5.4.11

A Atualidade da Pesquisa Científica sobre as Experiências de Quase-Morte: Novas Evidências da Vida após a Morte

EQM
Experiência de Quase-Morte

Por Dr. Fernando Salvino
Parappsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo


Resolvi escrever esta postagem devido a motivação profunda que me deu ao ler o livro chamado: "Evidências da Vida Após a Morte", do médico norte-americano Dr. Jeffrey Long - lançado em 2010 e traduzido para o Brasil em 2011 - onde a partir de um depoimento de uma conhecida toma conhecimento da realidade das EQM - Experiências de Quase-Morte e inicia uma investigação sem precedentes, até então nunca realizada. Através de seu site < http://www.nderf.org/ > coleta uma bagatela de mais de 1.500 relatos de EQM e realiza uma investigação científica criteriosa a respeito, isento de apriorismos e livre de dogmas. O próprio autor nunca passou por experiências desta natureza e, portanto, analisa os casos com o ceticismo próprio daqueles que desconhecem por si mesmos da vivência extrafísica da EQM.

Recomendo o livro como uma referência de ponta na área da pesquisa parapsicológica avançada, tanto quanto da projeciologia e mesmo no estudo integral da consciência, a meta da conscienciologia. Aos psicoterapeutas de plantão, obra fundamental para compreendermos o fenômeno em seu espectro amplo e sistêmico para que possamos ajudar a população que atravessa estas vivências e ainda permanecem calados diante do preconceito social e cultural diante do bloqueio da "democratização da transcendência" (Sarti). Temos com isto mais uma "voz" em direção a evidência definitiva da "vida após a morte".

A conclusão do autor é direta, objetiva e corajosa. Para Dr. Long, a vida após a morte está comprovada após a análise científica das 9 categorias tomadas em conjunto, sistemicamente. Assim, compartilho com a posição do colega dos EUA, quando meu posicionamento aberto e científico diante da questão é a de que a sobrevivência do Eu após a morte está comprovada cientificamente.
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Caso tenha interesse, colabore com sua experiência participando desta pesquisa pública (clique aqui)
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A minha conclusão é similar a do Dr. Long, devido ao fato de que eu mesmo tenha passado por uma EQM, há mais de década atrás. Naquela ocasião, era jóvem e estava indo a um show com amigos quando na descida de um morro, chamado "morro da lagoa", falha o freio do carro (um fusca), e simplesmente damos direto numa rocha. Fui lançado diretamente no parabrisa do carro e quando me dei conta estava flutuando, inteiramente lúcido, fora de meu corpo e completamente consciente de tudo que se passava comigo. Tinham outras consciências embora desconhece quem eram. A paz era imensa e nunca senti aquilo até hoje. Não existia problema algum, ansiedade ou angústia. A atmosfera era de tonalidade rósea-branco, sentia a presença de espíritos/consciências evoluídas. Aquela atmosfera de paz e serenidade era de profundo magnetismo e senti-me atraído até ela. Fui indo até aquela direção. Soube intuitivamente, ou algo me dizia, que se eu atravessasse aquela fronteira eu não poderia retornar. Existia uma barreira, um limite entre a vida e a morte, bastante clara. Naquele instante, uma voz na minha mente ecoou de que eu deveria retornar porque minha tarefa de vida ainda estava pendente. Havia muita coisa a fazer ainda. Imediatamente senti a vontade de retornar e quando me vi, estava grudado no parabrisa do carro. As pessoas tentando me retirar o carro e, eu, com uma força irracional, mesmo com o pescoço praticamente aberto e cortado do o vidro do parabrisa, sai de dentro do carro sozinho pela janela, caminhei e lúcido, calmo, dirigi-me até o carro que me socorreu e levou-me ao hospital. Ao tomar ciência do que ocorreu comigo, do dano em meu corpo, fiquei apavorado. No hospital soube que o corte ficou a milímetros na artéria jugular no pescoço e, literalmente, escapei da morte. Não sei até que ponto houvera influência dos amparadores extrafísicos na manutenção da vida de meu corpo, mas considero que tive uma segunda chance de enfrentar a vida e concluir meu propósito existencial que, sabia internamente, não seria fácil nem simples.

Naquela época desconhecia qualquer literatura a respeito. Fiquei por muito tempo sem falar para ninguém a respeito do assunto. O livro que me ajudou na época foi "Emergência Espiritual" do Dr. Grof. Esta experiência embora já conhecia a expperiência fora do corpo (projeciológica), foi uma das mais marcantes na minha vida.

Após isto, li muitas obras sobre o assunto, inclusive do Dr. Raymond Moody, pioneiro na investigação do fenômeno. Mas até o momento não tinha encontrado uma só literatura que tentasse abranger a pesquisa sob uma ótica mais ampla. E a pesquisa chegou. As evidências apontadas pelo Dr. Long são mais que impactantes. Nos dão um realinhamento com a "verdade" encerrada num tabu quase instransponível: a sobrevivência.

Considero realmente impressionante as sincronicidades nestes tempos de universalismo na pesquisa científica. Aqui, em meus arquivos estou debruçado numa investigação que reune evidências de três categorias de fenômenos: 1. EQM; 2. Experiência fora do Corpo; 3. Retrocognição. Analiso relatos de experiências em conjunto, sistemicamente e, minha conclusão peremptória é a de que não resta mais dúvida realmente de que o Eu sobrevive e pode existir fora do corpo. A análise reune relatos de pacientes em sessões de regressão, assim como relatos de EQM e experiências fora do corpo, relatadas por pacientes, outras pessoas e as que eu mesmo passei. A pesquisa integra o modelo da autopesquisa, pois eu mesmo passei pelas 3 categorias de vivências. Publiquei ano passado "O Caso de Thomas Green", onde comprovei por documentos oficiais uma vida passada onde era médico e militar nos EUA. Considero a única vida passada realmente comprovada que consegui relembrar.

Assim como eu e outros cientístas, estamos atravessando um período de transição sem precedentes, onde teremos uma nova revolução científica e uma ruptura central no paradigma centrado na matéria (cerebrocentrismo, fisicalismo, materialismo) e adentraremos num paradigma onde nos centraremos no que realmente existe ou aquilo que sobrevive após a morte: a consciência (psi). Este modelo de ciência será o substituto definitivo da religião tal como a compreendemos. Isto significa um realinhamento experiencial com o Universo, conosco e com aquilo que se tem chamado de "Deus". Passaremos gradualmente a ter mais e mais experiências cósmicas e assim, passaremos a não mais acreditar nesta ou naquela teoria, devido ao fato de que temos a prova definitiva daquilo que somos: um ser que transcende o corpo e a realidade deste mundo. Saberemos disso não porque lemos neste ou naquele compêndio. Saberemos porque nós mesmos passaremos pela experiência de sairmos de nossos corpos, manteremos nossa lucidez mesmo fora do cérebro (teoria do cérebro oco) e retornaremos com a prova pessoal, instransferível, que somos "algo" que não o corpo, o que se tem chamado de "consciência". Não existe outro método tão seguro quanto a experiência pessoal. Neste sentido os trabalhos de Sylvan Muldoon e Valdo Vieira despontam na fronteira da ciência da auto-experimentação, a Projeciologia, o qual sou coopero.

A terapêutica com isto será de realinhamento evolutivo, na descoberta gradual do "lugar" (interno e externo) de cada um no Cosmos e que se traduz no propósito que cada um de nós têm nesta Terra, nesta atual vida e na execução deste propósito. Somente aqui podemos falar em felicidade, real satisfação e auto-realização. Este propósito tem relação com aquilo que precisamos superar em nós mesmos e numa tarefa de assistência que pode alcançar um raio planetário e multidimensional.

As pessoas que retornam nas EQMs, em geral, trazem uma visão de evolução, amor puro e serenidade parece ser este o recado das experiências transcendentes e dos amparadores extrafísicos para o mundo, ainda, perdido e afastado dos reais valores universais. As pessoas que passam por tais vivências acabam sendo incumbidas de falar disso e, com isto, trazem para este mundo a vida extra-mundo e o destino que nos aguarda: a continuidade da vida após esta vida.

28.3.11

Livres Reflexões Sobre Sexometria e Outras Questões Evolutivas

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta



Na questão da Sexometria ou a Hipótese da Escala da Holomaturidade Afexual (afetivo+sexual) Humana, existem variáveis bastante complexas, especificamente no que diz respeito à Zona de Transição.

Recapitulando, a Zona de Transição é o tipo de relacionamento onde a aresta poligâmica encontra-se presente de forma pequena à moderada. A manifestação da aresta poligâmica de forma pequena, não necessariamente podemos considerar como uma aresta poligâmica (instalada), mas como uma abertura saudável no relacionamento. É o lado saudável e até certo ponto necessário da relação amorosa. E tal fato se dá, a princípio, nas relações poligâmicas voluntárias e pautadas em contratos de relacionamento de fidelidade relativa grupal.

Conforme já coloquei noutros ensaios, a pulsão sexual básica é poligâmica. E esta é a polêmica geral desta teoria e evidência prática, hoje, compartilhada por muitos. Todos somos poligâmicos em nossa pulsão básica, conforme apontam as evidências da vida humana, real, objetiva. Esta pulsão se expressa como resultado da absorção das energias densas do planeta, adentrando nos chacras dos pés e que sobem poligâmicas até atravessarem as energias do sexochacra em direção ao coronochacra (centro de discernimento e espiritualidade, consciência). As energias do planeta são poligâmicas em sua origem de perpetuação da espécie. Neste sentido, a poligamia é natural, genética e até mesmo hereditária. Por outro lado, uma escolha voluntária ou mesmo imposta por uma moral social. Em todos os casos, os desejos afexuais não se restringem ao parceiro ou parceira da relação. Os parceiros, sempre, expressam naturalmente através da pulsão básica da vida sexual e afetiva, o interesse por outras pessoas, além da relação. Quando este interesse permanece no nível das sensações, emoções, sentimentos e pensamentos (fantasias) e decorre daí a escolha pela manutenção da relação com o(a) paceiro(a), temos a manifestação da aresta poligâmica sadia na relação, filtrada pelo discernimento consciente, natural e espontâneo. Nestes casos, pode haver até mesmo a estimulação do relacionamento, a valorização do(a) atual parceiro(a). Embora tal maturidade seja ainda condição excessão nos relacionamentos, cabe-nos investir na superação das condições patológicas do ciúme e da possessividade, sempre degradante dos relacionamentos.

