25.1.10

Transciência e Paranormalidade

Por Fernando Salvino (MSc.) - Parapsicólogo

A Parapsicologia é a investigação científica da função psi e do agente psi ou o núcleo inteligente do cosmos também chamado, psiqué, espírito, alma ou consciência, através de uma ótica aberta, universalista e espiritual.

Ao longo da história da investigação de psi a Parapsicologia firmou-se como uma área das ciências que estudaria os fenômenos que estavam além do normal: paranormalidade. Assim, as aparições, poltergeist, mediunismo, experiência fora do corpo, precognição e outros fenômenos desta natureza foram colocando a Parapsicologia como a ciência dos fenômenos paranormais. Da mesma forma, a Psicologia foi se firmando como uma ciência que investigava a psiqué, sendo que hoje, acaba firmando-se no comportamento puramente observável, retirando de seu campo de conhecimento, o universo amplo da paranormalidade. Assim temos a Parapsicologia, que acabou se firmando como ciência do "para" normal e a Psicologia como ciência do normal e do patológico, este último, dentro de um espectro de patologia da normalidade.

Tal fato histórico destes campos foi produzindo uma distorção do objeto de pesquisa. A Parapsicologia surge justamente porque a Psicologia perdeu seu rumo dentro de suas investigações. Pois, o "para" deveria também constar como objeto da Psicologia. Como todos os fenômenos são psíquicos deveriam todos ser objeto da Psicologia. Mas não ocorre isto. A Psicologia tornou-se uma religião, um Psicologismo. Assim, quaisquer fenômenos que ultrapassam a ordem dos fenômenos considerados existentes e normais acabam sendo rotulados de alucinações, delírios, sendo a leitura do fenômeno contaminada por preconceitos e julgamentos de valor moral. Da mesma forma, a Parapsicologia acabou por firmar-se como um campo independente, pois considerou desde a Metapsíquica, os fenômenos "paranormais" como merecedores de atenção investigativa. A Psicologia se mercantilizou e a ciência se vendeu a indústria, contaminando achados e teses, prejudicando a busca pela Verdade. A Parapsicologia acabou sendo apropriada pelo Psicologismo e me parece estar começando a se afastar de seu compromisso com a busca da Verdade.

Desta forma, são os fenômenos psíquicos da ordem da paranormalidade responsáveis pelo nascimento de grande parte das religiões, vejamos as revelações de Maomé dadas pelo anjo Gabriel, típico fenômeno mediúnico. Vejamos como Allan Kardec recebeu as relevações que deu origem ao espiritismo. Assim como as revelações de Jesus Cristo. No mesmo sentido, as revelações dadas por Heyoan a Barbara Brennan ou do Guia para eva Pierrakos, ou as revelações dadas para a escrita do "Livro dos Milagres". Revelações espirituais são fenômenos puramente paranormais, da ordem da comunicação cósmica com seres divinos e masi evoluidos que nós. A Parapsicologia necessita retornar ao seu campo verdadeiro, a busca pela evolução e pelo contato direto com o 'divino' [e não com Deus]. O 'divino' é o território da transciência ou o campo inacessível pela ciência, mas acessível pelas experiências paranormais de pico, como o samadhi e as experiências de consciência cósmica.

O desenvolvimento do sentimento e da hipersensibilidade paranormal, junto com uma ética universalista, acaba sendo a via pela qual seres de todos os tempos têm tido vislumbres da evolução cósmica num campo transgaláctico de paz, plenitude e serenidade espiritual, amor puro e discernimento psíquico, num nível em que a telepatia e todos os fenômenos atuam em conjunto e integrados, dentro de uma ética cósmica trans-humana.

Os métodos de ampliação da consciência podem muto bem ser estudados e elaborados pela Parapsicologia; podemos estudar o como, mas a experiência do divino é inestudável. Pertence a transciência e sua comunicação parece-me extremamnente dificultosa.

Assim, nos confins da evolução cósmica, num dado absolutamente inverificável por qualquer meio científico, filosófico ou religioso; em um dado momento, mesmo que tal momento resida na atemporalidade do infinito do pretérito (se é que exista pretérito), há bilhões e bilhões e bilhões de anos-luz atrás; antes mesmo do Big Bang e de qualquer evento cósmico; antes mesmo da existência de Deus, Alah, Jeovah, Brahman ou Tao; antes mesmo de qualquer coisa existente, não-existente; lá nos cantos abissais do tempo passado, antes mesmo da pré-história, num tempo sem tempo do passado inacessível e irracional; em um dado momento eis que, de uma forma incompreensível, “surge” a ‘consciência’ ou ‘espírito’. No espaço-tempo atemporal da realidade não-espacial do mundo sem mundo, do universo infinitamente inexistente; do vácuo primordial; enquanto gênese de tudo a partir do nada, do vazio, da não-existência, eis que do ‘nada’ surge o ‘espírito’ [vida].

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