30.11.11

Robert Monroe, seu papel no desenvolvimento da Projeciologia e relações com a minha experiência, a de Sylvan Muldoon, Waldo Vieira e outras considerações. (parte 1)


Por Dr. Fernando Salvino (MSc.)
Parapsicólogo Clínico, Psicoterapeuta, Conscienciólogo
FEBRAP/ABRAP/NIAC

Dedico carinhosamente este artigo a Marcio Emiliano, leitor desta revista, por ter me solicitado escrever sobre Robert Monroe e sua relação com a Projeciologia.




Robert Monroe e a Projeciologia

A conexão direta entre eu e Robert Monroe se deu naturalmente através da revista que acabei criando para veicular meus experimentos parapsíquicos e científicos na área avançada da consciência. Márcio, após ler o artigo publicado a respeito do renomado projetor Sylvan Muldoon, solicitou-me que escrevesse acerca de Robert Monroe.

E admito caro leitor, nunca li nada das obras de Robert Monroe, além de citações a respeito de sua importância no campo mais laboratorial da projeciologia e acerca de sua experiência como projetor consciente e alguns relatos. Seu nome é bem falado nos corredores do IIPC, porém, sem qualquer aprofundamento. Nunca interessei-me em ler sua obra, assim como a de muitos outros projetores, porque sei da veracidade da experiência. Por outro lado, li integralmente o material publicado por Waldo Vieira, que será a terceira personalidade o qual escreverei um artigo dedicado. Isso se deu diferentemente com Muldoon, pois a obra de Muldoon foi a primeira obra que tive contato sobre o assunto.

Então, foi assim que cheguei diretamente até Monroe, por pedido de meu amigo leitor. E certamente demoraria para acessá-lo. Meus interesses estão primeiro em experimentos pessoais e, em segundo, em experimentos de outros pesquisadores e, terceiro, em material teórico-científico da área. Mal dou conta de meus próprios experimentos e afazeres, casos clínicos, pesquisa, escrita de artigos, família, filho e outras tarefas familiares. Luto desde criança para a autosuperação de meu déficit de atenção sem qualquer uso de medicação, somente com exercícios mentais e estudo concentrado e meditação. A solicitação do leitor é que delineasse o papel de Monroe na ciência da projeção consciente, ou a Projeciologia. Não sei se estarei conseguindo fazer isso, porque o que escreverei é mais um depoimento que um estudo histórico. Como não sou historiador, reservo-me do direito de escrever da forma como me soa mais confortável e prazerosa.

Prontamente, comecei a ler a obra “Viagens para fora do Corpo”. E, por suspresa, deparei-me com a introdução de um dos mais qualificados parapsicólogos do planeta, Dr. Charles Tart, pesquisador que fiz contato há anos atrás o qual recebeu-me, em e-mail, cordialmente com seus textos a respeito da projetabilidade consciente. Mas seu depoimento é impactante. Tart coloca-se em alto nível de honestidade diante do trabalho de Monroe. E eis que finalizo a introdução e começo a ler o primeiro capítulo, que narra a experiência desencadeadora de Robert. Monroe passa por intensos estados vibracionais espontâneos, a princípio e que ao longo do tempo seguinte culminaria com uma experiência de bilocação. O mais intrigante é sua aguçada capacidade de descrição da experiência, verdadeira pesquisa fenomenológica do fenômeno projeciológico. Sua precisão é evidente. No Brasil temos um problema grave, a Parapsicologia está praticamente diluída, por outro lado, temos a Projeciologia e Conscienciologia em alto nível de organização e expansão científica. A equipe científica relacionada é das mais profissionais e científicas do planeta.

É importante esclarecer ao leitor que tornei-me parapsicólogo muito depois de ter experimentado o fenômeno projetivo, desde antes de meus 9 anos de idade. A razão da precocidade destas experiências me são desconhecidas. Sou como Muldoon, que faz ciência de si mesmo. Parto da hipótese que tenha sido aumentada esta predisposição a partir de meu trauma do parto. Assim, começo pela experiência para depois ir à teoria, que incluo, experiências de terceiros.