Aqui neste caso, não estamos falando de uma aresta poligâmica geradora de fissuras crônicas, adultérios mentais e reais de fato, mas sim, de uma abertura saudável no relacionamento, acolhendo os desejos naturais dos seres por outros seres; da necessidade do sentir-se desejado por outros e do desejar outros, de forma natural e dentro de limites saudáveis numa relação madura. A maturidade impera aqui neste relacionamento, quando, admitindo que existem outras pessoas interessantes pelo mundo afora, o casal nesta zona acolhe os desejos do(a) parceiro(a) por outras pessoas, podendo ser homens e mulheres. Desejar é uma pulsão natural da libido e esta pulsão é respeitada e gerenciada a partir da escolha madura e consciente, voluntária, pela monogamia de fato. Poderia dizer que esta aresta poligâmica fortalece a monogamia, devido ao fato de apesar dos desejos o(a) parceiro(a) mantém-se na relação monogâmica por livre escolha e não por uma condição moral ou estabelecida pela sociedade patológica.

A condição aqui exposta é a da monogamia voluntária, lúcida, espontânea, de um casal que geralmente está casado num regime de liberdade, fora ou além dos contratos de casamento formais ou transcendendo-os num nível de união estável, com liberdade e escolha lúcida da opção monogâmica. A moral social repressiva e religiosa, castrante das liberdades sexuais e afetivas não atravessa a escolha monogâmica neste caso. É o casal que naturalmente vive a relação monogâmica, a dois, sem o peso da escolha e sem sofrer por serem monogâmicos.

Atualmente se fala e se vivencia abertamente o "poliamor", "poliswinguers", "relacionamento aberto" e outras denominações que numa síntese bastante objetiva significam as pessoas que se relacionam num modelo não-monogâmico ou seja, poligâmico. A forma como tais relacionamentos se dão dependem das regras entre os membros da relação grupal. Em alguns modelos, ocorre a fidelidade grupal, caracterizando um tipo de relacionamento "monogâmico grupal" (se é que posso chamar assim). Não compreendo aqui a poligamia como a relação legalmente instalada onde um homem se relaciona com várias mulheres em regime de casamento, como ocorre em muitos países e na antiguidade. Aqui o termo poligamia encontra em lato senso, nos relacionamentos onde mais de duas pessoas se relacionam no mesmo transcurso de relacionamento. A poligamia encontra ainda uma abrangência muito maior na minha forma de ver relacionamentos, encontrando sua manifestação mental, daí advindo o conceito de adultério mental (para aprofundar, ver a reportagem). Em um casal, onde em um dos ou em ambos parceiros, em monogamia, instala-se o adultério mental crônico (fantasias crônicas onde relacionamentos com outros estão ocorrendo na mente e gerando excitação e até certo ponto saciedade), e cujo parceiro já não é suficiente para os desejos e excitações sexuais e afetivas do outro, aqui, podemos falar em aresta poligâmica instalada, o que é sempre prejudicial ao relacionamento. Temos que ver o fenômeno como a realidade mental ocultada, onde ocorre de fato uma traição mental, com potentes desejos por outra pessoa, transcendendo o livre interesse e desejos naturais entre as pessoas. Aqui a vida poligâmica não é a expressa, livre e autêntica, honesta e transparente; é a vida poligâmica oculta, escondida e recalcada. Um dos parceiros sente seu companheiro longe, pensativo, porém, excitado e com uma certa alegria que não é proveniente do seio do relacionamento afetivo-sexual do casal. Tal fenômeno mental pode ser passageiro ocorre devido à dificuldade no gerenciamento das carências afexuais do casal. E isto pode ocorrer também nos relacionamentos poligâmicos fechados, pautados pela fidelidade grupal, interpessoal. Mas, quando a aresta poligâmica encontra-se instalada, quando o adultério mental encontra-se crônico e instalado, aqui podemos dizer que o casal, seja monogâmico seja poligâmico, adentra na condição da Zona da Aresta Poligâmica, iniciando os desejos por relacionamentos isentos de sentimentos, mais próximos da animalidade. Aqui adentramos nos desejos realizados em swing, por exemplo, onde não há a variável sentimento/comprometimento envolvida, aproximando da realidade de orgia. Tiramos desta categoria o ménage a troís que pode adentrar na qualidade de uma monogamia de três pessoas, voluntária, e carregada de sentimento e comprometimento. Obviamente que fica claro que a hioptese da Sexometria ainda está sendo construída e que atualmente carece do aprofundamento necessário para tornar-se uma teoria com aplicabilidade mais geral. Neste sentido toda crítica, seja destrutiva seja construtiva é bem-vinda.

Trago aqui a condição da poligamia voluntária e não imposta por uma cultura ou moralidade social dominante. Em mais de 50 países no mundo, em sua maioria na África muçulmana, a poligamia é legalmente permitida. No Brasil e EUA, por exemplo, crescem cada vez mais os casais que se relacionam num regime de relacionamento poligâmico voluntário, por uma escolha consciente. Os casais monogâmicos homossexuais crescem. Cresce, conformas pesquisas da psicanalista Regina Navarro, as relações que colocam, nesta tese, a hipótese do fim da monogamia. Não importando a impossibilidade de tal fato, conforme fica claro na exposição da Sexometria, o que é importante aqui é que cada vez mais as pessoas vão de encontro àquilo que é a melhor opção para a satisfação nos relacionamentos. Não existe aqui um modelo rígido que funciona para todos, nem uma opção que é a melhor para todos. O que importa aqui são as regras estabalecidas internamente em cada um de nós e entre o(s) casal(ais) e a honestidade no cumprimentos das mesmas, em relação autárquica (regras criadas por si mesmo).

Embora a Sexometria evidencie que a monogamia voluntária e lúcida estão presentes nas relações mais evoluídas, em alto nível de comprometimento, ausência de promiscuidade e sintonia interconsciencial profunda, aliada a uma relação afetiva-sexual de altíssimo grau de satisfação, com vivências conjuntas e contínuas de uma vida orgástica e libertária, não afirma que tal opção deva ser forçada ou mantida por uma imposição moral ou um dever. Tal relação monogâmica será uma condição conquistada naturalmente a partir da maturidade cada vez mais integral da pessoa e do casal, que, nestas alturas, se envolvem com práticas libertárias de assistência à humanidade. Adentramos aqui naquilo que o médico Waldo Vieira chamou de Evoluciologia ou a evolução multidimensional e integral das consciências humanas e de dupla evolutiva como a condição do casal monogâmico lúcido a hiperlúcido.

Cabe aos que se sintam pertencentes à Zona de Transição, conhecer a fundo seus desejos sexuais e afetivos, pulsões de excitação e fantasias, resolverem traumas e o processo do complexo de édipo, em psicoterapia ou em autopesquisa, ou em ambos simultaneamente. Todo estudo e autoconhecimento são essenciais aqui, com o máximo de franqueza e honestidade para consigo. Quanto maior é a maturidade de um casal maior é a transparência, a franqueza e a sinceridade na relação e naquilo que ocorre e que interfere na saúde do relacionamento. Neste sentido, indico a leitura do artigo (clique aqui). Sem o diálogo franco e a reconciliação contínua não existe a possibilidade de um casal alcançar os níveis mais avançados da Escala Sexométrica e aquilo que chamei de Para-orgasmo (leia aqui).

Oscar Wilde uma vez disse que "a mentira é a base da sociedade moderna". As estatísticas (In RoqueTheophilo, citada pelo psicólogo Rui Carreteiro) apontam que mentimos cerca de 200 vezes por dia e em média uma vez por cada 5 minutos (neste sentido clique aqui). O impacto da mentira nos relacionamentos conjugais é tão sério que faz com que os parceiros se relacionem com uma outra pessoa que desconhece. Conforme o crescendo da maturidade de ambos, individualmente, e conforme o crescendo da franqueza e honestidade dos parceiros consigo mesmos e dos parceiros entre si, abre-se espaço para uma relação mais madura e pautada num comprometimento voluntário, não-forçado, pela evolução conjunta. Aqui adentra a esfera espiritual, evolutiva, no relacionamento. Os casais mais lúcidos acabam optando, pela hipótese Sexométrica, pelas relações monogâmicas voluntárias, devido a possibilidade de verticalização no relacionamento, aprofundamento e vivência profunda da intimidade. As relações poligâmicas adentram nas relações mais horizontais, mais superficiais, com menor possibilidade de aprofundamento e intimidade. Aqui cabe o exemplo da diferença entre um professor e um psicoterapeuta. O primeiro se relaciona em uma relação grupal, onde caracteriza a horizontalidade e a superficialidade da relação, sem aprofundamento e sem a intimidade profunda. O psicoterapeuta adentra na verticalidade de uma relação onde pauta a intimidade e a possibilidade de aprofundamento do relacionamento. Um psicoterapeuta de grupo, adentra na profundidade de uma relação grupal íntima, mas a psicoterapia individual adentra no universo vertical profundo do ser. Este exemplo evidencia a diferença entre relação poligâmica e monogâmica. Nesta, a verticalidade é possível e dinamizada.

A mentira, por outro lado, aponta como um diagnóstico do nível de maturidade do relacionamento do casal. Um passo a frente da evolução é a opção voluntária das relações poligâmicas em casais que não suportam mais mentir e trair seus companheiros e acabam por fim optar pela vivência sincera de relações onde os parceiros aceitam abertamente a poligamia, e, assim, não consideram traição. Os abalos emocionais de traições em relacionamentos onde existem contratos de fidelidade são muito grandes. Neste sentido, considero um grande passo de sinceridade àqueles casais que romperam com os modelos da monogamia forçada e imposta pela cultura hipócrita e optaram pela poligamia aberta, expressa e acordada no seio da relação, de forma voluntária. Tal decisão e opção impede de alguns atos serem condiderados traições e sim, simples aberturas poligâmicas permitidas nestes relacionamentos. O problema aqui, e me parece consenso, é quando num relacionamento violam-se regras internas; quando ocorrem traições e outros fatos geradores de ofensas profundas e traumas psíquicos, podendo ser graves. Todos estes fatos geram profundos "links" negativos entre as pessoas envolvidas, marcando o corpo emocional de sofrimento, e com isto, levamos para outras vidas tais conflitos que fundamentam novamente os reencontros e reconciliações. Por isto o assunto "reconciliação" é essencial nos relacionamentos.

Assim, parece-se consenso que a transparência honesta na comunicação e a definição de regras claras e objetivas na intimidade do relacionamento, seja monogâmico ou poligâmico voluntário, é a variável de diagnóstico da maturidade do relacionamento.

Assim, creio que podemos encontrar relações poligâmicas maduras onde os membros estejam satisfeitos com tal tipo de relacionamento, desde que hajam as características acima descritas. Desta forma, saliento que os mesmos problemas encontrados nas relações monogâmicas parecem ser encontrados nas poligâmicas quando os contratos de regras forem violados na intimidade do relacionamento. E a variedade de tipos e formas de relacionamento são tão grandes que não podemos ter um modelo de relação e sim, um modelo encontrado na própria definição e escolha do casal (monogâmico) ou grupo (no caso poligâmico).

