barco, mais parecido com um navio grande, antigo, quando começei a realizar a volitação extrafísica, lúcida. Em dado momento, atravessei a parede do casco do barco, como de costume nos vôos extrafísicos e por minha surpresa, lá dentro estavam escravos negros como na época antiga, sentados em lugares específicos onde remavam. Todos eles tinham as mãos cortadas. E eu ali no meio de um vôo por dentro do barco, vôo este que deve ter durado segundos, mas minha percepção permaneceu atuante numa atemporalidade. Uma das escravas (desencarnada, consciência extrafísica) olhou para mim e falando alto para todos ouvirem disse: "Olha!!!!!!!! Ele está voando!!!!! E ele tem mãos!!!!!" Imediatamente, continuei meu vôo e atravessei a parede do navio. Não sei como, mas a paraecologia se alterou e vi-me num lugar cheio de árvores e voando ainda extrafisicamente, pousei num galho de árvore e ali mesmo instintivamente pensei alto: "Deus, me dê sobriedade para aceitar a realidade!".

E no ácume dos meus sentimentos advindos do impacto da experiência consciente extracorpórea, imediatamente retornei ao corpo, sentindo completamente a entrada lúcida para dentro do cérebro e do corpo e, em contínua consciência, despertei-me no corpo, ali, deitado na cama. Era a noite, e o evento teria sido a noite também. As memórias vieram-me de imediato, não tendo que fazer esforço para a rememoração.


A experiência mostra o oposto das acima descritas, a interiorização consciente, onde senti-me entrando dentro da cabeça e do corpo, sendo que a entrada na cabeça foi a mais impactante. Lembro que num momento eu estava consciente no corpo psi, ou psicossoma, e ao entrar na cabeça, começo a usar o olho físico para ver. Foi muito estranha a mudança de aparato dos sentidos. De um lado, usava outros olhos e daqui a pouco, os olhos físicos. Senti-me como vestindo uma luva de encaixe perfeito. Ao interiorizar-me olhei minhas mãos e olhei-as literalmente como luvas perfeitas de dimensões impecáveis para mim mesmo, o outro ser que entrou no corpo e que agora o habitava diluido na invisibilidade das células e do organismo. Não lembro de ter ouvido estrondos da cabeça, pois a interiorização foi mais rápida do que as exteriorizações. Mas a sensação deste retorno foi muito lúcida, pude sentir exatamente o momento em que penetrei dentro do corpo e ali me instalei de forma incompreensível. É realmente incoempreensível este fenômeno, apesar de vivenciável.

(em breve caso 5, de projeção mental, interiorização e exteriorização lúcida)

3. Das Hipóteses de Investigação


Abaixo adiciono neste trabalho algumas hipóteses que me parecem estar relacionadas com a dificuldade de se vivenciar os momentos de decolagem e pouso consciente para dentro e para fora do corpo.

1. Vivacidade da experiência e medo da perda do controle de si (ego).
2. Medo da morte biológica.
3. Relação entre a hipervelocidade do retorno ao corpo e perda de lucidez no trajeto (a inconsciência facilita a hipervelocidade).
4. Relação entre condicionamento mental (do tipo "eu sou meu corpo, ou eu sou meu cérebro") e perda de noção de si, medo da insanidade mental e perda de noção de realidade.
5. Estranheza bizarra aos fenômenos transcendentes, paranormais: medo do desconhecido, associado com "loucura".ivesse
6. Imaturidade e falta de treinamento na manutenção da lucidez na transição interiorização-exteriorização e vice-versa.
7. Fuga das sensações bizarras do estado vibracional potente, misturado com sons vibracionais altos, intensos, fisiologicamente espásticos, ronquidões dentro do cérebro associado a estalos altos e sons estranhos. Sistema de defesa do eu (ego).

As hipóteses bloqueadoras são compreensíveis e podem ser superadas progressivamente com a repetição das experiências e ao fato da pessoa se acostumar com o fenômeno, desenvolvendo uma estrutura de personalidade projetiva.
 
Por outro lado, existem hipóteses que podemos propor que parecem estar relacionadas com a ocorrência da exteriorização e da interiorização, quando em circunstâncias não-acidentais ou patológicas, tais como:
 
1. Desejo sincero de conhecer a vivência, motivação potente e coragem diante do desconhecido, aconteça o que acontecer.
2. Estrutura de personalidade projetiva inata, ou seja, a pessoa já nasce com a estrutura desenvolvida em outras experiências antes desta vida na terra (vidas passadas, paragenética).
3. Estudo de campo viabilizado por consciência extrafísica benevolente e experimente no assunto, também chamada de amparador, mentor ou guia. Neste caso a consciência extrafísica ajuda, facilita tecnicamente tal como eu facilito meus pacientes a recordarem de suas existências passadas, utilizando recursos técnicos e experiência pessoal.
4. A pessoa sente a pressão mais intensa na exteriorização do que na interiorização. Parecem que os estrondos intracerebrais ocorrem mais na exteriorização do que na interiorização.
 
4. Das Considerações finais

Os experimentos evidenciam a existência de um espectro de experiência que antecede a experiência fora do corpo e procede-a. A parapsicologia e mesmo a projeciologia se debruça prioritariamente no estudo das experiências fora do corpo propriamente ditas, sem se aterem tanto ao campo aqui trabalhado. Algumas das razões foram expostas neste ensaio, e resume-se a falta de experimentação dos próprios pesquisadores e do público geral.

De qualquer forma, incentivo o estudo e mesmo a indução destas vivências de exteriorização e interiorização consciente, experiências ricas e profundamente educativas, aumentando a lucidez mais transcendente e multidimensional da vida e de si mesmo, num ensaio de cosmologia prática, com travessia consciente entre-dimensões do universo, aumentando a aproximação entre dimensão extrafísica e física, unificando as realidades numa só realidade, separável por uma membrana muito fina e porosa, provavelmente, uma idéia ou uma partícula psicon.

19.2.12

O Caso dos Homens-Dominó: do Sonho Lúcido à Projeção Consciente e Outras Considerações

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo, Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta
NIAC - Núcleo de Investigações Avançadas da Consciência
FEBRAP-ABRAP
MSc. Educação (UFSC); Esp. Educação (UDESC).


I - Da experiência consciente fora do corpo.

A experiência ocorreu-me na madrugada do dia que antecedia o reveillon, no ano de 2011. Minha filha Yasmin (9) me perguntava se poderíamos acampar na virada do ano devido ao fato dela gostar muito de natureza e da experiência de acampamento. Falei a ela que iria pensar no caso, mas que provavelmente seria difícil porque já tínhamos combinado de passar a virada em família. A noite, quando dormíamos, tive um sonho.

Estava sonhando que estávamos acampando num local que não reconheço onde, e ao abrir a lona da barraca deparo-me com quatro homens amistosos vindo em direção da barraca. Eles estavam cerca de 200 metros de nós. Eu imediatamente ergüi minha atenção concentrada aos homens fitando-os profundamente no sentido de uma acareação defensiva. Estava alerta no sonho, raciocinando. Em dado momento pensei com clareza: "estes homens são produtos de minha mente". Ao pensar isso, permaneci olhando-os e suas imagens pictóricas simplesmente cairam como peças de dominó no chão do campo psíquico do universo que estava naquele momento. E, quando eles cairam no chão, senti estar fora do corpo e pensei comigo mesmo, em estado de euforia: "estou fora do corpo!". A euforia foi intensa e creio que segundos após, vi-me despertando dentro de meu corpo, com a memória de toda experiência acessada em bloco, sem ter tido a consciência do deslocamento extrafísico para o interior de meu corpo.