Inicialmente, venho dizer que Monroe é como um segundo Muldoon. Depois de Muldoon, cronologicamente falando, parece que somente Monroe consegue fazer ciência de seus próprios experimentos projetivos, sem misticismo e fantasias, tal como observa Tart e, o mais interessante, é o paralelo que faço entre ambas histórias. Em Muldoon, ocorre a busca por Hereward Carrington, renomado pesquisador psíquico do século XIX e XX, o qual realizam intensa troca de experiências. O fenômeno em Muldoon inicia quando tinha 12 anos de idade, quando entra em catalepsia projetiva ou astral. Agora vamos para Monroe. Monroe passa pela experiência de sentir as vibrações no corpo e repito, são sensações realmente estranhas, ainda mais quando posteriormente vem a experiência extracorpórea consciente sem perda de lucidez. A experiência de ouvir e sentir os sons dentro do cérebro é realmente bizarra, como tenho experimentado várias vezes. Após busca ajuda de especialistas, médicos, psicólogos e eis que em sua obra encontramos Charles Tart, o qual podemos compará-lo em importância, ao renomado Sr. Carrington. Ambos fazem investigação em conjunto e tendo laço de amizade que transcende o de pesquisadores e os aproximam como pessoas. O depoimento de Tart é de uma honestidade admirável.

Essa é a primeira análise comparativa e parapsicológica que faço das obras. Faço como parapsicólogo e como projetor consciente que também teve sua vida completamente virada ao avesso diante dos impactos progressivos que cada experiência ia me lançando.

Como Muldoon, Monroe dá, mesmo sem saber, continuidade ao modelo de pesquisa que não é nem qualitativa, nem quantitativa, mas instala-se numa forma de investigação direta do fenômeno parapsíquico pelo próprio experimentador-pesquisador. Podemos chamar de auto-pesquisa experimental, onde o pesquisador se lança no experimento e depois faz ciência do mesmo, percorrendo o ciclo da aprendizagem experiencial tal como delinearam John Dewey, Kurt Lewin e outros. Parece-me que existe uma correlação entre as experiências de ambos projetores:

1.    Experiência desencadeadora fulminante: catalepsia astral ou projetiva e estado vibracional e conseqüente bilocação;
2.    Impacto da experiência e alteração cognitiva, com alteração profunda da estrutura consciencial (cognitiva, emocional, pensamentos, crenças, etc)
3.    Busca por informações em obras e especialistas, com pouco resultado;
4.    Contínuos experimentos projetivos e analisados, descritos com alto nível de precisão, a ponto de podermos, como projetores, comparar a experiência e obtermos maior visão sistêmica do fenômeno;
5.    Publicação em conjunto com algum renomado pesquisador, desconectando o escritor na categoria de insano ou psicótico, pelo atestado do pesquisador-autoridade.

Sobre Waldo Vieira e a Projeciologia

Na década de 70 (1979), no Brasil, um médico espírita chamado Waldo Vieira publica um livro contendo suas experiências projetivas. Este projetor também apresenta o traço raro daquele que além de ter os experimentos projetivos, consegue fazer ciência de si mesmo em alto nível. Vieira, ao que me parece, torna-se o terceiro da linhagem de projetores-cientistas, ou de projeciólogos nesta ordem cronológica:

1. Sylvan Muldoon
2. Robert Monroe
3. Waldo Vieira


Eu teria de examinar melhor as obras anteriores, mas não encontro nada muito preciso e destituído de misticismo por onde li. Outro projeciólogo que parece-me ter saído do trilho científico mais focado no campo projetivo, foi o brasileiro Geraldo Medeiros Junior e algumas de suas obras especializadas como "Relatos de um Projetor Extrafísico" e "Viagem Extrafísica", obras excelentes e referenciais. Wagner Borges, que também ainda não fiz revisão mais aprofundada das obras, mas sua pesquisa está noutra esfera, não tão científica e mais mística. Medeiros abandona a Projeciologia e focaliza seus estudos na Bioenergologia, campo mais relacionado com a Conscienciologia. Em outras obras, bastante respeitadas, como de minha colega parapsicóloga Susan Blackmore, li somente o início e o fim, e deparei-me com uma frustração ao ler sua conclusão sobre as experiências fora do corpo, e concluo: ela nunca teve uma projeção consciente. Não perdi meu tempo lendo o miolo do livro. Após Vieira, muitos tentaram fazer ciência de seus próprios experimentos, mas acontece que poucos têm experiências projetivas suficientes a ponto de conseguir fazer delas ciência projeciológica. A Projeciologia, no meu ponto de vista, é a ciência mais difícil existente no planeta. Sou como um retardatário numa corrida de Formula 1, com 36 anos de idade, tentando superar minha dificuldade de concentração para que consiga escrever acerca do assunto. Se tivesse maior capacidade de concentração e organização de idéias poderia ter publicado algo há tempo. Muldoon demonstra superior capacidade, ao escrever morimbundo, entrevado numa cama, com vinte e poucos anos de idade. Estas são as dificuldades que sensitivos têm ao tentarem também manifestarem seu intelecto, atributo praticamente oposto ao parapsiquismo, que se manifesta como acesso direto a uma informação e realidade. Um dia entendi que um de meus objetivos de vida era desenvolver minha intelectualidade, porque estava desalinhado com meu parapsiquismo. Incluia aprender a escrever e a organizar experiências. Forte tendência pela arte e música, abandonei toda minha atividade artística e musical, para dedicar-me somente ao desenvolvimento parapsíquico numa linhagem científica. E sou grato a Waldo Vieira por ter me mostrado tal prioridade em minha existência.

Espero chegar até o fim da obra de Monroe. Geralmente não leio uma obra por completo, a não ser que me interesse muito. Sinto-me como diante de amigos, quando leio Muldoon e Monroe. Senti afinidade imediata com essas consciências de extrema coragem em escrever cada qual em sua época, sobre tal tema. Aprendo com a sinceridade de como se expõem publicamente e o exemplo destes me faz apreender a coragem deles e aplicar aqui, agora, em meu momento.

Correlações com minha experiência projeciológica

A minha história não difere muito de Muldoon e Monroe. Aos 5 anos de idade aproximadamente, comecei a sair do corpo com lucidez, quando desejava profundamente voar como o super-heroi americano fazia em seu filme. E eu conseguia. A princípio eram sonhos lúcidos, onde conseguia controlar o sonho. Aos poucos, os sonhos foram se tornando mais e mais lúcidos e ponto de estar completamente consciente dentro deles. Sabia que era algo diferente do sonho. Toda noite eu tinha dessas experiências e desejava ardentemente tê-las. Tinha muito êxito em replicar a vontade a experiência. Eu sabia de alguma forma que, se eu desejasse e muito, ardentemente, aquilo ocorria. Era uma técnica. Anos se passaram e fui esquecendo disso. Era normal para mim. Mas uma vez lembro que fui comentar com um amiguinho de infância e o mesmo nem sabia do que eu estava falando. Creio que reprimi um pouco aquilo tudo. Somente aos 9 anos de idade, em meio a crise de febre alta, tive projeções violentas para fora do corpo. Eu era arremessado para fora e saia rodopiando em espiral para fora do corpo. Creio ter sido minha primeira crise de pânico na minha vida. Esta experiência marca um antes e depois em minha atual existência. Fui a médicos, como Monroe, fiz exames também, e nada acusou. Os médicos diziam que eram alucinações. Tive menos sorte que Monroe. Somente após, aos 13.. 14 anos de idade, num centro de umbanda, uma entidade que já relatei noutros textos, que se chamava Vô Serafim, me explicaria que tudo aquilo estava ocorrendo porque eu era “macumbeiro”. Cerca de ano depois, outra entidade que se chamava Vó Maria, me diria: “o filho vai, sai do corpo e vai voar”. Na época eu reclamava que não conseguia me concentrar nos estudos porque começava a flutuar, a rodopiar e a excitar-me muito sexualmente. Várias vezes tinha de me masturbar para que conseguisse me concentrar nos estudos e a interromper o processo projetivo. Não sei qual a relação entre estudo concentrado e excitabilidade sexual. Mas li que Monroe fala disso, nos capítulos seguintes. Este campo é árido em pesquisas. Creio que tenha lido em Freud algo sobre isso.