É mais lúcido e honesto sermos contra a pregação da monogamia ou da poligamia.

Em ambos os casos existe a perpetuação da pregação religiosa (dogmática) por uma forma idealizada de relacionamento em detrimento de outra pior. Adeptos de uma defendem a monogamia, adeptos de outra defendem a poligamia (poliamor, relação aberta, swing, etc). Ocorre aqui a manipulação de dados a favor de um ou de outro. Não podemos esquecer que o primeiro poliamor encontra-se no seio da família nuclear, onde pai, mãe e irmãos vivem o poliamor castrado pela proibição do incesto. Até que ponto o poliamor, o swing e a relação aberta não são formas de deslocamento da fixação incestuosa em outros agrupamentos, possíveis? Até que ponto a relação monogâmia voluntária expressa a maturidade diante da superação da fixação incestuosa no poliamor limitado e natural da família nuclear? Questões sérias que poderão ser aprofundadas em pesquisas.

O que importa aqui é a escolha consciente daquilo que é o melhor para nós, em nossas escolhas diárias.

E adentramos aqui também na esfera da escolha consciente da vida sexual e afetiva, sejamos heterosexuaus, homosexuais ou bissexuais. Quanto mais estivermos vivendo da forma que é a mais apropriada para nós, maiores são as chances de vivermos mais felizes e realizados neste planeta.

Meu interesse na Sexometria é tentar organizar a experiência sexual humana numa métrica objetiva, ancorada nos fatos e parafatos, aplicável, com vistas a ajudar a todos para que possamos nos situar em nossa vida afetivo-sexual e dar passos adiante, na evolução inevitável da consciência. A questão é: estou onde? Como posso evoluir e dar passos adiante?

Não podemos esquecer que todos nós estamos aqui para evoluirmos e aprendermos as lições complexas da vida humana, ressexualizada, nos relacionamentos e nas oportunidades evolutivas. Não podemos esquecer também que a vida humana não se restringe a todas estas questões e como sempre digo: somos consciências assexuadas temporariamente ressexualizadas como homens ou mulheres, vivendo uma experiência humana, num corpo humano e, temos um tempo determinado a realizar as tarefas que nos cabem realizar.

24.3.11

Erro Médico e Experiência fora do Corpo: do Eletroencefalograma à Conscienciologia/Projeciologia

Representação gráfica de minha experiência na infância
Fenôemeno da decolagem lúcida para fora do corpo
Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo/Projeciólogo


Embora não me lembre da data exata, creio ter sido quando tinha entre os 6 e 9 anos de idade. Hoje com 35 anos, beirava o ano de 1984 a 1987 aproximadamente. Não importa tanto. Eu estudava no Colégio Menino Jesus, em Florianópolis/SC. Estava brincando como de costume com meus amigos no patio da escola. Cançado, fui ao banheiro e tomei água da torneira. Naquele exato momento, senti que a água estava estranha. Não sabia dizer o porquê. Poucos dias após, estava eu com Hepatite a a água estava contaminada. Os sintomas eram os comuns e o que mais se manifestava era a febre alta. Em dado momento, deitado na cama de minha mãe e aos cuidados dela, minha febre deu um pico de elevação que beirava os 39, 40°. Começei a entrar em transe. Minha língua parecia que enrolava, minha fala estava mole. Meu corpo rodava, rodopiava girando ao redor de mim mesmo. Em movimento helicoidal, começei a ter várias saídas abruptas para fora do corpo chegando a rodopiar rente ao teto do quarto, já fora do corpo, flutuando no espaço, inteiramente lúcido. A experiência não durara mais de 10min. Entretando, saí do corpo pelo menos umas 5 vezes seguidas. Ao retornar ao corpo, algumas vezes, podia ver a presença de consciências extrafísicas doentes dentro do quarto, o que me levou a múltiplos picos extremos de pânico, contínuos, até que a experiência cessara, a partir da administração farmacológica de dipirona sódica. A partir daí, fui levado a neurologia no Hospital de Caridade em Florianópolis, onde fui submetido a exame de eletroencefalograma, o que diagnosticava a normalidade do funcionamento cerebral. Em seguida, a explicação médica foi de diagnóstico de delírio de febre.

Apesar de eu discordar dos médicos desde esta idade e debater ferrozmente com meus pais a respeito da sensação de que teria saído para fora do corpo e visto "espíritos" no quarto, somente anos após, ouvi outro diagnóstico, proferido também por um médico, porém, incorporando mediunicamente uma consciência extrafísica que se intitulava "vô serafim". A consciência afirmara a mim que era para que eu ficasse calmo e que teria acontecido tudo aquilo porque eu era "macumbeiro". Não compreendi de fato o que ele estaria dizendo, mas foi a primeira explicação mais coerente para o fato. A personalidade parecia estar segura daquilo que afirmava. Assim, inicia minha peregrinação na investigação do fenômeno. Ainda nos centros de umbanda branca (como chamamos a umbanda kardecista, fraterna), uma médium que manifestava uma consciência extrafísica chamada "vó maria", começara a me instruir a sair do corpo. Nesta época, tinha eu 16 anos de idade e não conseguia me concentrar nos estudos, devido a saída espontânea e flutuação para cima de minha cabeça, fora do corpo. Somente mais tarde, lembrei que as primeiras experiências conscientes e semi-conscientes para fora do corpo se deram antes de meu trauma da hepatite. A familiaridade com o fenômeno já era vivenciado desde pequenino.

Aproximadamente em 1995, começei a acessar a literatura de Carlos Castaneda e a estudar os fenômenos de projeção para fora do corpo. A sistematização deste conhecimento me soou muito bom. Neste momento já tinha abandonado a umbanda, devido a carência de pesquisas e maiores aprofundamentos, assim como o charlatanismo de alguns médiuns. Aos 16 anos passei por uma experiência impactante: estava deitado numa rede, quando me dei conta, estava fora do corpo, lúcido, somente com o tronco e a cabeça para fora, e uma criança extrafísica olhava-me fixamente. Fiquei assustado e ao retornar ao corpo, passei pela experiência mais estranha até então passada. Meu corpo estava completamente paralisado. Entrei em pânico. Minhas mãos paralisadas, pés, pernas, tudo. Somente a voz da minha mente estava operante. Pensava que poderia estar tetraplégico, morto ou sei lá o que. Fiz uma força de vontade descomunal, quando em dado momento, grudei no corpo, e voltei para dentro de suas atitividades fisiológicas e psicomotoras.

O fenômeno não parava de ocorrer. Ao comentar com meus amigos, ninguem sabia o que eu falava. Começou a formar em mim uma segunda realidade, uma segunda personalidade. Ainda neste ano, percorria os sebos da cidade em procura de livros do assunto. Encontrei um chamado "Projeção do Corpo Astral" e ali encontrei o que precisava. Muldoon um projetor consciente, já havia catalogado o fenômeno que chamou de "catalepsia astral" (modernamente chamado de "catalepsia projetiva"), que é a paralização pelo mal encaixe dos corpos na coincidência e retorno ao corpo. Meus estudos se aprofundaram. Começei a induzir tecnicamente e pela vontade própria as experiências. Em 1997 encontrei o IIPC - Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia e meu envolvimento foi total com a pesquisa.

Neste caminho, centenas de experiências projetivas foram vivenciadas por mim, lucidamente, desde a infância até os dias de hoje. E a conclusão que tiro é simples. Houve um erro médico grave no diagnóstico da sintomática que havia relatado e vivenciado na infância, no momento da febre alta. Tal diagnóstico levou-me a passar por experiências angustiantes, indevidamente, devido a precariedade da medicina no trato das experiências paranormais, parapsíquicas, vividas pelas pessoas, milhares, ao redor do mundo.

Hoje aos 35 anos de idade, ajudo pessoas profissionalmente (consultório) e voluntariamente (Hospital Universitário) a lidar melhor com as experiências críticas da vida, paranormais ou não, assim como o impacto existencial, emocional e mental da inaceitação social e médica de tais fenômenos. Apesar da mudança evidente nos paradigmas, ainda somos uma minoria que acessa tal realidade cósmica e ainda seremos por muito tempo pouco compreendidos em nossos relatos e experiências. Mas precisamos saber que hoje existem centros dedicados ao ensino, pesquisa e bastante literatura capaz de fornecer suporte informacional. A psicoterapia profunda, integral, é extremamente necessária para prestar o devido amparo ao paciente paranormal assim como o estudo sistemático de algumas obras orientadas. Por outro lado, não é qualquer profissional que poderá ajudar uma pessoa que passa por experiências parapsíquicas, seja elas quais forem.

Eu percorri o caminho de forma autoditada, mas hoje você não precisa mais passar o que os sensitivos de antigamente passavam. Hoje existem os centros de orientação e aconselhamento psi, em alguns centros de parapsicologia. Existem profissionais treinados para tal, como eu fui. Acredito que alguns centros de umbanda prestam um serviço essencial ainda nesta área, servindo como um primeiro passo para outros mais profundos, em outras áreas da ciência e terapia avançada. Da mesma forma, centros espíritas esclarecem bastante pessoas acerca da fenomenologia.

Estamos adentrando numa era onde o paranormal tornou-se normal. Senão vejamos os programas seriados de TV, muitos deles falando abertamente sobre psicocinesia, mediunismo, ufologia, etc. Os paradigmas médicos e psicológicos estão se rompendo. A medicina tornou-se obsoleta e hoje restrita ao cérebro. O modelo centrado no cérebro já está falido. A consciência sai de dentro do cérebro e deixa-o "oco", sem qualquer inteligência operante, e utiliza-se de outro corpo para se manifestar. A consciência pode inclusive sair deste segundo corpo (psicossoma) e usar de um terceiro, o corpo mental ou mentalsoma, alcançando o ápice das experiências nirvânicas de cosmoconsciência e expansão galáctica. Tais experiências dilaceram os paradigmas sejam lá quais forem, centrados no corpo, na física e na matéria. Aqui adentramos na emergência dos paradigmas centrados na consciência.

E fico muito feliz, internamente feliz, por ter confiado em mim mesmo quando, na infância, ninguem acreditava naquilo que relatava. Sou profundamente grato a todos os cientistas e pessoas que tiveram a coragem de mostrar ao mundo a realidade das experiências transcendentes para fora do corpo, experiências estas que são potentes agentes transformadores da consciência, cosmificando o ego e diluindo antigos conceitos, a partir da experiência direta.

A pessoa deixa de acreditar em vida após a morte e passa a saber, pela experiênncia direta, que o eu sobrevive. E esta experiência acarreta profundo impacto em toda vida e percepção da pessoa.