II - Breve Análise Parapsicológica

O modelo aqui adotado é o autoexperimental, fundado por Sylvan Muldoon. A experiência mostrou-me a gradação do espectro de lucidez extrafísica, indo do sonho comum, passando ao sonho lúcido e terminando com a projeção consciente propriamente dita, fora do corpo. Cada extrato de experiência mostra-se com características específicas, onde confundimos as imagens pictóricas com imagens reais de sujeitos ou coisas existentes independente de nossas mentes. A experiência provou ser de fato o sonho uma experiência onde o sujeito interage com seus próprios conteúdos mentais tal como eles correspondessem ao campo de realidade. No caso narrado, os homens-dominó eram peças mortas, conteúdo onírico pertencente ao campo da fantasia fóbica inerente ao meu instinto de proteção em relação a minha filha, em virtude das ameaças rotineiras de acampamentos, assaltos, etc. Pressuponho que o medo fantasiado pertença ao meu núcleo fantasístico fóbico o qual expressou-se em sonho. Estava eu estudando a técnica projetiva ensinada por Juan Matus a Carlos Castaneda, em fitar profundamente as imagens dos sonhos para averiguar se as mesmas se caracterizam por seres inorgânicos ou meras imagens pictóricas sem importância substancial. Creio que o fato de ter fitado os quatro homens tenha esta programação subconsciente relativo ao livro que estava lendo antes de dormir, contribuindo como fator de autoindução subconsciente. A passagem do sonho somum para o sonho lúcido é evidenciado pela intensificação da atenção para um único objeto, no caso, os quatro homens. E como fiquei lúcido?

Ocorre um fenômeno que é realmente estranho. Simplesmente emerge em minha mente uma pergunta disparadora de um tipo específico de reflexão onde expando minha lucidez e tomo ciência da existência de minha mente, apenas, ali, diante do objeto. Donde provém o pensamento? Para Muldoon esta é a lei básica da ciência da projeção, a de que o fator de comando das experiêncisa é o subconsciente. Então partirei desta hipótese, visto ter vindo meu pensamento de área subconsciente a meu campo de consciência ali, desperta. Ocorre também outro fator nesta projeção, a coragem. Lembro que precisei acumular coragem para fitar os quatro homens no olho, sem medo, firme e inflexível. Esta postura de coragem está associada a lucidez extrafísica de alguma forma. O medo contribui para a geração de imagens oníricas sem consciência, meras projeções do inconsciente fóbico. A coragem, por outro lado, contribui para o fortalecimento da lucidez e para a sustentação da atenção, atributo básico para a experiência fora do corpo consciente. Ao questionar na experiência de serem as imagens dos quatro homens, oníricas, ocorre outro fator aqui, embora estando mais de fundo e no campo da intenção, que é o querer saber a verdade real dos fatos. A pessoa que não quer saber a verdade dos fatos, não tem este tipo de experiência. Sonha como se estivesse dentro de um filme real, mal sabendo ela estar dentro de sua mente e seus medos e anseios. Este estudo ali expresso no universo mais extrafísico, é o de discernir o que é conteúdo de minha mente e o que pertence ao campo da realidade externa a mim. O raciocínio parte deste método. Desta forma, o exercício do discernimento em fazermos ciência de nossa própria atividade mental é essencial para termos uma projeção consciente. Este exercício significa investigarmos continuamente o que é conteúdo projetivo de nosso inconsciente fóbico e neurótico (sonho comum e sonho lúcido) do que é conteúdo pertencente ao campo do real, externo a nós (embora a fronteira entre o eu e não-eu seja porosa). Sem este discernimento a pessoa fica incapaz de saber se está num sonho ou se está fora do corpo, projetada.

III - Breves Considerações Finais

Este exercício serve para nossa vida, estejamos em qualquer dimensão da realidade. Quando estamos aqui, nesta dimensão, ou nas dimensões extrafísicas, o discernimento entre o eu e o não-eu, entre aquilo que nos pertence e aquilo que não nos pertence é básico para nossa saúde mental e mesmo para o domínio progressivo das aptidões parapsíquicas, sensitivas, extrassensoriais. Daí a importância de uma ciência mental auto-investigativa como pressuposto para experiências fora do corpo conscientes bem sucedidas, no sentido da autoconsciência progressiva dos processos de criação mental e de nossas reações as criações mentais, incluindo, as fantasias e devaneios diuturnos.

14.2.12

A Vida Humana como um Projeto de Reconciliação

Reconciliação consigo mesmo:
primeiro passo.
Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta
ABRAP-FEBRAP-NIAC


A vida humana é um projeto de reconciliação. Estamos durante muitas e muitas vidas aprendendo a nos relacionar uns com os outros. E diante disso, vamos criando sequelas e estas nos traz marcas, feridas, e estas estão entre os relacionamentos com determinadas pessoas. Os grupos passam a se reencontrar vida após vida e como disse o amparador evolutivo: "O amor é o caminho e o sentido. É simples assim mas difícil de entender". E para rompermos pacificamente este ciclo vicioso temos em nossas mãos a escolha pela reconciliação. Movimento profundo de perdão e entendimento: em resumo um aprender sobre o amor puro.

Então, se você não sabe para quem veio ao planeta, posso responder de forma simples: para aprender a amar. E este movimento passa pela necessidade de reconciliação com aqueles que temos conflitos, mágoas, desamores, rancores, "ranços", e assim por diante. Seu pai, sua mãe, irmão, irmã, filho, filha... primo... amigos, colegas... países, civilizações, etc. Você pode ter cisma de outro povo, de outra raça... não importa, o movimento é de integração pelo amor.
A Ciência da Reconciliação tem base empírica e disso podemos extrair alguns principios básicos:

1. Toda pessoa que se reconcilia internamente consigo e com os outros sente-se melhor consigo mesma e com os outros. Isso aumenta a qualidade de vida e o prazer de viver e estar no mundo.

2. A pessoa que mantem conflitos, incongruências e rancores mal resolvidos com os outros é a primeira que sofre. Sofre porque bloqueia sua capacidade de amar. E bloqueando sua capacidade de amar, bloqueia seu contato mais íntimo com a existência. É possivel que este movimento a leve para a doença.

3. A pessoa que sente-se em paz com os outros, com um mínimo de conflito e incongruências principalmente com seus familiares e amigos próximos, sente-se mais livre internamente; sente-se mais leve.

4. A pessoa que consegue manter-se num movimento de prevenção de conflitos interpessoais e ainda consegue reconciliar-se continuamente com aqueles que conflita direta ou indiretamente, mantem-se numa aura mais constante de benevolência.

Mas não adianta acreditar nisso.

Sugiro que faça uma lista de pessoas que tem conflito ou processos emocionais/existencias mal resolvidos. Escolha uma delas, pode ser a mais fácil de se reconciliar. Pode ser seu filho onde você ofendeu ou o tratou mal e não pediu desculpas, retratando-se. Não importa quem é. Escolha uma e tente a reconciliação. Preste atenção a todo movimento que você precisa fazer para efetivar a reconciliação. E fique bem consciente de como se sente após a reconciliação.