A diferença é que minha crise de paradigmas ocorreu antes de eu ter um paradigma. Então, não aceitei nada que fosse contrastante com meus experimentos projetivos, desde pequeno. Lembro da discussão que tive com o neurologista que teimava dizer-me que eram alucinações e eu dizia que não, que foi real. Eu tinha 9 anos. É complicado uma criança conviver com essa realidade e ainda ser criança. Creio ter amadurecido uma parte em mim muito precocemente. Sem contar a exacerbada libido que eu tinha de dar conta desde cedo que me parece estar associada ao parapsiquismo precoce, de alguma maneira e a enorme quantidade de energia que sinto possuir. Espero que Monroe tenha algo a dizer a respeito disso, das relações entre parapsiquismo e sexualidade, relação esta que venho tentando esboçar há um certo tempo, pela teoria sexométrica em comparação as escalas evolutivas e ao estudo da sexualidade e sua relação com a evolução da consciência.

Após, venho tentando estruturar tudo em ensaios. Ensaio é uma forma de escrita mais livre. Adapto-me mais com este modo de escrever, mais livremente. Começo criando uma biblioteca onde posso publicar os escritos. Depois crio a revista, onde publico as coisas mais dinamicamente, sem tantas formalidades. Neste trajeto, já havia a instituição de projeciologia, onde me envolvo, fundada por Waldo Vieira. Vou tentando formar um grupo independente e livre de pesquisadores da área, que chamei de NIAC – Núcleo de Investigações Avançadas da Consciência. Associei-me com o parapsicólogo Geraldo Sarti, o qual vem me dando feedbacks a respeito de meus experimentos projetivos do ponto de vista psicobiofísico e parapsicológico. Sarti junto com Carlos Tinoco, sumidades da parapsicologia no Brasil, outorgam a mim, pela Federação Brasileira de Parapsicologia e Associação Brasileira de Parapsicologia o título de Parapsicólogo.

Haveria um padrão sincrônico na biografia de projeciólogos?

A semelhança é direta. Sem me dar conta, faço o paralelo dessas histórias e percebo um padrão. Carrington, Tart e Sarti, ambos parapsicólogos renomados que têm o poder de atestar a nossa sanidade mental e a coerência daquilo que estamos falando. Desconheço a história de Waldo Vieira a ponto de traçar este mesmo paralelo, mas soube que em sua trajetória, um espírita lhe orientou a estudar a projetabilidade consciente a fundo. Mas sua qualidade de médico lhe é favorável a tal posição, dispensando em muito a necessidade de um apêndice, tal como eu, Muldoon e Monroe precisávamos. Seu traço científico o coloca em degrau avançado, no que diz respeito a sua velocidade de organização de idéias e capacidade de materializar idéias em papel. Existem pessoas mais capazes que outras nesse aspecto. E me deparo com esta dificuldade, de me superar nisso para chegar em meu objetivo. Parto do pressuposto que outros projeciólogos também, ainda desconhecidos, atravessaram histórias similares, variando num ou noutro ponto.

Outras Considerações

Estou tentando acompanhar em leituras todo este intenso movimento atual nas investigações avançadas da consciência, mas minha prioridade ainda são as experiências e organizar minhas experiências de uma forma que possa dar a publicidade devida e com isto, até o fim desta vida, espero conseguir tal feito. Outro fator é que vou pesquisando muitas coisas ao mesmo tempo, devido ao espectro de alcance de minhas experiências projetivas e organizando tudo ao mesmo tempo. Espero que haja uma síntese coerente de todos os ensaios, pois todos estão interconectados um no outro.

(parte 1)