Aos meus colegas médicos, neurologistas, psiquiatras, convido-os a abrirem a possibilidade da existência de uma realidade que transcende os neurônios e a experiência ordinária humana, livre de qualquer conotação psicopatológica e, sim, parafenomenológica.

10.3.11

Existência Auto-dirigida: o poder de decidir o rumo de nosso destino

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo


Onde se situa o nosso poder pessoal? 

Esta é uma questão bastante complexa e não seria exagero afirmar que é o ponto onde grande parte da humanidade se defronta: a dificuldade de compreender onde se localiza a felicidade e o seu verdadeiro Eu, o self, o si mesmo real. Quando crianças, o menino percebe que tem um objeto prazeroso dependurado em si: o pênis. A menina ao ver o menino com aquilo dependurado, olha para si e conclui: o menino tem, eu não tenho. O que fica não é o fato de a menina ter vagina e o menino ter pênis, mas o fato do menino ter algo que ela não tem. Não vou entrar nos pormenores desta visão básica da formação da personalidade, organizada por Freud. Mas, obviamente que, quando o menino cresce e a menina também, o que está em jogo não é mais o órgão fisiológico, mas tudo o que se associa a ter o pênis: privilégios em casa que os meninos têm e as meninas não, como não precisar lavar louças e as meninas sim e assim por diante. Quando adultos, o pênis é o cargo maior, a remuneração maior, o emprego melhor, as posições de chefias, o carro do ano, o imóvel melhor e por aí afora. A mulher sente que não pode ter “isso” que o homem tem. De forma geral, o pênis se transforma no "falo" como o puro simbólico que substitui o "isso que não tenho" e que se relaciona com o poder: a sensação de ter este algo que não tinha antes e agora passo a ter. E é no poder que me concentrarei neste texto: no local exato do poder pessoal e que transcende o gênero e toda conflitiva do complexo de édipo (sem querer anular esta poderosa influência). Coloco aqui o complexo de édipo ou a poderosa conflitiva afetivo-sexual que aparece na infância e carregamos para a adultidade e mesmo para as sucessivas vidas posteriores como o que temos de transcender, rumo a condição suprassexual, da natureza mais profunda do ser, a consciência, que ora renasce como homem, ora como mulher e que fundamenta o ser humano.

Muitos de forma simplória responderiam: a felicidade se encontra dentro de nós. Mas é uma resposta pronta, enlatada, fast food. Precisamos aprofundar e para isto, quero trazer a questão do "local do poder pessoal".
Eu e você, cansamos, ao longo de muitas vidas, de acreditar que nosso poder pessoal se encontra fora de nós mesmos, em objetos, amuletos, talismãs, imagens, santos, guias espirituais, mentores, anjos da guarda, carros, patrimônios, dinheiro, empregos, família, filhos, Deus, ciência e assim por diante. Podemos ir adiante. Muitos atualmente acreditam que o seu poder se encontra em ser psicólogo, psiquiatra, parapsicólogo, conscienciólogo ou mesmo ser voluntário de alguma instituição, ser professor, etc.  Não importa o que você faz: você não é aquilo que faz. Você é aquilo que escolhe o que faz. E isto que escolhe, você, existia antes de nascer e permanecerá existindo após a morte. E isto que existe de fato, é a consciência, o eu real que transcende o sexo e que fundamenta a complexidade da vida humana. As coisas que fazemos são importantes, relevantes. Mas, a relevância de uma coisa que fazemos está no sentido que vemos naquilo que escolhemos fazer e não na coisa em si. A coisa é secundária. E este sentido que está na coisa que fazemos é o que tecnicamente podemos chamar de "proéxis" ou "programação existencial". A programação existencial é o sentido que encontramos dentro de nós e o exteriorizamos na vida humana, através de coisas que fazemos e que possuem sentido. Pois, de nada adianta colecionar uma série de coisas ou fazer uma série de coisas se, no íntimo, tais coisas não possuem sentido. E uma vida sem sentido é uma vida sem poder. E uma vida sem poder é uma vida impotente. E uma vida impotente é uma vida vazia. Uma vida vazia é uma vida regada por melancolia, depressão e tantas outras psicopatologias. E isto faz com que sejamos os criadores de nosso próprio sofrimento.

E o que escolhe o que você faz?

Seu centro de discernimento, ou a consciência, ou a consciência dos outros. Fomos ensinados e não sabemos ao certo quando se iniciou isto: a acreditar que a fonte do poder se encontra fora de nós mesmos. Desde a antiguidade acredita-se que os Deuses são os responsáveis por tudo o que ocorre ou que as psicopatologias ou fisiopatologias são derivadas de ações demoníacas ou de espíritos malévolos, ou que são de ações de micro-organismos (modernamente), ou ainda, de ações de desequilíbrios neuroquímicos. Não importa: o modelo mental é o mesmo, de que o responsável por aquilo que nos ocorre não somos nós. Tende-se a dizer que é um "outro". E ao delegarmos a fonte de poder para fora de nós, seja para um governo seja para uma outra pessoa ou mesmo acontecimentos passados, seja para um neurotransmissor ou uma glândula ou a uma área do cérebro, ainda assim, estamos delegando nosso poder para um "outro". Não que estes agentes não nos causem problemas, mas no centro, está a decisão de permirtir a influência dos agentes. E fazendo isso, acabamos por nos centralizar no local da impotência e da vitimização. Assim, queremos um remédio, um milagre, um Cristo para nos salvar.

O local da impotência é quando delegamos ao(s) outro(s) o poder que cabe a nós exercer, qual seja, o poder de decidir acerca de nossos próprios destinos e assimir os riscos e consequencias de nossos atos. Portanto, procure parar gradualmente de responsabilizar seu pai, sua mãe, seu passado, suas vidas passadas e tudo o mais que não é você. Por que? Porque ao fazer isto você delega a todos eles o seu poder de mudar, de mudar o seu destino como ser no universo e na sociedade. E para que mudar? Porque não existe outro caminho para alcançarmos a autorealização mais plena e a viver a felicidade. E se permanecer responsabilizando os outros pela sua desgraça existencial, esta postura somente lhe deixará parado, estagnado e imerso num oceano de lamúria e negatividade. E negatividade atrai negatividade. Se você for sensitivo, o processo se agrava, pois você se tornará um pólo atrativo da negatividade do meio onde está; será um aspirador de energia negativa que explodirá a qualquer momento. E não importa o que fizeram contra você. Seja o que for, saia do local da vítima e da impotência. O local da vítima é o local da impotência e da sua incapacidade temporária de não saber ao certo para onde dirigir sua vida. Se não conseguir sair sozinho, procure ajuda.

Assim, vemos pessoas investindo grandes doses de energia e tempo para concentrar suas vidas em acumular bens e patrimônios, batalhando para cargos cada vez mais altos numa empresa ou na vida pública, no governo, de forma que estejam com mais poder (falso-poder). Dinheiro e status, vaidade e prepotência, acompanham este modelo de vida tão amplamente ensinado ao longo dos milênios, vida após vida. E podemos dizer que é a própria expressão da competição animal pelo maior "falo", o maior pênis. A própria guerra dos sexos traduz esta base instintiva. A inveja do pênis atinge também o homem que, olhando ao lado, vê-se diante de outro homem que tem o pênis maior que o dele. E obviamente, sempre terá algum homem com o pênis maior que o seu. Isto ocorre também com a mulher que, não tendo muito seio, olha ao lado e vê uma outra com seios fartos. Ela sente que não tem. Desta forma, a "inveja do pênis" acomete àquele que olha o que não tem, o que lhe falta, e torna-se uma pessoa insatisfeita com o que tem e ansiosa para ter aquilo que sempre lhe faltará. Pois, sempre nos faltará alguma coisa. Mas quem decide viver tudo isto? É a própria pessoa que decide permitir que os valores ilusórios da sociedade e da cultura orientem sua vida e suas opções.


Reciclando nosso modelo interno de direção: a existência auto-dirigida.

Quando digo reciclar nosso modelo interno de direção (existência auto-dirigida) quero dizer com isto algo bastante simples: existem forças externas potentes que atravessam nossas vidas e que, se não estivermos conscientes, lúcidos, tais forças acabam assumindo um elevado grau de controle, influência, no nosso destino. Tais forças podem ser resumidas em duas: a cultura social e familiar e a moral social e familiar. Estas realidades são expressas pelos valores e princípios que estão nas falas de professores, educadores, padres, pastores e líderes de todas as ordens; nos pais e mães e na família. Esta lavagem cerebral. Está presente de forma que a humanidade em massa, compartilhando do paradigma da fonte externa do poder pessoal, acaba criando um campo de energia psíquica, consciencial, de larga escala, planetária, limitador. Este campo exerce uma pressão para que sejamos direcionados para os anseios desta moral dominante. Uma boiada que caminha sem saber para onde. Agora vejamos com bastante honestidade: quem permite a influência dominadora destas forças somos nós. É este o local exato do nosso poder. Ao compreendermos que somos nós quem permitimos que as forças que nos cercam e nos limitam nos domimem, é que podemos começar um movimento de anular a influência destas forças a partir do local interno de nosso poder: o poder de fazermos as escolhas que consideramos as melhores para nós, com o máximo de honestidade consigo mesmo.
Estas forças externas atuam em nós de forma mais fácil, nos direcionando, inconscientemente, pelo fato de que acreditamos que a fonte do poder se encontra fora de nós. Vamos aprofundar.

Aprendemos a agradar os outros desde criança, vida após vida. Se seu pai queria algo, ele lhe pedia. E se você negasse, ela ficava zangado e até lhe agredia fisicamente ou energeticamente. Se você lhe desse o que ele desejava, em geral, ainda assim, não era suficiente. Se você tirava 9 na prova, deveria ter tirado 10. Se tirou 10, não fez mais que sua obrigação. Da mesma forma, a mãe diz: "filho, você precisa de um emprego melhor, ser dentista, ser juiz...." O filho se esforça o máximo e consegue. Um dia chega para sua mãe e diz: " mãe, consegui, sou dentista, estou com um consultório". A mãe responde: "mas filho, consultório é arriscado, precisa passar num concurso público". Ou seja, é a indústria da insatisfação e da ansiedade. O filho ao ouvir a insatisfação da mãe, passa num concurso. E ela lhe diz: "mas filho, este ainda não é um bom concurso, você poderia ter feito um concurso para algo melhor". E assim por diante. Existe uma repressão nisso, um distúrbio evidente. Assim, você aprende a não ser quem você é. Você aprende que ser quem você é, tornou-se arriscado e ameaçador. Se você for quem você é, um outro irá criticá-lo até que você comece a ser o que o outro quer que você seja. E se você ser o que o outro quer que você seja, será uma pessoa infeliz e ouvirá deste outro: você precisa ser feliz! Mas, o mais seguro acabou sendo ser aquilo que você não é: você se tornou o que os outros desejam que você seja. Você neste momento pode estar sendo como um médium: a incorporação das expectativas dos outros. Escolhe ser infeliz porque é menos arriscado. E nunca será suficiente. Por que? Porque os outros também deixaram de ser quem são para obedecer os anseios de outros, que também deixaram e assim por diante. É o que já chamei de indústria da insanidade mental.