E diante disso, nasce o sengundo princípio: quanto mais cedo começarmos a nos reconciliar, melhor.

1. Consigo: começe a se aceitar mais, começe a se criticar (bombardear) menos e a se conhecer mais; começe a se amar mais; a se cultivar mais tal como é; evite exigir ser aquilo que acha que deve ser e passe a ser quem você é; e assim por diante. Pare se se autoassediar, começe a se autoamparar.

2. Familiares: pai, mãe, irmãos, tios, tias, primos...; começe a se reconciliar com seus familiares cultivando em sua alma uma aceitação deles tal como são. Você não pode mudá-los, não adianta. Mas você pode se modificar. Pare de assediar os outros impondo a eles aquilo que julga ser o melhor. Começe a amparar as pessoas, a começar, aceitando-as tal como são.

3. Amigos: idem. Perdoe e aceite-os tal como são. Precisamos cultivar o hábito de parar de exigir que os outros se modifiquem. A vida é o que é. No entanto, podemos nos modificar naquilo que está ao nosso alcance. Pare de assediar os outros impondo a eles aquilo que julga ser o melhor. Começe a amparar as pessoas, a começar, aceitando-as tal como são.


4. Colegas: idem.

5. Inimizades: idem.

Resultados.

Os resultados que tenho desta prática contínua são realmente impressionantes na minha vida. Sinto-me cada vez mais em paz interna a cada movimento de reconciliação e de autorespeito (auto-reconciliação). E esta sensação é indescritível, a sensação de paz interna é realmente um campo transcientífico. Damos um nome para este sentimento integral, porém, parece-me inacessível ao entendimento cognitivo comum.

Questão para auto-análise:

Você já percebe os benefícios da reconciliação e de uma vida de prevenção de conflitos? Quais os benefícios no seu ponto de vista?


25.1.12

Sobre as Rotulações de "Doente Mental" e "Personalidade Psicopática", a Dignidade Humana e a Liberdade de Auto-expressão: Considerações

Por Dr. Fernando Salvino (MSc)
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta
Conscienciólogo e Projeciólogo
Mestre em Educação (UFSC)
Esp. em Educação (UDESC)


Caro leitor, antes de ler este artigo sugiro formular seriamente para si mesmo, em sua intimidade mental, qual é o seu conceito pessoal de doente mental e personalidade psicopática.

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Introdução 

O assunto é muito, mas muito delicado e refere-se ao polêmico conceito, predominantemente clínico, do que vem a ser uma pessoa "doente mental" e ainda uma pessoa que pode ser chamada de "personalidade psicopática". Para tal irei literalmente me debruçar nos trabalhos de meus colegas no campo da Psiquiatria, área mais dedicada ao diagnóstico médico de tais taxonomias clínicas e mesmo psicofarmacológicas.

O motivo maior do clareamento destes conceitos clínicos veio-me devido ao seu uso que me pareceu em muito: inadequado, superficial e livre da complexidade que encerra o tema.

Atualmente é comum abrirmos jornais, revistas e mesmo em conversas cotidianas ouvirmos a respeito de rotulações de ordem das psicopatologias, onde pessoas dizem de forma convencente que fulano é bipolar, ou que beltrano deve ter esquizofrenia. A última que ouvi foi uma acusação pública onde a pessoa acusa a outra de ser uma doente mental e uma personalidade psicopática.


Todos nós distorcemos a realidade devido a complexidade dos processos cognitivos, que incluem além da atividade mental, as experiências passadas (desta e de vidas anteriores, incluindo o útero), as significações das experiências e as crenças nutridas que formam o paradigma de cada um de nós.

A História e a Personalidade Psicopática

Ao longo da história foram ocorrendo classificações diante do comportamento mental e social de pessoas que foram chamadas de doentes mentais. E uma categoria de doença mental foi chamada de personalidade psicopática. Um dos primeiros médicos a pensar em termos desta doença mental foi Girolano Cardamo, que a partir da morte por envenenamento de sua esposa por seu filho, Cardamo começara a criar o conceito, no speculo XIV. Após, Pinel (1801) e Prichard (1835), e, este último começa a delinear o conceito de insanidade moral que é equivalente ao conceito de psicopatia usado atualmente. Em seguida, Morel (1857), Koch e Gross (1888), Kraepelin (1904), Shneider (1923), Cleckley (1941). A classificação de Cleckley somado a contribuição de Hare, Hart e Harpur, em 1973, exporam 19 critérios para o diagnóstico da personalidade psicopática, senão vejamos:



 Critérios para diagnóstico do Psicopata (Hare, Hart , Harpur)
1. Problemas de conduta na infância.
2. Inexistência de alucinações e delírio.
3. Ausência de manifestações neuróticas.
4. Impulsividade e ausência de autocontrole.
5. Irresponsabilidade
6. Encanto superficial, notável inteligência e loquacidade.
7. Egocentrismo patológico, autovalorização e arrogância.
8. Incapacidade de amar.
9. Grande pobreza de reações afetivas básicas.
10. Vida sexual impessoal, trivial e pouco integrada.
11. Falta de sentimentos de culpa e de vergonha.
12. Indigno de confiança, falta de empatia nas relações pessoais.
13. Manipulação do outro com recursos enganosos.
14. Mentiras e insinceridade.
15. Perda específica da intuição.
16. Incapacidade para seguir qualquer plano de vida.
17. Conduta anti-social sem aparente arrependimento.
18. Ameaças de suicídio raramente cumpridas.
19. Falta de capacidade para aprender com a experiência vivida.


Os autores acima não apresentam consenso entre si, porém, ao longo do tempo o conceito, a etiologia e os critérios de diagnóstico foram sendo cada vez mais mapeados.

Ainda entre 1837 e 1847, nos EUA, especialmente Nova Georgia, fora criado o maior Hospital Psiquiatrico do planeta o Central State Hospital, local que trabalhei como médico neste século e tive o contato direito com o fenômeno da doença mental e insanidade mental, desajustes sociais e a questão de depósito de pessoas que eram consideradas anomalias sociais sem qualquer critério diagnóstico. O caso fora publicado em minha bibliteca digital de artigos científicos, com o nome de "O Caso de Thomas Green" (clique aqui). Por exemplo, a pessoa perdia o emprego, ficava desempregada e seu transtorno devido a isto levava-a a ter comportamentos desajustados (crise existencial) e o internamento por estes motivos eram comuns.

Esclarecem Balone e Moura:


"Tem havido bastante controvérsia em relação ao conceito de Personalidade Psicopática ou Anti-social. Há autores que diferenciam psicopata de anti-social, mas, em nosso caso, essa distinção é dispensável em benefício do melhor entendimento do conceito. Howard sugere que os conceitos de psicopatia podem agrupar-se em três tipos:


 Conceitos de Psicopatia de Howard
 1) Um tipo Sociopata, caracterizado por conduta anti-social crônica que começa na infância ou adolescência como Transtorno de Conduta;
2) Um tipo Secundário,  caracterizado por um traço de personalidade com alto nivel de impulsividade, isolamento social, e perturbações emocionais (a conduta sociopática seria secundária à essas alterações emocionais e da sociabilidade); e
3) Um tipo Primário caracterizado apenas por a impulsividade sem isolamento social e perturbações emocionais (a qual pode-se aplicar aos criminosos comuns).

