18.12.18

Espelho do Tao

I

Quando conhecimento se torna uma arma
O conhecedor se torna um tolo
E todo tolo caminha vagando por estradas firmes
O que é firme se segura
Mas cai diante do que é flexível
O flexível estica e estica até arrebentar
O firme enrijesse e enrijesse até ruir
Ambos, firme e flexível são o mesmo
Porém suas faces são vistas de pontos diferentes
O que não é mesmo, é o que não existe
O que não existe é o que serve para não se mover
O que não se move produz o movimento
E perpetua sem nascer e morrer
A isso chamamos essência.
Imortalidade.

II

A sabedoria é a sedução do tolo
O poder é a sedução do cego
A visão é a sedução do pregador
Sabedoria, poder e visão
Quando possuídas escorrem pelas mãos
E escapam como camundongos fugindo de veneno
É por isso que o sábio disse:
Só aquele que não mais deseja adquire o poder, a visão e a sabedoria
Assim tem-se extinta definitivamente a vaidade.
E com ela, as vidas sucessivas.

III

O vaidoso corre atrás da sombra de seu próprio eu.
Quando encontra o que deseja
Segura
Quando segura
Perde
Quando perde
Lamenta
Quando lamenta
Corre atrás
E assim, permanece tolo.

IV

O vaidoso, o tolo e o rude
São faces de um mesmo espírito
A vaidade pesa
A tolice cega
A rudeza seca
Peso, cegueira e secura
Quem pode assim viver serenamente?

V

A morte para o que deseja possuir é como um monte de esterco
Quando o possuidor deseja possuir
Significa que deseja a eternidade
Ao desejar a eternidade através do possuído
Vê no esterco o seu próprio espelho
A morte para o possuidor
É o mesmo que tornar-se esterco
E a vida para o possuidor
É o mesmo que se tornar o possuído
Nisso repousa toda sua a dor e ignorância

VI

Por esta razão o sábio vive nos espaços que ninguém deseja ocupar
Por isso nada falta a ele.
Move-se de forma invisível,
Somente seu corpo pode ser visto
Mas a vastidão de seu espírito caminha na solidão.
Raros são aqueles que desejam realmente conhecer um sábio
Os espelhos do Tao
E quando os sábios nos vêem,
Quanta sabedoria para aceitar tamanha ignorância!

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