Eu e você só temos um único poder: o poder de decidir o rumo de nosso destino

Se você fizer o que os outros dizem para fazer, provavelmente, ocorrerá o que vem acontecendo há muito tempo com você: você não será feliz e acabará colocando a culpa nesta pessoa que lhe disse para ser esta ou aquela pessoa, para ser isto ou aquilo na vida. Não importa onde está hoje. Não importa que idade você tem ou para onde levou sua vida. O local do poder está dentro de você, agora. O local do poder está na liberdade e no direito natural que você tem de escolher.

Eu, você, somos os primeiros maiores interessados em desenvolver um discernimento para sabermos cada vez mais para onde precisamos dar nosso próximo passo em nossas vidas. Não são seus pais, a sociedade, o clero ou o pastor, a esposa, marido, os filhos, os amparadores, Deus ou os guias espirituais que estão interessados mesmo em sua vida. Eles até podem estar. Mas, se você não for o maior interessado em saber para onde está guiando sua própria vida, então, honestamente, está plantando as sementes do fracasso interno e da infelicidade, do sofrimento. E é você que é responsável pelos resultados de sua vida.
É neste ponto, neste exato ponto que se localiza o local do poder. O poder pessoal se encontra no exato lugar onde assumimos a responsabilidade por tudo aquilo que escolhemos, seja de forma consciente, seja de forma inconsciente. Significa que interrompemos o movimento inverso de culpar um "outro" por aquilo que nos cabe assumir. O poder pessoal se encontra justamente no local onde compreendemos de forma franca, honesta, autêntica e sincera, que somos os únicos responsáveis por nosso destino, por aquilo que escolhemos o tempo todo. Esta autoconsciência é a profilaxia para que possamos interromper de vez qualquer pulsão por reclamar de nossas condições ou reinvindicar seja lá o que for que nos falte a seja lá quem (o "outro"). Se conseguirmos nos ancorar firmemente neste local interno, o local de onde provém nossas decisões, na maturidade de nosso livre-arbítrio, nossas escolhas, estaremos dando passos mais seguros para uma vida de maior liberdade. Assim, o poder pessoal está no exercício prático da liberdade de escolha. Se temos somente um único poder, e este poder é o poder de tomarmos nossas próprias decisões, o poder de escolhermos nosso destino, desta forma, é neste mesmo local que podemos encontrar a felicidade. A felicidade é o estado interno de espírito resultado de uma vida de escolhas positivas, visando o bem estar pessoal, o desenvolvimento do amor próprio e do discernimento num nível transcendente de vaidade e narcicismos psicopatológicos.

E o que é exatamente este local do poder?

É o núcleo, o self, a consciência. A consciência, ou seja, eu e você, que transcende o gênero e não importa se somos homens ou mulheres, é a fonte do poder pessoal que escolhe nosso destino. A consciência tem atributos que transcendem o sexo, atributos estes que nos acompanham para que possamos evoluir. O que quero dizer com evoluir? Autodesenvolvimento, autosuperação em direção ao prazer, a felicidade verdadeira e a realização pessoal integral. A felicidade se encontra nesta vida e não após morrer, num paraíso ou numa outra dimensão. O momento é agora. Você pode até esquecer tudo a respeito de vidas passadas ou de vidas futuras se preferir. Se você não acreditar em nada disso não importa. Você e eu, estamos agora existindo e escolhendo o tempo todo e somos responsáveis por isto. Este poder de escolha revela que somos responsáveis pelo que pensamos, sentimos e agimos; pelas energias que exteriorizamos nos ambientes e pelos nossos atos na vida social; pelos empregos que tivemos e pelo que temos agora; pelos trabalhos que assumimos e pelos que fazemos hoje; pelos relacionamentos que tivemos e pelo que hoje estamos. Somos responsáveis pelos nossos resultados evolutivos. Não importa no que e nem onde: você sempre será responsável por sua vida pessoal e pelo que ocorre com você e dentro de você. Você nunca está sozinho, esteja você amparado extrafisicamente ou não, é você quem escolhe estar amparado ou não.
A psicopatologia está enraizada numa visão onde a pessoa sente que a fonte do poder está fora dela. Assim, sente-se vítima e impotente para dar passos adiante em sua evolução.
Seja qual for a doença ou sofrimento que você esteja passando, a etiologia básica é a crença de que o local do poder está fora de você e no fato de que a sua capacidade de escolha está imatura ou carente de maior precisão nas escolhas: você não sabe bem para onde ir e fez escolhas erradas ou imprecisas. Não importa. Comece a fazer escolhas mais acertadas para você a partir de agora. O tempo do poder é o agora. É agora que você existe. Você pode até lembrar de seu passado antigo, na China ou na Europa, mas lá você passou, foi.... aquele eu já não existe mais como existiu. Você existe agora e caminha para o futuro. Você decide para onde se movimenta.

Questões para reflexão (seja o mais sincero possível):

1. Defina para você mesmo, porque decidiu retornar para esta dimensão física, aqui na Terra? Renascer em sua família, como homem ou como mulher, neste ou naquele país?
2. Assim, defina qual sua exata tarefa de vida?

3. Defina  o sentido da vida para você e seu nível de autorealização integral?
4. Defina quem você é para você mesmo?
5. Faça uma lista exata de 5 a 10 coisas proritárias que você considera importante para você definir para si mesmo.

Que conclusões você pode tirar deste exercício?

2.3.11

Sexometria: Ensaio Inicial sobre a Escala da Maturidade Afetivo-Sexual

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo, Psicoterapeuta, Conscienciólogo
 


Segue abaixo, um esquema prático, porém incompleto e em franco desenvolvimento, para entendimento da Escala de Maturidade Afetivo-Sexual derivada da Teoria da Aresta Poligâmica, em construção por mim. O rascunho da Teoria da Aresta Poligâmica pode ser lida aqui. Outros textos podem ser acessados e que possuem relação com este artigo: 1, 2, 3.

O texto abaixo é um rascunho e deixo aqui para reflexões inciais.


Zona da Holomaturidade Afetivo-Sexual

1ª Zona: Holosaúde Afetivo-Sexual

- Espiritualização afetiva-sexual de nível avançado a avançadíssimo.
- Casal íntimo espiritualmente e sexualmente.
- Cosmoética vivida; universalismo; predomínio do coronochacra sobre todos os outros chacras.
- Cumplicidade vivenciada cosmoética; pensenização cosmoética contínua; ausência absoluta de promiscuidade e carência; respeito profundo; amor puro vivido.
- Saciedade afetivo-sexual avançada e permanente.
- Condição da Mega-dupla evolutiva.
- Serenões, evoluciólogos e afins.

2ª Zona: Saúde Afetivo-Sexual Contínua

- Espiritualização afetiva-sexual nível saudável, moderado.
- Condição da dupla evolutiva; saciedade afetivo-sexual mais contínua ou permanente.
- Franqueza, sinceridade e transparência de alta a altíssima entre o casal.
- Casal sem filhos ou sem o comprometimento da relação através dos filhos.
- Domínio dos meios anti-concepcionais.
- Pré-despertos lúcidos até os despertos.
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Zona de Transição


3ª Zona: Carência ou Aresta Poligâmica (Psicopatologia afetivo-sexual leve a moderada)

- Espiritualização afetiva-sexual de nível mais baixo e/ou carência temporária por motivos circunstanciais da vida (fatos).
- Adultério Mental crônico; masturbação com fantasias e evocações; congressus subtilis.
- Fidelidade relativa e/ou Infidelidade eventual
- Condição do solteiro(a) crônico ou eventual
- Condição do casal carente ou envolvidos em processos de Síndrome de Personalidade Intrusa e Contaminação Vibratória crônica.
- Pré-despertos em geral, vulgares, até consréus.

Nível 1: Aresta poligâmica passageira: Condição oscilatória da saciedade afetivo-sexual; aresta poligâmica eventual (abertura do campo do casal para as trocas energéticas ou de fato com outros; adultério mental de eventual à crônico)

Nível 2: Aresta poligâmica crônica: Eventuais poligamias (relação aberta; traições; amantes; swing e trocas eventuais)

Nível 3: Aresta poligâmica instalada: zona 4.
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Zona da Aresta Poligâmica


4ª Zona: Poligamia Instalada (Psicopatologia afetivo-sexual grave 1)

- Infidelidade padrão e Aura Promíscua
- Padrão de bloqueio crônico da capacidade de amar (bloqueio nos chacras de sentimento – cardiochacra, coronochacra, frontochacra e sexochacra descompensado).
- Carência crônica, múltiplos amantes, freqüentador de prostíbulos, orgias, etc.

5ª Zona: Promiscuidade Crônica (Psicopatologia afetivo-sexual grave 2)

- Infidelidade e Aura Promíscua
- Carência crônica, múltiplos amantes, freqüentador de prostíbulos, etc.
- Vida sexual animal ou subumana primária.

Nível 1: Vida promiscua aberta: relações casuais animalizantes; outro como puro objeto sexual descartável.

Nível 2: Pré-prostituição: Relações sexuais de escambo; trocas de interesses ocultos e dissimulados de natureza sexual.

Nível 3: Prostituição: Carência psicopatológica; mercantilização do corpo e do sexo;
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Zona da Animalidade

6ª Zona: Animalização Sub-humana: estuprador(a).

- Ausência parcial até total de afetividade.
- Ausência de cosmoética.
- Presença integral de animalidade e predomínio da agressividade animal, instinto.

Nível 1: Pedofilia/Incesto com culpa: Estuprador consciente.

Nível 2: Pedofilia/Incesto sem culpa: Estuprador consciente

Nível 3: Estágio animalizado: Estuprador semi-consciente e inconsciente.

Nível 4: Consciência animal sub-humana vivendo em com corpo humano: práticas de gravíssima psicopatologia afetivo-sexual, como comércio clandestino de estupros com crianças, mulheres, etc. Líder mega-assediador do vampirismo sexual em massa e assim por diante.