Isso não implica que cada um desses três tipos seja mutuamente excludente; a sociopatia é vista como um conceito amplo que engloba tanto a psicopatia primária como a secundária, assim como uma alta proporção de criminosos comuns."

Já Otto Kemberg "classifica a sociopatia de modo diferente. Para ele é extremamente difícil fazer o diagnóstico da psicopatia, quando a situação clínica não está claramente definida."

Assim de acordo com a posição mais atual temos as seguintes características das personalidade psicopáticas:

1. Encanto superficial e manipulação
2. Mentiras sistemáticas e comportamento fantasioso
3. Ausência de sentimentos afetuosos
4. Amoralidade
5. Impulsividade
6. Incorregibilidade
7. Falta de adaptação social


Sobre Rotulações-Diagnósticos feitos por Pessoas e Profissionais não-Psiquiatras

Como conclusão preliminar é notório que os critérios são altamente subjetivos e na mesma ótica que Otto Kemberg, somente a clínica psiquiátrica e o médico Psiquiatra dentro dos critérios estabelecidos pela ciência médico-psiquiátrica atual poderá dizer se tal pessoa é ou não, uma personalidade psicopática ou mesmo um doente mental.

Caso contrário, se houver a rotulação pública poderá o sujeito rotulado haver-se do Direito para fins de processo crime e mesmo de danos morais. De qualquer forma, cada caso é um caso.

A pessoa que publicamente rotula outro sujeito de doente mental e personalidade psicopática, por exemplo, pela internet com acesso por milhares e milhares de pessoas, não apresenta uma noção clara dos danos que podem advir de tal comportamento. Merece por parte da vítima, o processamento para que o acusador prove o alegado judicialmente até mesmo pela via de perito médico-psiquiatra e mesmo perícia psicológica.

A Parapsicologia Clínica limita-se ao campo da Psicoterapia de natureza Transpessoal, Integral, Evolutiva, portanto, obedece a outro critério de entendimento da pessoa humana, além da doença mental, opero com a noção de personalidade palingenética e a compreensão da doença enquanto processos de conversão e inversão PK, produtos de dissociações cognitivas que podem ter origem em traumas e significações de experiências antigas, ainda antes desta vida humana. De qualquer forma, nem toda pessoa possui condições psíquicas de enfrentar uma psicoterapia, e, como diz meu amigo psiquiatra, existem pacientes psicóticos que não conseguem estar em psicoterapia e necessitam de terapia ocupacional.

O Respeito a Dignidade da Pessoa Humana

É importante que possamos diagnosticar como funciona os processos de manipulação interconsciencial, no uso profissional de argumentos e retórica para o convencimento de outros diante de um fato ou suposto fato, no caso, o ato de convencer um determinado grupo de que fulano é um doente mental e uma personalidade psicopática.

Sylvan Muldoon foi o primeiro cientista, ao que parece, ter exposto a máxima "não desejo que acredite em nada que escrevo. Digo experimentai e então saberás". Esta máxima expõe que é necessário que nos ancoremos em nossas experiências, idéias e sentimentos em relação aos fatos, antes, para depois, darmos ouvidos ao mundo externo, sem nega-lo mas sem hipervaloriza-lo.


Os pesquisadores que investigam os processos de manipulação em massa sabem muito bem do poder de determinados sujeitos na escravização mental, emocional e intelectual de determinados grupos de pessoas e que, não importa ser um grupo de religiosos, agnósticos ou mesmo políticos, podendo ser um grupo de cientistas. A fascinação grupal é factível de ser encontrada em grupos que seguem modelos pré-concebidos e caminhos rígidos como se fossem os melhores caminhos e os únicos. Isto ocorre com a política, onde partidos defendem que suas idéias são as melhores em detrimento dos demais, que são colocados como inferiores. Ocorre na religião, onde grupos dizem ser melhores que outros e até mesmo podem criar uma guerra para a exclusão definitiva daquele agrupamento.

Quando um sujeito expõe seu ponto de vista antagônico num grupo homogêneo que é regido por determinadas crenças arraigadas, este sujeito pode ser rotulado e tratado como uma anomalia no sistema grupal. Esta anomalia pode ser acompanhada por processos difamatórios e discriminatórios e mesmo aquele famoso rótulo: "esse cara é doido!", "esse cara é maluco", "é doente mental", "ele precisa é ir para um psiquiatra tratar dessa doença mental" e assim por diante.

A rotulação do outro que se diferencia do grupo, seja por que motivo for, é comum que seja pelo rótulo de "louco", ou noutras palavras de "doente mental", o que expõe a intenção do sujeito acusador em expulsar o indivíduo (antes um sujeito coletivo) do grupo homogêneo, pois o mesmo ameaça a integridade homogênea do grupo, as lideranças, as estruturas de poder, crenças e paradigmas.

É perigoso dar voz a uma personalidade antagônica, ela pode atrair para si adeptos e foi o que ocorreu ao longo da história da ciência, tais como nos seguintes exemplos:

1. Freud e seus famosos conflitos com Carl Gustav Jung e as questões do que é ou não é Psicanálise.
2. Os conflitos de Wilhelm Reich e a comunidade psicanalítica e sua teoria da orgasmoterapia, orgonoterapia e o de energia orgonótica, couraça de caráter, etc.
3. Os conflitos conhecidos entre o renomado parapsicólogo e psicobiofísico Hermani Guimarães Andrade, sua teoria corpuscular do espírito e modelo organizador biológico e o espiritismo instituido.
4. A discordância aparentemente interminável entre os Parapsicólogos sobre uma suposta teoria geral da parapsicologia e sobre um paradigma unificador e a existência de diversas escolas de parapsicologia.
5. As discordâncias aparentemmente também intermináveis entre os paradigmas da Psicologia, também disseminada em múltiplas escolas, paradigmas e técnicas.
6. A dissonância até hoje existente sobre uma teoria geral da sexualidade humana e os ataques ainda ocorridos contra a pessoa de Sigmund Freud e a Psicanálise.
7. Os ataques ainda existentes contra Allan Kardec e o espiritismo pelo meio científico.
8. As divergências entre os Conselhos profissionais da área Médica e Psicológica antes a prática médica e psicológica, sendo que é comum no Brasil ambos profissionais atuarem com a área que atuo, com Psicoterapia profunda e técnicas proibidas pelos conselhos acima.

Ou seja, a uniformidade é praticamente impossível de se alcançar. Um paradigma único e legalizado é praticamente uma utopia irrealizável.

Diante disso, é importante expor que nem toda discordância num grupo é antagonismo assediante num grupamento, sendo, portanto, necessária para a transcendência do estagnado em direção ao exercício cada vez mais pleno da liberdade ética.

Outro fator sério é o conceito de ética e, mais sério ainda, do que cosmoética. Digo na prática operacional da vida e não na teoria e no campo reflexivo, pois em nome de uma suposta moral e de uma suposta ética, temos guerras santas e outras atrocidades, como a famosa guerra ao terrorismo. Assim também, temos expulsões de pessoas com personalidades mais fortes que não aceitam a homogeinidade de certos agrupamentos e de suas características de seita, assim como fizeram certos físicos como Fritjof Capra e David Bohm, ao instalarem no campo da ciência, novos rumos de paradigmas mesmo estando no contra-fluxo dentro de sua própria área científica.