22.2.11

A Ciência do Perdão-Reconciliação, Psicoterapia da Autenticidade e Meditação

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta

No universo quase secreto de meu consultório, onde estou semanalmente em contato com muitos pacientes, uma evidência se apresenta para mim: o nosso maior bloqueio, centro de todo distúrbio, está naquilo que chamamos de "alma" (núcleo egóico do Ser). Pela psicodinâmica do campo de energia humana, a alma se localiza na região do chacra do coração: o centro onde pulsam as emoções e sentimentos, tantos os de ódio, mágoa, como os de amor, fraternismo e benevolência. A alma é o Ego. A alma não é o Eu Real. Vivo a cada semana a oportunidade de ter encontros reais com pessoas, transcendendo as aparências e adentrando no universo da intimidade: daquilo que poucos ou ninguem mostra no dia a dia, seus mundos calados, seus universos silenciosos, medos e mesmo potenciais e qualidades virtuosas.

A grande maioria dos pacientes, e admito não lembrar de um único, apresentam fortes bloqueios no chacra emocional, localizado na região do coração. Ou seja, a raiz da psicopatologia está na existência do Ego. E podemos tradudiz Ego por aquilo que Sidartha Gautama, o "Buda" chamou de Maya (Ilusões). É neste centro que escuto ser o local da angústia, da prisão de sentimentos, da tristeza, da mágoa, ressentimento e assim por diante. E como toda angústia é algústia de alguma coisa; e como toda mágoa, ressentimento é de alguma coisa ou mais precisamente falando, de alguem, estamos aqui na dimensão dos relacionamentos. O bloqueio emocional está ligado diretamente a uma patologia dos cordões de energia emocional-sentimental que, se romperam ou se deterioraram em relacionamentos íntimos anteriores. Traições e muitos outros fatos levaram a grande maioria de meus pacientes a bloquear seu núcleo emocional. Eu mesmo estou livre deste bloqueio? Não. Todos nós carregamos processos emocionais que estão sendo a tempo integral, metabolizados, digeridos pelo chacra emocional, cardíaco. Quando inicio o trabalho de autenticidade, ou seja, de ajudar os pacientes a serem realmente quem são, inevitavelmente lhes ajudo a entrar em contato com seus sentimentos, visto que seus pensamentos estão distorcidos através de crenças que refletem o distúrbio associado ao bloqueio do chacra. Para isto uso técnicas que resumo em "explorações das paredes psíquicas", que são imagens quase arquetípicas onde o conflito é representado psicodinamicamente no palco imaginário, o qual tem por função esconder ou proteger a dor e as humilhações associadas às agressões recebidas no passado, em alguma ou algumas relações que teve. Ao explorar as imagens mentais do bloqueio, inevitavelmente, o paciente se defronta com situações onde acaba liberando pela catarse conteúdos reprimidos e mesmo, em alguns casos, acessando as vivências diretas de vidas passadas, fontes dos traumas.

Seja nesta ou em vidas anteriores, a evidência aponta que: o perdão-reconciliação contínuo é a porta para a liberdade mental, emocional, energética e existencial.

Não falo aqui do perdão religioso, o qual a pessoa pede a Deus o perdão de seus pecados. O perdão que trago aqui, como necessidade em termos de saúde mental e espiritual, é o perdão que liberta nosso próprio ser do sofrimento passado que ainda permanecemos ligados, pelo ressentimento, o ódio, a amargura, a raiva e o desejo de vingança. É necessidade de evolução e libertação íntima do sofrimento em direção da felicidade. O perdão é a libertação da alma de todo desejo de vingança e represália, através de atos contínuos de compreensão, mudança de percepção, mudança de valores pessoais, abrir mão do "Ego", da vaidade, da auto-importância e assim por diante. O perdão é uma reciclagem interna, profunda, que ocorre como uma cicatrização da ferida emocional que fora procovada por uma ou outras pessoas, num dado momento de nosso passado. O perdão é a escolha consciente pelo caminho do amor a si e aos nossos irmãos de evolução e, repito, nada disso tem a ver com religião: a psicoterapia, a clínica, o consultório vem trazendo esta ciência experimental e esta necessidade urgente.

Os relacionamentos terminam, novos são criados, e mágoas vão sendo levadas de um para outro relacionamento. Medos de entrega, repressões sexuais e afetivas vão sendo alimentadas e, a cada novo relacionamento, novas mágoas, ressentimentos vão sendo armazenados na região cardíaca, comprimindo as energias do chacra, aumentando o peso energético da região, trazendo angústia e sensações muitas vezes físicas de queimação, ardência, formigamentos, etc, sempre desagradáveis, dolorosas. Ou seja: a atitude de não perdoar só nos mantém na dor. Criamos a dor ao mantermos os ressentimentos e o orgulho. O orgulho é o nosso inimigo maior: ele mantem o Ego erguido diante da necessidade de não perdoar e, assim, nutre o ressentimento e o ódio. É um círculo vicioso: o agressor comete o dano, agride, ofende e gera a mágoa no outro. A pessoa magoada não aceita o que lhe fez e, com isto, não libera o perdão, com o medo de que se liberar o perdão estará acatando aquilo que lhe fizeram. E, esta escolha faz com que a pessoa opte por permanecer ligada a fonte da dor, a memória, as significações, os sentidos associados ao ato agressor e, com isto, decide por permanecer agredindo a si mesma. Na essência, a agressão gera no agredido a sensação da culpa, da humilhação e o ódio de si mesmo. E toda agressão, é auto-agressão.

Faça uma pausa: feche os olhos, respire lentamente, profundamente, 3 vezes. Prossiga a leitura.
Todo perdão é auto-perdão, é perdoar a si mesmo. É aceitar a si mesmo. Aliás, não existe mudança que não começe pela aceitação de quem somos agora. A auto-aceitação gera em nós a liberdade de podermos mudar. E para que possamos nos autoaceitar como somos agora, temos que revisar nosso passado e seja lá o que fizemos, nos perdoar: auto-reconciliação. Não significa "passar a mão em nossas proprias cabeças". Significa, olhar para trás, aceitar, e deixar o passado para trás: libertar-se. Assim, podemos fazer de nosso presente algo diferente, melhor e de nosso futuro algo melhor ainda.

Todo perdão exige uma reconciliação: o fazer as pazes, seja com outra pessoa, seja conosco mesmos. A reconciliação é o voltar a sermos amigos de nós mesmos, antes de tudo. É a atitude de autenticidade mais franca, honesta e sincera, onde olhamos para nós proprios com o máximo de franqueza, no entanto, sem nos criticarmos, livres da atitude autodestrutiva de sermos autoimperdoadores. O perdão que concedemos de forma responsável a nós mesmos liberta: liberta-nos da prisão que criamos em volta de nossos ressentimentos, traumas e mágoas do passado. Liberta-nos do Ego que nutrimos: nosso eu falso, nosso eu distorcido, a auto-imagem, o auto-conceito, o narcisismo doente.

Os resultados do não-perdão, de si e dos outros, está evidenciado clinicamente também. Certa vez, em regressão, uma paciente em estado de grave perturbação emocional, em transe, apresenta os sintomas mediúnicos de uma personalidade intrusa, extrafísica, que a acompanhava desde uma vida antiga na África. Naquela oportunidade, as tribos vencedoras faziam orgias canibais com as tribos perdedoras. Ela, naquela vida, teria literalmente comido a vítima que naquele momento, estava lhe perseguindo e até certo ponto lhe torturando ainda. A consciência extrafísica, perturbada pela violência daquela vida (vingança, ressentimento, mágoa, ódio) assumiu pela psicofonia (mediúnica) da paciente e falava comigo. Eu tentava fazer a reconciliação entre ambas, enviando-lhe energias fraternas de paz e aceitação, livre de preconceitos e julgamentos de sua atitude de perseguição. O ódio pulsava em seus olhos. Mas tratei-a como um doente, e certamente, estava em grave estado parapsicose, apresentando uma parapsicopatia. Afinal, por um lado, sua atitude tinha base histórica, se justificava historicamente pelo que teria passado na mãos da paciente, noutra vida. A reconciliação foi realizada, a consciência ficou mais pacífica, expliquei a ela que estava presa neste processo há mais de 1.000 anos e assim por diante. Conversamos, enviei mais energia de paz, e ela em dado momento, se desprendeu da paciente e foi levada para tratamento extrafísico, nos hospitais astrais. Os amparadores, que são consciências de maior benevolência e equilíbrio mental e emocional, acabaram por resgatar o doente extrafísico acometido pela chaga da vingança. E a grande maioria dos assédios de natureza extrafísica, quando mais densos e patológicos, estão carregados da incapacidade de amar, perdoar e transcendermos nossos egos de nossa autoimportância, que atravessa as várias e várias vidas. Vamos expandir um pouco: a grande massa dos conflitos planetários estão enraizados na existência do Ego e, diante disso, o Ego busca defender-se de ameaças: ofendendo, atacando ou não perdoando e se reconciliando com aqueles que nos fizeram o ato danoso. E mais longe ainda, religiões matando-se entre si, lutando pela defesa de dogmas e verdades que nunca serão definitivas. Ciências brigam por paradigmas que nunca serão definitivos e completos. Nada existe de ponta, nada existe de mais avançado: na essência estes conceitos todos são produtos do Ego que, alimentando-se da vaidade e da necessidade da prepotência, arrogância e poder, subjuga outros enquanto que se vinga daqueles que o subjugaram. É um ciclo psicosociopatológico que acompanha a humanidade a milênios, vida após vida.

Não importa o que fizemos em vidas passadas, importa quem somos agora. Importa o que pensamos e sentimos agora, importa nossos atos agora. O passado somente importa para abrirmos as portas para o perdão e a autoaceitação e assim, nos libertamos do mesmo passado, em troca do presente e do futuro: os locais da felicidade. A terapia de vidas passadas, ou como chamo tecnicamente de retrocognoterapia ou retrocognição clínica, ajuda o paciente a compreender-se, auto-transcender, aceitar-se, perdoar-se, perdoar os que têm conflitos na vida, hoje, familiares, etc. A tarefa básica da regressão é proporcionar as experiências de reconciliação consigo mesmo, expandindo nosso universalismo e nossa capacidade de amar e aceitar os outros seres, outras raças, etnias, pois nós mesmos já passamos por muitos países e até outros planetas. Mas pode também, nutrir o Ego, que busca no passado a personalidade famosa que foi, o Rei ou Rainha. Nada há de mais decepcionante para o Ego, lembrar que foi abusado sexualmente no passado, quando era um garoto que fora adotado por uma família, cuja empregada cometia os abusos sexuais. Mas para o Eu Real, é rica esta lembrança, pois expande o autoconhecimento e engrandece as respostas para comportamentos e posturas atuais até então não compreendidas: geram aceitação e abre o espaço para a mudança. Da mesma forma as grandes experiências parapsíquicas: ou aumentam o Ego de volume ou ajudam o Ego a evaporar gradualmente, pelos contatos com o Eu Real. A escolha é nossa.

Se pudesse resumir o que é a psicoterapia, poderia dizer que é o espaço onde existe um encontro de duas pessoas reais, autênticas, o mais livres de máscaras, fachadas e estratégias de burlar o contato com o Eu Real que somos. Esta é a função social da psicoterapia, seja ela de que linha for, a de formar cidadãos autênticos, honestos consigo mesmos e verdadeiros consigo mesmos. Acredito que, quanto mais autênticos e verdadeiros pudermos ser com nosso Eu Real (dissolvendo gradualmente o Ego), assim estaremos semeando a futura sociedade ancorada na autenticidade. É como a profecia da Anarquia: a sociedade formada por sujeitos que se autogovernam, inexistindo o Estado e, portanto, a violência e a vingança instituída e legitimada. E a mudança interna se expressa pela maior amorosidade, expansão de percepção, consciência e autorealização. Uma sociedade assim é formada por cidadãos livres, internamente livres.

É o momento de ultrapassarmos as fronteiras da religião e da ciência, e trazermos o perdão e a reconciliação como aspectos centrais de todo processo de evolução pessoal. Posso até dizer que a missão de todos nós está na reconciliação conosco mesmos e com tudo e todos, a família, sociedade, culturas, etnias, raças, preferências sexuais, tabus, planeta e universo. É o aprendizado do amor real, puro. É o processo de tornar-mo-nos novamente cidadãos do cosmo, do universo. É a reconciliação total, com o Holos; é a cosmoterapia, holoterapia e a religião verdadeira: o voltarmos a nos sentirmos conectados ao Universo como um todo em clima interior de paz, fraternidade e amizade.

Venho colhendo experiências maravilhosas neste caminho, quando uma paz que surge de meu interior, uma alegria serena, um estado mental sereno e lúcido de vez enquando enobrece meu espírito e inunda minha consciência de sentido. Admito que este estado mental de serenidade e paz de espírito não é assim tão fácil de se conseguir, mas somente o conseguimos se começamos a dar passos de perdão e reconciliação sinceras em nossa caminhada. Começo a compreender finalmente, pela experiência, a essência daquilo que no Oriente é chamado de estado meditativo ou meditação, como o estado mental de alerta pacífico, sereno, sem esforço, e não concentrado. Uma alegria sem razão. Uma serenidade sem motivo.

O resultado do perdão-reconciliação é o estado meditativo, porque a cada perdão-reconciliação, partículas de Ego são evaporadas até que todo o Ego se dilua naturalmente no espaço cósmico. É isto que podemos chamar de moksha, ou estado de consciex livre, espírito puro, libertação de samsara, ou o do ciclo das reencarnações. Pressuponho que o dia em que estivermos em paz profunda consigo mesmo e com o universo, com a vida e com a essência divina que gerou-gera Tudo, viveremos permanentemente lúcidos, serenos, em contínuo estado meditativo, livres de Ego e, portanto, da necessidade de renascer, reencarnar. Não seremos afetados por nada, porque nestas alturas nem existirá ego e portanto perdão e reconciliação, pois estes últimos são parentes do Ego e não do Eu Real. O Eu Real não se sente ofendido. Para o Eu Real não existe patologia, assédio, obsessão e todos estes estados psicopatológicos, porque toda psicopatologia está associada intimamente aos desafios do espírito em evaporar gradativamente a parte que chamamos de Ego (Eu Irreal). Esta libertação é a própria evolução e o motivo de todos estarmos aqui, neste momento, reencarnados e mesmo desencarnados: o aprendizado de amar.

Qual a sua opinião diante de tudo que escrevi? Que resultados você colheu até o momento não perdoando a si e aos outros? Que resultados teria a sua vida caso começasse a se reconciliar-perdoar consigo e com aqueles que possui algum conflito? Vale a pena começar?

17.2.11

Sobre o Perdão, Fraternismo, Benevolência e outras questões práticas

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo Clínico e Psicoterapeuta


Pergunta: Praticar o perdão sincero compreendi, mas poderia comentar mais sobre isso quanto à dinâmica social?
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O perdão sincero ocorre quando eu consigo compreender e alcançar a profundidade do outro de um ponto de vista do outro e não do meu e, com isto, cicatrizar minhas feridas emocionais que sempre estão ancoradas tanto em fatos como nas fantasias associadas a estes. Fantasias estas que são as distorções criadas pela minha mente de forma a me convencer de que tenho a razão e a outra pessoa é culpada pelo erro abomivável que cometeu, e merece ser julgada, criticada ou culpada, sofrendo penalidades.

Esta dificuldade está associada, ao meu ver, a múltiplos fatores, mas posso resumir na seguinte palavra: egoísmo. O egoísmo é a expressão mais direta da auto-importância. Nos julgamos importantes a ponto de acreditar, fantasiar, que aquilo que o outro nos faz e que julgamos errado, feio e pecaminoso, é dirigido para nós; ou seja, é algo pessoal. O ponto de vista que trago aqui é diferente: em geeral, não somos importantes coisa nenhuma para os outros. Para os outros, quem é importante é o si mesmo e resumo na seguinte frase: "eu sou importante". A auto-importância  não é a auto-estima ou o amor próprio. A auto-importância é a crença da superioridade aos demais e que fortalece o significado que os atos dos outros tem perante nós. Assim, quanto mais importante creio que sou, quanto maior é meu narcisismo, maior será o ressentimento, a raiva, o rancor, o ódio da pessoa que cometeu um ato que eu mesmo julguei abusivo. Detalhe: o significado de abusivo está relacionado diretamente com o nível de auto-importância que alimento. Por outro lado, se alimento uma percepção franca, honesta e sincera de mim mesmo, continuamente, com os pés no chão da realidade de mim mesmo, tal atitude age como vacina contra as emoções tóxicas. E, as emoções tóximas intoxicam a quem? A quem cometeu um dano contra mim? Em termos. Até intoxica devido ao fato de que as ondas mentais e emocionais se propagam no espaço como a energia que atinge a outra pessoa, que acaba sentindo a pressão do conflito instalando em meu interior. Mas, em termos mais precisos, o único maior prejudicada pelas toxinas emocionais sou eu mesmo, porque é dentro de mim que tais emoções negativas pulsam e corroem meu interior, afastando-me de meu núcleo. A auto-importância então é a fachada, a máscara da crença da auto-desvalorização: aqui eu creio que no fundo não valho nada ou muito pouco. a dificuldade do perdão está justamente na crença de que não valho nada ou não merceço valor. Para resolvermos definitivamente tal dilema de profundo sofrimento, da alta psicopatologia que se manifesta de múltiplas formas em muitos distúrbios, precisamos criar o sentimento sincero de que merecemos e que somos dignos de estima e valorização. Assim, passamos a olhar gradualmente os agressores como pessoas que alimentam dentro de si mesmas potentes sentimentos de auto-desvalorização. O perdão é mais que o libertar o outro, é antes de tudo, auto-libertação de toda toxina emocional derivada do ódio e da raiva que alimentamos perante outros que julgamos que nos fizeram o mal. É necessário aqui revermos nossas crenças e experiências de vida a fundo. Pode ser pela psicoterapia, pode ser sozinho. De qualquer forma, uma mudança de percepção é necessária para que o sentido do perdão seja compreendido mais em sua essência. O perdão além de perdoar o outro, agressor, liberta a si mesmo, como auto-perdão. Aos poucos temos que gradualmente perdoar a nós mesmos por erros cometidos no passado, por imaturidade e ignorância, ou mesmo por má intenção que tivemos. E dar passos adiante no caminho da maturidade mais integral e lúcida.

O impacto disso tudo em nível social e parassocial (extrafísico) pode ser percebido nas guerras, genocícios, lutas entre doutrinas, religiões, pensamentos, filosofias, linhas de ciência, na família e num nível mais micro, no casal e na relação com os filhos, na escola, e assim por diante. Manifesta-se na dificuldade com o diferente, com aquilo que é diferente de nós mesmos. É fácil não ter conflito num grupo de iguais, mas num grupo de diferentes, a coisa complica. O ecumenismo está aqui para tentar transcender as forças que separam os diferentes, na busca do comum. São manifestações da agressividade, juntamente com a ganância, a sede de poder e humilhações de nações, escravidão e subjugação de um povo inteiro a um sistema de castração da sexualidade madura e digna e assim por diante.

Por outro lado, cabe-nos sublimar, transcender todas as forças que modelam nosso núcleo que tentam nos direcionar para a agressividade, sempre danosa. Cabe-nos trabalhamos nosso interior para termos atitude fraterna e não-agressiva, porém, o mais lúcida e o menos inoscente. Os danos da inoscência também são nefastos, vide aquela pessoa humilde da roça que acredita nas palavras bonitas e sedutoras do político de que o mesmo irá ajudar as pessoas e acaba votando nele. Após, o político desvia milhares de reais das contas públicas e não aplica o que prometeu. O cidadão de bem fica revoltado, naturalmente, com tal ato.
Cabe ao Estado, nas mãos de pessoas de bem, mais lúcidas, proteger, amparar a sociedade num sentido de aplicar corretamente o Direito diante destes casos de corrupção, por exemplo. Um dos maiores problemas sociais hoje é a corrupção: ela corrói todo o sistema, abre margens para o intrusão dos estados paralelos no governo e a contaminação do Estado, tornando-o doente. Na raíz, está a auto-agressão: os corruptos plantam as sementes de sua própria desgraça ao realizarem tais atos, diante do impacto que geram nas pessoas de bem, pagadores de tributos.

Cabe-nos ampliar a compreensão sociológica e mesmo a psicológica, parapsicológica em níveis mais profundos, pelo autoconhecimento e pelo interesse no humano, para que possamos estar aqui no mundo, sem rancor, sem arrependimento, sem vontade de fugir daqui e, por fim, literalmente encarnarmos e aceitarmos o fato de estarmos aqui, num mundo ambínguo e plural, diverso e complexo, e que foge ao nosso entendimento completo e definitivo, por mais que nos esforçemos para tal. E lidar com esta falta, este "nada", esta "impotência" em saber tudo, em conhecer tudo, parece-me que é a porta da liberdade e do estarmos vivendo na realidade mais próximo de como ela é.

De um ponto de vista prático, vale compreender o nível de egoísmo que estamos. Vale começar, como já coloquei, a realizar algum tipo de serviço voluntário, humanitário, com vistas a cicatrizar as feridas do egoísmo e a abrir o espaço para a fraternidade, expandindo as energias afetivas e unindo-as às energias mentais e mesmo as sexuais, equilibrando o campo de energia (aura). Necessário praticar continuamente o perdão para filtrar a agressividade e abrir os canais do afeto sincero por si mesmo e pelos outros.