É comum também que gênios sejam chamados de "loucos", e Einstein deve ter lidado bem com estes rótulos ao não dar muita importância para as críticas severas que deve ter recebido diante de sua proposta para a física. Assim como tantos outros cientistas e filósofos que até hoje carregam pesadas críticas. Quanto mais antagônico com o sistema vigente, quanto mais libertário é o pensamento maior será o ataque, senão vejamos em Osho que, apesar de seus defeitos (que todos temos), afirmava categoricamente não pertencer a nenhuma seita, religião ou ciência e defendia a livre manifestação do pensamento e a meditação que independia de conhecimento intelectual e formação acadêmica. Isso abala muita coisa.

O respeito a dignidade da pessoa humana é a máxima constitucional e da ética universal e nós psicoterapeutas, parapsicólogos e cientistas do campo mais sutil da ciência, a consciência (psiqué, psi, mente, alma, espírito, atman) temos que nos ancorar nesta máxima, sempre respeitando o livre direito das consciências se manifestarem, direito este natural e irrevogável, por mais penoso que seja tal e tal manifestação. Nenhuma agressividade desmedida, nenhuma coerção física ou moral se justifica diante de uma manifestação pública de uma posição científica.


E como Jung, quero finalizar este artigo com a sua frase:

"Eu não tenho Igreja, eu sou a minha Igreja".




Referência bibliográfica integral deste artigo:

Ballone GJ, Moura EC - Personalidade Psicopática - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br/, revisto em 2008. (clique aqui e acesse)

Ballone GJ, Moura EC - Transtornos da Linhagem Sociopática - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.

(Meus agradecimentos ao psiquiatra GJ Balloone e EC Moura pelo artigo esclarecedor)


Referências adicionais para aprofundamento da pesquisa:



1. Bercherie P - Los fundamentos da clínica, editorial Manantial, Buenos Aires, 1986.
2. Berrios G - Puntos de vista europeos em os transtornos da personalidad, Comprehensive Psychiatry, Nº 1, 1993.
3. Bruno A, Tórtora G - Las psicopatías, Psicologia forense, Sexologia e praxis, año 3, vol. 2, Nº 4, año 1996.
4. Garrido GV – Psicópata, Editorial Tirant Lo Blanch; Valência; 1993.
5. Hare RD, Forth AE - Psychopathy and lateral preference. Journal of Abnormal Psychology, 94(4): 541-546, 1985
6. Howard RC - Psychopathy: A Psychobiological perspective. Pers. Indiv. Diff. 7 (6): 795-806; 1986
7. Kernberg O - Diagnóstico Diferêncial da Conducta Antisocial, Revista de Psiquiatría, 1988,volúmem 5, página 101 a 111, Chile
8. Laplanche J, Pontalis B - Diccionario de psicoanálisis, Editorial Labor, Barcelona, 1981
9. Lewis CE - Neurochemical Mechanisms of Chronic Antisocial Behavior (Psychopathy). The Journal of Nervous and Mental Disease. 179(12):720-727, 1991.
10. Pinel P - Tratado médico filosófico da enajenação mental o mania, Edições Nieva, Madride 1988.
11. Schneider K - Las personalidades psicopáticas, Edições Morata, 8º edição, Madrid, 1980
12. Zuckerman M - Impulsive unsocialized sensation seeking: the biological foundations of a basic dimension of personality, in Temperament: Individual differences at the interface of biology and behavior, Washington D.C. American Psychological Association, 1944 (Edited by J.E.Bates & T.D. Wachs).
13. Zuckerman M - Psychobiology of Personality. Cambridge University Press, New York, USA, 1991.






17.1.12

Agradecimento aos 30.000 acessos!

30.000 acessos. 68 países.
Por. Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo


O ano de 2012 começou com um presente a todos nós que somos beneficiados com esta revista: alcançamos a marca dos 30.000 acessos, hoje, em 68 países do globo terrestre (veja aqui).

A quantidade de acessos, a participação direta com comentários ou na intimidade dos emails e envolvimento com os assuntos aqui tratados superam a cada dias nossas expectativas. Digo "nossas" porque este trabalho é amparado pela inspiração direta dos amparadores extrafísicos que me auxiliam na escolha, definição e organização das temáticas aqui trabalhadas, bem como das modificações da revista e mesmo da orientação para uma publicidade universalista, planetária, facilitando a execução da programação existencial policármica.

E é a todos que agradeço, leitores e amparadores extrafísicos por este modesto trabalho não-remunerado que visa semear grãos no imenso campo fértil da evolução da consciência na Terra.

Com meus sinceros e energéticos agradecimentos,

Fernando Salvino.

9.1.12

Ensaio sobre a Taxonomia das Experiências Extraterrestriológicas: Subsidios para a Orientação e Aconselhamento Psicoterapêutico-Parapsicológico-Clínico ao Paciente


Esboço de uma Estação Projeciotrônica Avançada no
interior de uma suposta nave espacial ou laboratório
extraterrestre (fonte: W. Borges).
O esboço mostra que
estamos lidando civilizações que dominam altas
tecnologias da consciência.

Por Dr. Fernando Salvino (MSc.)
Parapsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo, Projeciólogo
Consultório de Parapsicologia Clínica e Psicoterapia Integral e Hospital Universitário - UFSC - Projeto Amanhecer

Parapsicólogo Clínico (IPCM) e Parapsicólogo titulado pela ABRAP/FEBRAP
Psicoterapeuta (CRT 43.290)
Membro ABRAP - Associação Brasileira de Parapsicologia e IPRJ - Dr. Geraldo Sarti.
Pós-graduando em Parapsicologia pelo IPPP - Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas
Projeciólogo e Conscienciólogo (IIPC)
Projetor consciente, Parapsiquista e Pesquisador Independente desde a infância, com mais de 150 artigos publicados.
Mestre em Educação (UFSC) - Esp. Educação (UDESC) - Bel. Direito (UNIVALI)


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Dedico este ensaio, principalmente, a todas as pessoas que necessitam urgentemente de assistência, amparo, acolhimento e orientação adequada para lidar de forma lúcida e aberta com o fenômeno extraterrestriológico que vivenciaram e vivenciam, dos mais transcendentes existentes e aos meus amigos Parapsicólogos Clínicos / Psicoterapeutas, que atuam na complexa tarefa social de prestar assistência aos pacientes sensitivos (parapsíquicos) de todas as ordens.

Dedico carinhosamente este ensaio às consciências extrafísicas e intrafísicas de procedência longínqua, extraterrestres de fato, que tem junto de nós a função de expansão do universalismo e da consciência cósmica, assim como abrir-nos as mentes para a exobiologia onipresente no universo, seja através da demonstração da cosmoética ampla ou mesmo da antiética, facilitando nossa saída da vila terrena em direção a uma cosmocracia viva.

Aos meus amigos e parapsicólogos de todas as horas Guilherme Kilian e Dr. Geraldo Sarti, pelos muitos e muitos diálogos extraterrestriológicos abertos e isentos e sobre os muitos a respeito dos fundamentos da sanidade mental, da ciência e das questões transcendentais. E é pela "democratização da transcendência" (Sarti) que venho expor este escrito.
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1. Das Considerações iniciais


O assunto é muito mais que polêmico e como disse minha querida mãe, após dialogarmos acerca das experiências extraterrestres e de sua única suposta experiência diante de OVNI (objeto voador não-identificado), “as pessoas acham que isso é loucura”.

Diante disso, irei percorrer inicialmente, o conceito de loucura e situá-la dentro da concepção do conceito de normalidade ou daquilo que nos faz ser pessoas “normais”. É importante salientar que, ainda teremos de situar a condição de existência, entre os “normais”, daqueles secularmente apelidados de “paranormais”. Assim, loucura, sanidade, normalidade e paranormalidade, são realidades que caminham de mãos dadas, o tempo todo.

Apesar de ser Psicoterapeuta e por isso prestar auxílio a pessoas que nada tem a ver com parapsiquistas, médiuns ou por ter passado por experiências transcendentes, existe um grupo, seleto de pacientes que me procuram, devido a minha especialidade, treinamento e experiência, para lidarem com suas experiências parapsíquicas, quando não raro, com experiências extraterrestres. O assunto é sério, para não dizer, seríssimo, e foi classificado pelo eminente psiquiatra Dr. Sanislav Grof, como "emergência espiritual", dentro da gama de experiências que acarretam potentes e definitivas modificações na personalidade inteira do indivíduo.

2. Sobre a "loucura": uma fabricação social?

Como já escrevi noutros ensaios, o medo da perda total da sanidade mental e da desestruturação integral daquilo que Freud chamou de “eu” (Ego), parece-me ser um dos principais centros por onde gravitam as desordens psíquicas. De qualquer forma, neste momento, estamos lidando com o medo da insanidade mental ou a loucura.

O loucura é o estado da mente, ou o estado psíquico, onde a consciência ou a pessoa, perde as noções de realidade, tal como compartilhadas por determinado contexto sócio-cultural (paradigma dominante). Assim, se um paciente disserta a seu psiquiatra sobre suas supostas experiências transcendentes diante da realidade extraterrestre, poderá este profissional, considerar que o paciente sofre de algum distúrbio psíquico associado aos processos psicóticos, especialmente, a esquizofrenia (do latim: mente dividida, fragmentada, dissociada). O exemplo mostra a evidência de que, a loucura e a sua correspondente patológica, a psicose ou esquizofrenia, podem ser, em determinados casos, aplicações limitadas de modelos de normalidade pré-estabelecidos e que podem estar equivocados. O sujeito paciente, neste caso, por não poder socialmente compartilhar no seio de seu convívio familiar e social seus experimentos transcendentes relativos ao campo extraterrestriológico, poderá sofrer grave impacto psíquico, por ter de, coercitivamente, recalcar tamanha pressão psíquica gerada pelas vivências extraterrestriológicas.

A sociedade, após os esforços coerentes de Allan Kardec e diante das demais linhas do saber humano que operam com as noções de multidimensionalidade cósmica e pluralidade dos universos habitados, pode hoje, aceitar melhor as experiências compartilhadas socialmente no que diz respeito aos assuntos, que posso chamar aqui, de “espíritas”, relativos às comunicações com as consciências extrafísicas de parentes ou conhecidos ou até mesmo os casos mais agudos e obtusos de assédio extrafísico (obsessão). É mais fácil aceitar socialmente a realidade multidimensional da possessão espiritual ou extrafísica, do que os fenômenos avançados relativos à extraterrestriologia. O assunto é tão impactante que o simples “falar” gera conseqüências imediatas em grande parte das pessoas que, diante do descontrole e desconhecimento total do campo, defendem-se para fins de preservação do eu e seus conceitos e crenças da realidade.

E é aqui que entra a concepção de que a fenomenologia extraterrestriológica pertence à orbe da insanidade mental ou da loucura: psicose (esquizofrenia). Desta forma, a pessoa acometida por dissociação de personalidade associada a vivências de fenômenos ultra-transcendentes, como o são os extraterrestriológicos, somente se dissocia pelo simples fato de não ter o acolhimento social de sua experiência subjetiva e impactante. O mesmo aconteceria com os sonhos, se eu e você, não pudéssemos falar livremente que sonhamos sem o risco de sermos interpretados como “loucos” ou “psicóticos”.

Antigamente, as “vozes ouvidas” e que vinham do “invisível”, eram tidas como manifestações de insanidade mental. Atualmente, até mesmo a psiquiatria está de ouvidos abertos para outras possibilidades de diagnóstico, inclusive pelo crescente envolvimento de psiquiatras nos movimentos: roza-cruz (cristianismo místico, multidimensional), união do vegetal, espiritismo, budismo, parapsicologia, projeciologia e assim por diante. Atualmente, sabemos que as vozes ouvidas podem estar associadas a fenômenos de ordem extrassensorial, tal como a clariaudiência associada sim, a consciências extrafísicas interagentes com o campo da pessoa afetada.

Mas, em se tratando do campo da extraterrestriologia, ou a investigação avançada, cosmoética e multidimensional dos fenômenos extraterrestres, temos uma certa “negralgia consciencial do trigêmio”. O assunto, como disse, gera as mais impactantes resistências. Uma coisa é lermos revistas superficiais sobre Ufologia e seus relatos sobre abduções e avistamento de ÓVNIS. Outra coisa é a própria pessoa atravessar tal vivência e ter de lidar com o impacto psíquico profundo que tais vivências acarretam. E é justamente o impacto que pode levar a pessoa a perder o “fio da realidade”, por alguns motivos, tais como:

1.    Após a experiência extraterrestriológica, a pessoa entra em crise existencial imediata e, por isso mesmo, tende a compartilhar da vivência com pessoas próximas.
2.    Em tese, as pessoas próximas irão resistir, se defender e mesmo rejeitar, ou em muitos casos, fazer crer que a pessoa está ficando “louca”.
3.    A pessoa que experimenta o fenômeno sabe ter sido real e, evita o contato com os entes queridos, pois os mesmos atuam como poderosos agentes agressores e repressores.
4.    Nesta condição, a pessoa pode buscar ajuda em locais menos repressores, mas pouca ajuda terá, até mesmo nos próprios locais que se dizem abertos a tal campo, como a Ufologia e mesmo a Projeciologia.
5.    Após, a pessoa pode entrar em estados psíquicos de sofrimento por ter de lidar com o assunto de forma autodidata, se conseguir, ou pode aos poucos perder o contato com a realidade e ter instalado um distúrbio psicótico, com fortes dúvidas pessoais e insanáveis a respeito da própria sanidade mental.
6.    Ou, a pessoa pode por vias próprias, conseguir lidar com o fenômeno no íntimo de seu anonimato, sozinha em conjunto com os autores que escreveram abertamente sobre o assunto. E assim, ter por conta própria restabelecida sua saúde mental a partir do movimento contínuo de autopesquisa.

O leitor ou leitora pode perceber que o assunto é mais que sério e transcende tudo o que estamos habitados a pensar e mesmo acreditar. O campo da extraterrestriologia é dos mais avançados que temos ciência, mais ainda que a cosmologia acadêmica.

O paradigma que irei percorrer neste artigo considera o cosmos ou o universo como um ecossistema multidimensional infinito em todas as direções e profundidades, plurihabitado por consciências independente do espaço-tempo associado, sejam consciências intra-físicas ou extra-físicas, ou ainda, consciências projetadas para fora de seu corpo. Diante disso, as experiências extraterrestriológicas são além de possíveis ao ser humano, inevitáveis, diante da realidade “real” do cosmos. Qualquer paradigma, concepção ou crença que se oponha a tal condição será considerada aqui, como manifestação de dissociação de realidade, espécie de psicose da normalidade.