Se você não sabe o que faz no mundo, não importa: começa a ajudar as pessoas. Tente fazer o movimento de sair de seus próprios problemas. Muitas pessoas têm muito mais problema que você e você pode ajudá-las. Pode ser um pouco, mas você pode. Certamente se conseguir fazer um movimento como este, começará a sentir-se mais feliz. A vida, por um lado é complexíssima de compreendermos, mas por outro é simples.

15.2.11

Diálogo Franco e Reconciliação Contínua: a chave para a Saúde Afetivo-Sexual do Casal

Por Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo, Psicoterapeuta

Como estar inteiro(a) em corpo e alma na relação sexual e alcançar um nível de alta satisfação no sexo, com orgamos intensos em ambos parceiros se existe alguma "coisa" que situa-se entre o casal? Vou ser mais direto ainda.

Parece-me impossível que um casal alcance a saciedade afetivo-sexual profunda, com saciedade bioenergética, corporal e emocional conjunta, caso exista algum conflito (ou problema) entre ambos. Este conflito está entre o casal e impede a entrega ao amor que tem como conseqüência o orgasmo profundo. Esta idéia de que orgasmo e capacidade de entrega ao amor estão unidas não veio somente de minha experiência pessoal, mas antes disso, das investigações clínicas do iminente psicoterapeuta Wilhelm Reich. Para Reich, a psicopatologia ou o sofrimento mental-emocional-físico estão diretamente ligados à incapacidade de amar e, por conseqüência em distúrbios orgásticos. Estou de acordo com Reich neste ponto central. Mas o que impede a capacidade de amar? O que impede do casal estar entregue um ao outro ao amor e por consequencia à experiência das experiências que é o orgasmo?

Os conflitos interpessoais de um casal são reflexos de alguns fatos comuns a praticamente todas as pessoas que se arriscam se relacionar, seja de forma evolutiva ou não:

1. Conflitos pessoais: neste caso, cada um dos cônjuges possuem conflitos internos mal resolvidos; pendências de seus passados mal cicatrizados; feridas emocionais, mentais e existenciais desta e de vidas anteriores que contaminam a vida atual e a percepção da realidade do parceiro(a), impedindo uma entrega efetiva e saudável. Aqui, adentra o poderoso conflito advindo do Complexo de Édipo, tal como mapeado por Sigmund Freud. É fundamental que ambos os parceiros resolvam o máximo possivel de seus conflitos com seus pais e familiares diretos (irmãos, irmãs), pois caso contrário, cairão fácil na armadilha da projeção do pai, mãe, irmãos no próprio parceiro, confundindo as percepções e prejudicando a saúde da relação.

2. Carência de Autoconhecimento: esta carência é a consequencia natural do primeiro item. Quando menos autoconhecimento; quanto menos os cônjuges sabem quem são e procuram um caminho de vida de autorealização pessoal, em primeiro lugar, menores são as chances de uma relação conjugal saudável e satisfatória. Ao contrário, quanto maior é o envolvimento dos parceiros consigo mesmos, numa entrega a seus próprios universos interiores, maiores serão as chances de transcenderes conflitos, alcançando o diálogo honesto e manterem uma reconciliação contínua como a dinâmica básica do casal que mesmo após anos de relação, mantém a "aura de paixão/amor" acesa tão sonhada pela imensa maioria dos casais.

3. Pudores sexuais: sexo é sujo; sexo é coisa de puta; esposa precisa ser santa; mulher que trepa é puta; calcinha enfiada na bunda é vulgar; sexo oral, anal... é nojento e pecaminoso; ter fantasias sexuais é pecado; e assim por diante. Quanto maior for o bloqueio mental relativo aos conceitos que cada um dos parceiros têm do sexo e também do orgasmo, maiores serão os conflitos, sejam estes conflitos ocultos, escondidos no silêncio da relação, sejam conflitos abertos, francos entre ambos. Não importa, a solução aqui é a alfabetização sexual contínua e cada vez mais aprofundada. Pesquise sobre sexo, sexualidade... pesquise o que for importante para ambos parceiros libertarem-se de pudores castrantes da felicidade de ambos, da vivência do amor mais puro e da sexualidade madura e saudável. Quanto maior é a repressão dos desejos sexuais que ficam ancorados em conceitos e crenças irracionais diante do sexo, menor é a satisfação emocional, sexual e existencial de ambos cônjuges e a probabilidade de traições e distúrbios da relação aumenta bastante.

4. Aresta poligâmica: a aresta poligâmica é a área subjetiva ou objetiva onde um ou ambos cônjuges se relacionam, sejam via fantasia ou pelas vias de fato, com uma terceira pessoa, mantendo algum tipo de relação sexual e alcançando alguma saciedade que não está sendo possível na própria relação real, dia a dia, de ambos. Convém aqui a noção de que, quanto maior é medo à intimidade de um ou ambos cônjuges; quanto maior é a resistência à uma relação honesta, franca, sincera e autêntica entre ambos, menos serão as chances de uma relação feliz e satisfatória. Aqui neste caso, o egoísmo prepondera. Voltamos aos primeiros itens desta lista: conflitos internos e carência de autoconhecimento.

5. Carência de comprometimento consigo mesmno. Um casal onde o comprometimento de cada um consigo mesmo é fraco, produzirá uma relação fraca em comprometimento. E comprometimento consigo significa um compromisso pela reforma interna, pela reciclagem de nosso interior e de nossas existências numa direção mais evolutiva e sincronizada com o universo e com o bem, com a assistência, com algum envolvimento em práticas humanitárias de ajuda ou algo nesta direção, anti-egoísta (transpessoal).

Assim diante destes itens, alguns pontos podem ser trabalhados, cultivados em todas os relacionamentos onde ambos cônjuges desejam uma relação mais evolutiva, adotando uma postura crescente de ajuda mútua e evolução a dois (esta lista é o oposto da lista acima):

1. Reconciliação consigo mesmo: ambos comprometem-se numa prática contínua de auto-reconciliação, onde cada um inicia e mantém um modo de vida onde torna-se aos poucos um amigo fiél de si mesmo; deixa pouco a pouco, as atitudes de ódio de si mesmo, inaceitação, imperdão por erros e omissões, autocrítica negativa e autodestrutiva; e passa a alimentar uma atitude de amizade e amor próprio crescente; lidando com os lados sombrios da personalidade, as falhas, faltas, fraquezas e carências de forma sincera, honesta, franca, porém, amiga e fraterna.

2. Autoconhecimento contínuo: ambos comprometem-se em trilhar o caminho do conhecer a si mesmo, cada vez mais, ininterruptamente, sem paradas. Encaram o autoconhecimento como o pilar da felicidade pessoal e da relação; compreendem que quanto maior é o conhecimento de si, menores serão os conflitos na relação que possuem relação com trumas e problemas pessoais de cada um dos cônjuges.

3. Liberdade sexual: ambos comprometem-se com a alfabetização sexual, libertária e madura, livre de promiscuidade e com o máximo de liberdade com fins à saciedade profunda afetivo-sexual de ambos parceiros; livre dos pudores castradores da liberdade sexual e da felicidade orgástica; ambos comprometem-se em ajudarem-se no sentido de alcançarem os orgamos conjuntos intensos, verdadeiros agentes profiláticos de psicopatologias e patologias de ordem fisiológica (aumento da imunologia). Ambos unem cada vez mais sexualidade com maturidade e espiritualidade, sem conotações promíscuas ou pseudo-tântricas.

4. Fidelidade conjugal franca: ambos compreendem os fundamentos evoltivos da fidelidade conjugal reciproca como agente dinamizador do amor puro e da felicidade mais duradoura da relação, numa parceria evolutiva, honesta e amorosa, respeitando o microuniverso do casal ante a intrusões de ordem invejosa, sexual e mesmo as espirituais (assédios extrafíscos de bases energívoras). Aqui adentra o ortopensene, ou os pensamentos-sentimentos-energias centrados no cônjuge amado, afetivo e sexualmente, sem possibilidade de inclusão de um outro (amante virtual ou real) na relação, mantendo a aura protegida e amparada multidimensionalmente a partir da base: os pensamentos sinceros de amor ao parceiro(a). Tal prática franca e honesta é das mais difíceis nos casais. Aqui entra o senso de assistência e fraternismo entre ambos, onde cada um ajuda o outro a superar suas fraquezas, ao invés de priorizar as críticas destrutivas que são resultado das espectativas frustrantes de que o parceiro é um principe ou uma princesa encantada. Quanto maior é a fidelidade natural do casal, maior é a entrega ao amor e à felicidade e, por consequencia, maiores serão as chances de uma relação sexual de profunda satisfação.

5. Comprometimento consigo, com o cônjuge e com a evolução: o tópico fala por si. Quanto maior é a honestidade e franqueza dos cônjuges para consigo, maiores as chances de um casal alcançar picos de profunda felicidade (para-orgasmos) e satisfação cósmica e existencial. O comprometimento consigo é o ato de interrompermos continuamente a prática de nos corrompermos, mentirmos para nós mesmos e para o cônjuge; "tampando o sol com peneira"; "esconder poeira embaixo do tapete"; fingir; ocultar fatos importantes a serem falados; evitar conflitos importantes para a reconciliação completa; medo da franqueza e verdade; e assim por diante. Quanto maior é o compromisso dos cônjuges consigo mesmos maior é o respeito para consigo e, por consequencia, do respeito para com o parceiro(a). Quanto maior é o respeito maior é a ética entre ambos. E quanto maior é a ética, os cônjuges aos poucos vivenciam a cosmoética na relação, passo a passo, como algo natural, não-dogmático. O compromisso aqui transcende o eu, e ruma para a evolução planetária e cósmica mais abrangente e do papel de cada um dos cônjuges na vida, na existência e no universo. Quanto maior é a sintonia de ambos com o universo, maiores são as chances de uma relação feliz e mais plena de amor e sentido.

Portanto, os distúrbios na área da sexualidade são complexos mas posso resumir o assunto inteiro no título deste texto: do diálogo franco e a reconciliação contínua do casal passam a ser a chave para uma relação conjugal saudável, afetivo e sexualmente.

Em uma escala de 0 a 10, que nota você dá, honestamente, para a capacidade de diálogo pacífico e maduro, assim com as reconciliações contínuas em sua relação, com seu cônjuge?

Independente da nota, aproveite e reveja todos os itens das listagens acima num auto-exame honesto, pacífico e franco de si mesmo e de sua relação. Identifique suas fraquezas de forma fraterna e procure formas de supera-las. Não fuja de si mesmo. Enfrente-se com naturalidade, sendo amigo de si. Seja íntimo de si mesmo, para depois, conquistar a intimidade com sua (seu) amada (o). E assim por diante. O desafio é imenso, mas os resultados são duradouros. Vale a pena todo o esforço neste sentido. A liberdade está em suas mãos.