A psicose da normalidade é a crença, o paradigma, compartilhado e que não tem correspondência com a realidade, tornando-se psicose de grupo ou pseudo-normalidade. A sanidade mental advinda daí, se refere a permissão de compartilhar de tais e tais experiências sem coerção psíquica. A pessoa que acredita fielmente não existir nada além do cérebro, ou mesmo que seu eu é produto da atividade fisiológica, está a cultivar a “psicose da normalidade”. Acontece que tal crença individual é compartilhada no seio social, então, torna-se uma “verdade” socialmente compartilhada. Assim, situo a “verdade” como um saber socialmente aceito e não questionado. E trago a questão de “realidade” como um campo que existe independente de nossas crendices e paradigmas.

E é no campo da “realidade” que está situada a experimentologia multidimensional extraterrestre.

3. Sobre as diferenças entre “normal” e “real”

As diferenças entre o que é normal e real são bastante claras. Normal é o que é a norma. A norma é o que é a regra. E regra é todo sistema de “leis” que procuram explicar um determinado conjunto de fenômenos e que é aplicada pelas pessoas que estão “jogando” o mesmo “jogo social”.

O “real” é diferente. O real é a fonte da regra. A regra se modifica, o real parece que não. A percepção do real se modifica, mas o real parece que não. Assim, nem tudo que é “normal” é “real”. Assim muitos diagnósticos psicopatológicos associados a fenômenos para-normais não estão ligados ao “real”. E muitos diagnósticos que apontam para fenômenos paranormais, também não estão ligados ao “real”. Em síntese, real e normal, são campos diferentes.

Por exemplo: “A pessoa relata ter sido capturada por nave espacial e, dentro desta nave, fora submetida a uma série de intervenções realizadas por entidades extraterrestres muito diferentes do ser humano.”

O “normal” é acharmos que a pessoa está “saindo da casinha”, como diz o dito popular, “ficando louca” ou tecnicamente, está tendo manifestações psicóticas de dissociação da realidade. Mas, como o “normal” pode não estar em correspondência com o “real”, a pessoa pode estar falando a “verdade” sem que tudo o que ela fale tenha qualquer correspondência com o “normal”. O “normal” aqui é tudo o que é considerado existente para um dado contexto sócio-temporal. Sabemos que o “normal” de ontem, era o “a-normal” ou o “para-normal” de hoje. Antigamente, era considerado “para-normal” ou “loucura” os fenômenos da histeria. Após, o mesmo fenômeno, foi considerado uma manifestação de sofrimento psíquico de processos inconscientes associados à distúrbios da sexualidade (Freud). O que hoje é “a-normal”, “loucura”, “insanidade” ou “psicose” pode não o ser amanhã. E o que muda então? Muda a percepção da mesma realidade.

4. Sobre a Lógica Inclusa do Infinito - L(∞), Transciência e Extraterrestriologia

Conforme já escrevi noutro artigo, sem L(∞) fica complicado incluirmos a gama de experimentos da extraterrestriologia ao campo da ciência possível, além de termos de considerar que muitos dos campos da extraterrestriologia pertencem aos domínios da Transciência, sem possibilidade alguma de entendimento através de nossos recursos cognitivos e mesmo metacognitivos (cosmoconsciência). Existe um território que não poderá ser compreendido, por enquanto, pela ciência, mesmo a avançada conscienciologia e seu braço, a extraterrestrilogia.


5. A experiência como agente de modificação da percepção da realidade

E nada mais eficiente que a experiência como agente de modificação da percepção da realidade. E é diante disso que uma pessoa que passa por experiências extraterrestriológicas tem sua percepção instantaneamente modificada organicamente e sistemicamente, pela vivência ultra-transcendente.

E se “realidade” é em grande instância, o que “percebemos” e “significamos” baseado em nossas “experiências”, temos que o que é considerado “a-normal” ou “para-normal” ou ainda “psicopatológico” por determinado contexto social, só deixará de ser assim considerado a partir das potentes modificações de percepção advindas das experiências extraterrestriológicas e mesmos "incomuns" ou "para-psíquicas".

6. Sobre a taxonomia das experiências extraterrestriológicas: primeiras tentativas

Podemos classificar as experiências extraterrestriológicas a partir das seguintes categorias, que se mesclam e estão interconectadas:

1. Experiências entre consciências intrafísicas: neste caso a consciência, ou a pessoa humana, tem contato direto com outra consciência, no caso, extra-humana, pertencente a uma outra organização fisiológica. O contato neste caso é de 3º e 4º grau (abdução e rapto para interior de nave física).


2. Experiências entre consciência intrafísica e consciência extrafísica: experiências relacionadas a contatos telepáticos, mediunismo, clarividência de consciex extraterrestre e assim por diante.

3. Experiências entre consciências extrafísicas: duas consciexes, uma de natureza mais humana (psicossoma de forma humanóide) e outra de natureza extra-humana, com outra constituição psicossomática (psicossoma extraterrestre sem forma humana).

4. Experiências entre consciências intrafísicas e objeto extraterrestre supostamente intrafisico (voador ou não): avistamento de OVNI, "rapto", e assim por diante.

5. Experiências entre consciências intrafísicas e objeto extraterrestre supostamente extrafísico (voador ou não): clarividência de para-tecnologia extraterrestre e assim por diante.

6. Experiências de exoprojeção (sempre extraterrestres): onde a consciência, seja ela extraterrestre ou humana, sair do corpo, em psicossoma, para fora de seu planeta de origem em direção ao hiper-espaço cósmico. Pode ocorre aqui as expansões de consciência cósmica ao hiperespaço multidimensional pela complexa e pouco compreendida clarividência viajora.

7. Experiências de cosmoconsciência: onde a consciência, seja ela extraterrestre ou humana, sair do corpo, em mentalsoma, para fora de seu planeta de origem em direção ao hiper-espaço cósmico.

7. Considerações finais

O ensaio procurou situar a experiência extraterrestriológica no campo da realidade, mesmo que esta não seja considerada normal ou pertencente à sanidade mental humana, ou ainda pertencente ao campo da psicose/esquizofrenia. Assim, estabeleci um debate ontológico acerca do normal, real e para-normal, relativisando os conceitos e expandindo as possibilidades experimentais ad infinitum.

No sentido de prestar a assistência à pessoas que passam por experiências extraterrestriológicas e ficam perturbadas diante da alteração súbita da estrutura geral da personalidade, terá a Extraterrestriologia sua função.

No sentido de investigar de forma ampla e multidimensional, a partir do paradigma elástico e aberto da conscienciologia e projeciologia, terá a Extraterrestriologia um campo de fato, ad infinitum, a investigar, estando o tempo todo, lado a lado, com a impossibilidade de investigar, a Transciência.

No sentido de ajudar os ajudadores daqueles que passam por experiências extraterrestriológicas, tem a taxonomia o objetivo de servir como mapa dinâmico e temporário da zona experiencial extraterrestriológica, e facilitar a assistência, a orientação e o aconselhamento ao paciente perturbado com as experiências. Em determinados casos, facilitar a psicoterapia prestada por profissional qualificado: médico, psicólogo, parapsicólogo ou psicoterapeuta.

No sentido de contribuição para uma Transciência, tem a Extraterrestriologia sua função básica de motivar a todos a sairmos de nossos corpos em direção ao hiperespaço cósmico, extraterrestre, de forma lúcida, em psicossoma ou pelo mentalsoma, até a cosmoconsciência ou a experiência do autoconhecimento puro.

O tema é potentemente profundo e deixo este ensaio sem considerações finais definitivas, pois estas não existem, por enquanto. O espaço está aberto.

(o artigo não foi revisado, portanto, pode ter erros de gramática ou concordância, ou ainda, pode ter alguma incongruência de informação a ser progressivamente corrigida. Aguardo sua colaboração para o aperfeiçoamento deste texto-esboço).

6.1.12

Superando Traumas de Abuso com o Auto-Respeito e Amor-Próprio

O Orgulho
Por Dr. Fernando Salvino (MSc.)
Parapsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo


O orgulho é a atitude de prepotência e desprezo perante o outro. A definição é simples, porém suas manifestações acarretam danos quase irreparáveis nos relacionamentos. No relacionamento amoroso o assunto merece maior atenção, visto que o orgulho faz o casal fechar-se em si mesmo, delegando o diálogo necessário para as contínuas sincronizações do casal para o baú do egoísmo. Em determinado caso, é um dos parceiros que se fecha, impondo ao outro o local do desprezo e da culpa. A culpa leva quase que inevitavelmente ao sentimento de humilhação. A defesa contra a humilhação é o orgulho. E assim prossegue o círculo vicioso. E este fechamento pode levar a conflitos e a separação conjugal.

A patologia do orgulho acomete a todos nós, imaturos no processo de reconciliação e prevenção de conflitos cármicos nos relacionamentos interpessoais e interconscienciais. A humilhação se deve ao processo do abuso que ocorre nos relacionamentos: o abuso interconsciencial.

O que me motiva a escrever sobre isto é, logicamente, minha experiência de vida e, a de meus pacientes, diante dos relatos agudos de abuso e mais abuso, e no extremo da escala, o abuso sexual. Assim, venho resumir neste espaço a minha abordagem no tratamento dos casos de abuso, tratamentos lentos em geral, e que demandam a prática do auto-respeito honesto que na essência é o aprendizado de amar a si mesmo.

Sobre o abuso interconsciencial: sintoma do desamor (ódio, raiva...)

O abuso interconsciencial é a ação intencional ou não de ultrapassar os limites de si mesmo e dos outros, gerando danos psíquicos e, em determinados casos, físicos. Ou seja, a grande parte dos relacionamentos humanos, sejam conjugais ou não, são atravessados por atos abusivos de desrespeito dos limites intrapsíquicos e interpessoais.

O abuso leva à mágoa e o ressentimento e estes à humilhação. Assim, como disse acima, a defesa contra a humilhação é o orgulho. O orgulho com isso é uma estrutura defensiva da personalidade diante da incapacidade pessoal de lidar com o sentimento de humilhação diante de determinado ato ou atos de abuso interconsciencial. Por outro lado, o orgulho é, em si, um tipo específico de abuso interconsciencial.

O orgulho como contra-abuso: a agressão silenciosa

Nós, quando estamos orgulhosos diante de algo, que pode ser a nós próprios ou mesmo diante de nossos parceiros ou parceiras, estamos abusando de si e/ou do outro. O abuso gerado pelo orgulho se deve ao procedimento de manter o outro no "gelo", "à deriva", "de lado", num ato de prepotência agressivo-silenciosa, dando o recado: "eu estou certo(a), você é o(a) culpado(a), portanto, merece ser punido(a)". Esta crença nutre a atuação do sistema de defesa do orgulho e torna o outro um desprezado levando-o à humilhação. E a humilhação parece ser um dos piores sentimentos a se vivenciar e tentamos evitar de todas as formas. O orgulho é um dos meios usados. E, se não existem ninguém para nos hummilhar e nos punir, surge a figura do "Deus" punidor e humilhador, e do "religioso" para dar a absolvição do pecado. E o ciclo patológico prossegue institucionalmente.

Reconhecendo nosso lado abusador: o auto-abuso como núcleo gerador do orgulho

A grande maioria da humanidade está ainda manifestando o traço do abuso nos relacionamentos consigo e com o outro. Desta forma, o auto-abuso é o núcleo gerador do orgulho. Porquê?

Ao instalarmos o orgulho como defesa da humilhação, acabamos por bloquear nossos centros de sentimento de amor e fraternismo perante o outro. Assim, privamos a nós mesmos de sentir amor e nos entregar aos relacionamentos, necessários para nossa saúde mental e existencial. Isto gera consequencias desagradáveis nos relacionamentos. O orgulho gera um enrijecimento do sistema emocional, tornando-o rígido nas idéias e percepções do outro como "o culpado" e do eu, como "a vítima", tornando o corpo rígido e a musculatura pode comprimir sistemas esqueléticos, tornando-os dolorosos até a doença física. O "orgulhoso" crê ser superior aos outros, quando encobre traços de inferioridade, numa oscilação de distorções cognitivas, onde na essência nem é inferior nem superior.

Interrompendo o ciclo vicioso do auto-abuso e do orgulho

Se conseguirmos nos respeitar mais, dando maior espaço para o respeito aos nossos limites dentro daquilo que nos faz bem e evitando o que nos faz mal, poderemos evitar o abuso vindo das outras pessoas, energias e consciências. Desta forma evitaremos a mágoa e o ressentimento e, por consequencia, a humilhação. Para os fatos danosos de nosso passado, a catarse psíquica e fisiológica, bioenergética, pode funcionar para a dissolução das couraças do caráter, exalando a agressividade contida no campo, corpo, idéias e sentimentos, fazendo a energia retornar a circular mais livremente no corpo. Mas, nada adianta se padrões de crenças distorcidas e o entendimento da dinâmica não for aplicada visando a reciclagem de si mesmo.

Assim, precisamos parar de nos abusar. Isto significa uma vida prática, no dia a dia, de maior respeito perante nós próprios. Ao interrompermos dia a dia, o auto-abuso, poderemos lidar melhor com as tentativas inevitáveis dos abusos cometidos pelos outros, com uma atitude mais lúcida e fraterna, e menos orgulhosa e retaliadora. O orgulho é uma fachada de não honestidade

Metabolizando o abuso pelo auto-respeito

O orgulho é uma fachada de não-honestidade de nós mesmos diante de nós mesmos, para depois, ser diante dos outros. Se formos honestos, precisamos migrar para dentro de nós, visando metabolizar os sentimentos de abuso cometidos contra nós, nossos núcleos de humilhação, para gradualmente, irmos lidando melhor com os relacionamentos. Este metabolismo do abuso tem como sintoma a reconciliação consigo e com o(a) abusador(a). Este processo foi chamado de "perdão", e não quero aqui situar o perdão dentro do contexto consolador da religião, mas antes disso, o perdão como uma resultado de atos honestos por parte de nós, visando o restabelecimento da saúde mental, emocional e existencial.

O auto-respeito é a prevenção definitiva do auto-abuso e, por consequencia, dos atos abusivos dos outros.

Finalizo este pequeno artigo com a máxima de Confúcio:

"Aquele que ama a benevolência não pode ser derrotado, porque ele não permite que a não benevolência contamine a sua pessoa".